Bitcoin pode não sustentar retorno aos US$ 126 mil

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Uma simulação histórica indica que o Bitcoin pode superar seu recorde de US$ 126.198 sem sustentar o patamar até o fim de um ano. Entre 100 mil trajetórias modeladas, 50,4% ultrapassaram esse nível ao menos uma vez. No entanto, somente 34,8% encerraram o período acima da barreira.

Assim, a diferença entre cruzar o recorde e terminar acima dele chegou a 15,6 pontos percentuais. Em termos práticos, cerca de uma em cada seis trajetórias recuperou o recorde, mas depois encerrou o período abaixo dele. Portanto, uma meta de preço não revela todos os movimentos entre a compra e a data projetada.

A projeção de um ano aponta preço terminal mediano de US$ 124.281 em 26 de outubro de 2027. O cálculo parte de um fechamento de referência de US$ 80.007 em 26 de outubro de 2026. Já o Bitcoin alcançou o recorde publicado de US$ 126.198 em 6 de outubro de 2025.

Recuperação do Bitcoin precisa superar três testes

Uma previsão terminal mede o preço no encerramento de um horizonte específico. Por outro lado, a estimativa de cruzamento verifica se a cotação supera uma barreira em qualquer observação anterior. Além disso, a permanência acima do nível exige um terceiro teste. Esse cálculo avalia o comportamento do preço depois da primeira recuperação.

A análise reamostrou retornos históricos em blocos de sete dias e gerou 100 mil trajetórias. Para isso, os cálculos usaram preços diários da Coin Metrics. A referência considera o fechamento em dólares de vários mercados ao fim de cada dia UTC. Nesse conjunto, os preços formam uma série diária padronizada.

A simulação começou em US$ 79.950, fechamento de 26 de outubro, valor distinto da base usada pela previsão terminal. Por sua vez, a análise considerou 1.096 retornos logarítmicos diários entre 26 de outubro de 2023 e 26 de outubro de 2026. A análise capturou os dados em 27 de outubro, às 10h47 UTC.

Nesse modelo, cruzar a barreira significa fechar o dia acima de US$ 126.198. O recorde, porém, pode ter ocorrido durante o pregão, sem um fechamento diário no mesmo patamar. Por isso, o teste não contabiliza simples toques intradiários.

Cruzamento e fechamento produzem resultados diferentes

Das trajetórias simuladas, 49,6% nunca cruzaram a barreira de US$ 126.198. Em contrapartida, 15,6% superaram o nível, mas terminaram o período abaixo dele. As demais 34,8% encerraram o horizonte acima do recorde.

Simulação de recuperação do Bitcoin em um ano
A maior parcela das trajetórias permaneceu abaixo da barreira durante todo o período. Contudo, parte dos caminhos rompeu o nível sem sustentar a valorização até o encerramento. Apenas pouco mais de um terço terminou o ano acima do recorde.

Fonte: cálculos com dados diários e metodologia da Coin Metrics.

 

Em 30 dias, 0,15% das trajetórias cruzaram a barreira, enquanto 0,11% terminaram acima dela. Em 90 dias, as frequências subiram para 6,37% e 4,21%, respectivamente. Ainda assim, os números de curto prazo são pequenos e exigem cautela adicional.

Trajetórias incluem quedas antes da recuperação

Ao longo de 365 dias, 42,1% de todas as trajetórias cruzaram o recorde e depois fecharam abaixo dele ao menos uma vez. Algumas voltaram a se recuperar antes do encerramento da simulação. Desse modo, essa taxa supera os 15,6% que cruzaram a barreira e terminaram abaixo dela. No total, 65,2% encerraram o ano abaixo do recorde, incluindo os caminhos que nunca o alcançaram.

Mesmo as trajetórias que superaram o nível enfrentaram perdas relevantes antes da recuperação. Entre esses caminhos, o primeiro cruzamento ocorreu após uma mediana de 189 dias. Ao mesmo tempo, o drawdown máximo mediano antes desse momento chegou a 18,9%. No percentil 90, a queda alcançou 30,7%.

Esse drawdown mede o recuo a partir de um pico acumulado, que pode surgir depois do início da simulação. Em outro teste, 11,4% das trajetórias vencedoras caíram pelo menos 20% abaixo do preço inicial antes do cruzamento. Da mesma forma, 2,3% recuaram ao menos 30% abaixo do ponto de partida.

Cenários alternativos mantêm a diferença

Seis cenários alternativos também preservaram a diferença entre cruzar a barreira e terminar acima dela. Eles incluíram retornos normais, deriva logarítmica zero ou histórica e volatilidade 25% menor ou maior. O estudo também testou distribuição Student-t e bootstrap em blocos. Sob essas condições, as taxas anuais de cruzamento variaram de 17,8% a 52,3%.

Já as frequências de fechamento acima da barreira ficaram entre 9,3% e 35,4%. Apesar das variações entre os modelos, todos mantiveram uma distância entre o rompimento e a sustentação. Logo, os resultados dependem das premissas, mas o padrão central permanece.

Uma comparação com 4.317 janelas anuais sobrepostas desde 2014 apresentou comportamento semelhante. O Bitcoin superou o ganho percentual exigido em 63,1% das janelas, mas terminou acima do patamar em 51%. Contudo, as observações se sobrepõem e os regimes de mercado mudam. Por esse motivo, elas não representam testes independentes.

Histórico registra recuos após novas máximas

A série histórica identificou sete recuperações completas após quedas de pelo menos 30%, considerando antigos recordes de fechamento desde 2013. Quatro episódios voltaram abaixo do recorde anterior nos primeiros 30 dias. Além do mais, todos registraram correções de pico a vale de pelo menos 20% nos 90 dias seguintes.

O intervalo entre o fundo e a retomada do recorde variou de 20 a 771 dias. A mediana desse intervalo ficou em 122 dias. Enquanto isso, os drawdowns entre o fundo e a recuperação variaram de 10,9% a 61,4%, com mediana de 20,2%. Entretanto, esses episódios dependem da identificação retrospectiva dos fundos.

O modelo de previsão anual atribui peso integral a um GARCH com distribuição Student-t. A vantagem reportada de CRPS ficou negativa em 0,4% contra a melhor referência simples. Essa métrica avalia toda a distribuição prevista, e não apenas um resultado pontual. Além do resultado central, o limite inferior negativo de 5,8% indica que o modelo complexo não superou a base fora da amostra.

Em resumo, o principal resultado está no formato da recuperação, e não em uma probabilidade exata de sucesso. O próximo recorde representa apenas uma barreira dentro de uma trajetória mais ampla. Assim, uma recuperação duradoura exige suportar possíveis quedas, manter o rompimento e permanecer acima do nível no fim do horizonte avaliado.

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