DeFi recebe menos apoio que inovação financeira nos EUA

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Eleitores dos Estados Unidos apoiam mais a inovação financeira ampla do que políticas diretamente ligadas a DeFi, blockchain e criptomoedas. Uma pesquisa da Ipsos apontou que 35% querem candidatos comprometidos com a nova geração da tecnologia financeira americana. Contudo, o percentual cai para 13% quando a pergunta cita explicitamente blockchain, criptomoedas e finanças descentralizadas.

O levantamento da DeFi Education Fund ouviu 1.545 adultos americanos pelo KnowledgePanel da Ipsos, entre 8 e 16 de setembro. A organização identificou insatisfação crescente com os serviços financeiros tradicionais. Ainda assim, a familiaridade com criptomoedas e a confiança em plataformas descentralizadas permanecem baixas.

A diferença de 22 pontos percentuais ganhou destaque em uma publicação da jornalista Eleanor Terrett. Nesse contexto, a divulgação ocorreu às vésperas das eleições legislativas americanas de novembro de 2026. Porém, os candidatos enfrentam demandas concorrentes sobre regulação financeira e tecnologias emergentes.

Os americanos apoiam mais a inovação financeira quando ela é apresentada de forma ampla do que quando aparece explicitamente vinculada às criptomoedas. A pesquisa mostrou que 35% defendem candidatos favoráveis à próxima geração de tecnologia financeira nos Estados Unidos.

Eleanor Terrett, no X.

Linguagem altera percepção dos eleitores americanos

Os dados indicam que a descrição da inovação financeira altera de forma relevante as respostas. Enquanto 35% consideram importante que candidatos apoiem novas tecnologias financeiras, somente 13% mantêm essa posição diante de termos específicos. Assim, a linguagem usada no debate político parece influenciar a receptividade do público.

Terrett classificou a diferença como um problema de posicionamento para o setor. No entanto, os percentuais refletem respostas a perguntas específicas, não intenções de voto. Por isso, a sondagem não comprova que defensores da inovação financeira também apoiem regulações favoráveis às criptomoedas ou aos serviços descentralizados.

Outros levantamentos apresentaram resultados diferentes sobre o peso político das criptomoedas. Em maio, uma pesquisa mostrou que apenas 4% dos eleitores consideravam a posição dos candidatos sobre o tema importante para o voto. Habitação acessível e proteção ao consumidor ficaram à frente nessa consulta.

Por outro lado, uma pesquisa divulgada em junho pela Digital Currency Group indicou que 40% dos entrevistados viam as criptomoedas como tema eleitoral em 2026. Em 2024, essa parcela correspondia a 20%. Como os estudos fizeram perguntas distintas e ouviram públicos diferentes, os resultados não permitem comparação direta.

Segurança, privacidade e controle preocupam o público

A insatisfação com o sistema financeiro apareceu em respostas sobre segurança, dados pessoais e acesso ao dinheiro. Apenas 19% consideraram seguro o sistema financeiro americano atual. Além disso, 63% afirmaram que o setor precisa de atualizações para enfrentar ameaças emergentes.

As preocupações com informações pessoais também apareceram com frequência. Da mesma forma, 80% defenderam mudanças que ofereçam aos cidadãos maior controle sobre os próprios dados. Outros 74% consideraram importante a privacidade financeira, enquanto 62% preferem manter informações pessoais privadas durante transações.

O acesso ao próprio dinheiro também recebeu atenção dos entrevistados. Enquanto isso, 66% disseram querer disponibilidade dos recursos a qualquer momento, mas somente 49% acreditam controlar seus recursos financeiros. Cerca de 54% ainda questionam a capacidade das instituições de proteger dados contra ameaças relacionadas à inteligência artificial.

Apesar dessas preocupações, a confiança em finanças descentralizadas continua limitada. Somente 9% afirmaram conhecer muito ou extremamente bem as criptomoedas. Além disso, apenas 5% relataram um nível elevado de confiança em plataformas descentralizadas.

Adoção avança, mas uso recente permanece estável

Os dados mostram que 22% dos americanos já possuíram ou usaram criptomoedas em algum momento. Em 2025, essa parcela era de 18%, uma diferença de quatro pontos percentuais. No entanto, o uso durante os 12 meses anteriores permaneceu estável em 13%.

Essa diferença separa pessoas que tiveram algum contato com criptomoedas daquelas que realizaram atividades recentes. Já uma pesquisa domiciliar de 2025 do Federal Reserve apontou que 10% dos adultos possuíam ou usavam criptomoedas naquele ano. Por isso, os métodos e períodos distintos impedem uma comparação direta entre os estudos.

O interesse político pelo tema apresentou diferenças pequenas entre os dois maiores partidos. Entre os republicanos, 17% queriam aprender mais sobre criptomoedas, ante 16% dos democratas. A posse ou o uso anterior alcançou 24% e 21%, respectivamente.

Poupança lidera possíveis aplicações de DeFi

O interesse em experimentar DeFi superou o conhecimento declarado sobre plataformas existentes. A Ipsos identificou que 40% estariam ao menos um pouco propensos a testar esses serviços, caso estivessem disponíveis. Nesse grupo, poupança e transferências domésticas concentraram o maior interesse.

Entre os participantes abertos a DeFi, 85% citaram a poupança como aplicação potencial. Em 2025, esse índice correspondia a 77%. Por sua vez, 82% selecionaram o envio de dinheiro a amigos ou familiares nos Estados Unidos, ante 73% no estudo anterior.

A pesquisa ponderou as respostas conforme características demográficas e políticas dos participantes. Já a margem de erro informada ficou em 2,8 pontos percentuais, para mais ou para menos. A comparação utilizou outra pesquisa da Ipsos com 1.321 adultos, conduzida entre 18 e 21 de agosto de 2025.

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