Cardano avança com Leios rumo à escala 15 vezes maior

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Desenvolvedores da Cardano integraram componentes essenciais do Leios ao código da rede. Com isso, o projeto avançou no plano de ampliar em até 15 vezes sua capacidade de processamento. A equipe de consenso também incorporou o Praos2 ao ramo principal de desenvolvimento.

O sistema combina o protocolo atual da Cardano com a arquitetura de escalabilidade do Leios. Além disso, os desenvolvedores uniram os componentes LeiosNotify e LeiosFetch. Esses módulos permitem que os nós troquem informações para processar lotes adicionais de transações.

Leios avança antes do hard fork Dijkstra

Contudo, a equipe ainda precisa concluir os mecanismos de seleção e recuperação desses lotes, conhecidos como blocos endossadores. A Input Output Global prepara a introdução do Leios no próximo hard fork Dijkstra. Inicialmente, a empresa pretende elevar a capacidade de processamento entre três e cinco vezes.

Depois dessa etapa, novos ajustes poderão levar a rede a operar entre 10 e 15 vezes acima do limite atual. Entretanto, os aumentos dependem de testes de desempenho e de aprovações separadas pela governança. Por isso, o cronograma para alcançar a capacidade máxima permanece incerto.

Embora os componentes do Leios tenham avançado, a rede ainda não testou as regras do Dijkstra em seu testnet público. Em 24 de outubro, a Intersect informou que o ambiente reiniciado três dias antes seguia as regras atuais de Conway. Naquele momento, a rede utilizava a versão 11.1.3 do nó.

Testnet ainda precisa adotar novas regras

A migração para a versão 12 do protocolo Dijkstra depende da prévia da versão 11.2. Em seguida, a governança deverá enviar uma ação para iniciar o hard fork. Enquanto isso, os desenvolvedores continuam reforçando o protótipo do Leios.

As mudanças ampliam as verificações dos anúncios de blocos endossadores e dos certificados criptográficos. Da mesma forma, o novo formato de cabeçalho do Leios ficará restrito ao Dijkstra e às versões posteriores. Para aplicar as alterações, os participantes precisarão atualizar seus nós e reiniciar o testnet do protótipo desde o estado inicial.

Apesar dessa exigência, o reinício não afetará a mainnet da Cardano. As mudanças técnicas buscam ampliar o volume de dados transacionais que a rede consegue processar. Para isso, o Leios separa parte da validação de transações da produção convencional de blocos.

Arquitetura separa validação e produção de blocos

A IOG estima que o atual Ouroboros Praos processe cerca de 4,5 quilobytes de dados transacionais por segundo. Esse limite existe, em parte, porque os blocos precisam circular rapidamente para preservar o consenso. Já o Leios utiliza blocos endossadores para validar e certificar transações adicionais em paralelo.

Na primeira fase, a meta varia entre 13,5 e 22,5 quilobytes por segundo. Posteriormente, novos aumentos poderão elevar o volume para uma faixa entre 45 e 67,5 quilobytes. Ainda assim, o total efetivo de transações dependerá do tamanho e das exigências computacionais de cada operação.

Antes de liberar os limites mais altos, a Cardano precisa concluir o modelo de governança dos parâmetros operacionais. Primeiro, uma emenda constitucional deverá definir as faixas permitidas para os novos parâmetros do Dijkstra. A proposta exige apoio de representantes delegados que concentrem ao menos 75% do stake votante relevante.

Governança definirá os parâmetros do Leios

A emenda também precisa do apoio de dois terços do Comitê Constitucional. Em outubro, a Intersect informou que a proposta CAP-12 havia chegado à quarta versão. Porém, o texto ainda não definia limites numéricos, parâmetros de influência do pledge e regras para desativar o Leios.

O hard fork exige uma aprovação própria e envolve diferentes grupos da governança. Nesse caso, representantes com 60% do stake, operadores de pools com 51% e dois terços do comitê precisam apoiar a mudança. Assim, a ativação depende de uma coordenação ampla entre participantes da rede.

Após a implementação do Dijkstra, os operadores precisarão registrar chaves criptográficas adicionais, conhecidas como chaves BLS. Essas chaves permitirão a participação na certificação dos blocos endossadores do Leios. Segundo a IOG, as chaves registradas devem representar entre 90% e 95% do stake delegado antes da ativação.

Operadores precisarão registrar chaves BLS

Esse patamar cria uma margem de segurança contra operadores indisponíveis ou lentos. Afinal, o mecanismo de certificação do Leios exige assinaturas equivalentes a pelo menos 75% do stake ativo. Pools sem chaves BLS poderão produzir blocos comuns, mas não votarão em blocos endossadores.

Fonte: IOG

 

Na etapa seguinte, a rede realizará exercícios controlados de alta carga na mainnet. Durante os testes, as equipes avaliarão a velocidade de propagação dos lotes e a confiabilidade das certificações. Os desenvolvedores também medirão a capacidade ociosa de processamento dos nós.

Os resultados servirão de base para propostas de aumento dos limites operacionais do Leios. Cada ajuste exigirá 67% de apoio dos representantes delegados e 51% dos operadores de pools. Além disso, dois terços do Comitê Constitucional precisarão aprovar as alterações.

Dessa maneira, a Cardano poderá elevar os parâmetros sem realizar outro hard fork. No entanto, cada mudança deverá respeitar os limites definidos anteriormente pela constituição da rede. A evolução até a escala projetada dependerá dos testes, da participação dos operadores e das decisões de governança.

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