CFTC processa Utah para proteger mercados de previsões
A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC) processou Utah para barrar ações estaduais contra mercados de previsões regulados federalmente. A iniciativa elevou para dez o número de estados envolvidos em disputas de jurisdição com a autarquia. A CFTC apresentou a ação em 26 de outubro ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Utah.
No processo de 33 páginas, a CFTC cita o estado e o procurador-geral Derek Brown como réus no caso 2:26-cv-01055. Além disso, a autarquia pede liminares preliminar e permanente contra investigações e punições estaduais. A proteção alcançaria transações realizadas em mercados de contratos designados, conhecidos pela sigla DCMs.
Segundo a petição federal, o pedido também abrange afiliadas e parceiros envolvidos nas operações das entidades reguladas. Por outro lado, Utah abriu uma ação estadual contra empresas da Kalshi e firmas de trading da Susquehanna em 20 de outubro. O estado pretende aplicar suas restrições sobre jogos de azar a esses contratos.
Autarquia busca proteger bolsas e parceiros regulados
Na ação, a CFTC fundamenta sua alegação na Cláusula de Supremacia da Constituição dos Estados Unidos. Para a autarquia, a Lei de Bolsas de Mercadorias concede à CFTC autoridade exclusiva sobre os contratos de eventos questionados por Utah. Os advogados federais sustentam que esses produtos constituem swaps negociados em bolsas reguladas no âmbito federal.
Dessa forma, a CFTC pede que a Justiça invalide as leis de Utah quando o estado as aplicar aos contratos dessas bolsas. O pedido menciona regras estaduais sobre jogos de azar, apostas eleitorais e perturbação pública. Nesse sentido, a liminar também impediria agentes estaduais de investigar entidades reguladas, suas afiliadas e seus parceiros.
Ainda conforme a petição, regras estaduais poderiam submeter as bolsas à atuação de 50 reguladores diferentes. A autarquia afirma que essas restrições prejudicariam o sistema federal de listagem e supervisão de derivativos. Já uma proposta conjunta da CFTC e da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos criaria outra base para classificar os contratos como swaps.
Utah busca recuperar taxas e limitar negociações
O procurador-geral de Utah classifica os produtos da Kalshi como jogos de azar ilegais. A acusação abrange contratos relacionados a esportes, eleições, política e outros resultados. Em um comunicado do estado, Brown afirmou que a empresa opera um cassino online sob a denominação de mercado de previsões.
Utah busca recuperar entre US$ 30,6 milhões e US$ 61,2 milhões em taxas consideradas ilegais até 19 de outubro. O cálculo considera cobranças de aproximadamente um ou dois centavos sobre mais de três bilhões de apostas vinculadas a contas no estado. Com isso, a ação também exige restituição, entrega dos lucros contestados e ferramentas de geolocalização que a Justiça aprove.
Em resposta, a porta-voz da Kalshi, Jacki McGavick, contestou a descrição apresentada por Utah. Ela afirmou que os clientes negociam entre si e definem os preços por meio da bolsa. Assim, McGavick defendeu que a empresa responde à legislação federal, e não ao controle individual dos estados.
Decisão anterior favoreceu Utah contra a Kalshi
Em 4 de agosto, o juiz distrital Robert Shelby concedeu julgamento sumário a Utah em uma ação anterior da Kalshi. Na decisão judicial, Shelby concluiu que a Lei de Bolsas de Mercadorias não impede Utah de aplicar suas normas contra jogos de azar. Antes disso, a Kalshi havia processado autoridades estaduais em fevereiro e solicitado uma liminar.
Posteriormente, em 8 de setembro, o Décimo Circuito negou o pedido emergencial de liminar apresentado pela Kalshi durante o recurso. O procurador-geral informou que a apelação principal continuava pendente quando anunciou a nova ação estadual. Enquanto isso, a petição federal cita Arizona, Connecticut, Illinois, Kentucky, Minnesota, Novo México, Nova York, Rhode Island e Wisconsin.
No mesmo dia da ação federal, a NBA nomeou Kalshi e Polymarket como suas bolsas preferenciais de mercados de previsões. Os acordos concedem direitos de marketing e acesso a dados oficiais por meio da Sportradar, mas restringem mercados e negociações por funcionários. Nesse cenário, o confronto entre CFTC e Utah amplia o debate sobre a supervisão desses contratos nos Estados Unidos.
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