Bitcoin: ETFs e Fed podem definir o próximo bull run

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O Bitcoin recuperou parte das perdas registradas no verão do Hemisfério Norte. Contudo, o início de novembro ainda traz incertezas para os investidores. A demanda melhorou de forma desigual, enquanto os juros dos Estados Unidos permanecem elevados.

Nesse cenário, o mercado avalia se a alta recente pode se sustentar e alcançar Ethereum e outras altcoins relevantes. A recuperação do terceiro trimestre renovou o otimismo. Porém, vendedores podem voltar a atuar caso o preço avance para regiões com grande concentração de oferta.

Peter Schiff alertou que o Bitcoin poderia cair para US$ 75 mil. O crítico de longa data afirmou que os detentores de BTC poderiam enfrentar um fim de semana difícil. A declaração ampliou o pessimismo antes de um possível período de volatilidade.

Publicação no X

 

Mercado busca confirmar a recuperação do Bitcoin

Uma valorização rápida pode parecer altista antes de o mercado confirmar o fim da queda anterior. A perspectiva para o quarto trimestre da Coinbase Research calculou ganho de 43% para o Bitcoin no terceiro trimestre. Entretanto, o relatório observou que muitos investidores compraram acima dos preços atuais.

Essa diferença pode estimular vendas durante uma recuperação. A Fidelity também apontou novembro como um possível período para uma mínima de ciclo. Ainda assim, a instituição destacou que ciclos históricos não identificam com segurança uma mudança de direção.

Portanto, a mínima do verão pode permanecer válida, a recuperação pode perder força ou os preços podem oscilar por meses. Uma alta duradoura exige compras contínuas depois do entusiasmo inicial. Nesse sentido, a preservação dos ganhos em sessões fracas indica uma demanda mais consistente.

Os fechamentos semanais também reduzem o peso de oscilações intradiárias e liquidações pontuais. Em contraste, um salto breve seguido por forte reversão sinaliza fragilidade. Por isso, a confirmação costuma surgir somente depois de parte da recuperação.

O que caracteriza um bull run mais amplo

Um bull run representa uma alta prolongada, apoiada por demanda persistente. No entanto, corretoras, traders e instituições de pesquisa não adotam um critério único. Alguns investidores observam a tendência de longo prazo do Bitcoin, enquanto outros aguardam a valorização das principais altcoins.

O Bitcoin pode entrar em forte tendência de alta mesmo se tokens menores permanecerem fracos. Por outro lado, uma recuperação ampla envolveria ganhos contínuos do Bitcoin, do Ethereum e de outras altcoins relevantes. O movimento também precisaria resistir a períodos de realização de lucros.

O desempenho de criptomoedas líquidas oferece mais informações que saltos isolados em mercados pouco negociados. Afinal, projetos com baixa liquidez podem dobrar de valor sem indicar entrada relevante de capital. Desse modo, a amplitude do movimento importa tanto quanto a valorização do Bitcoin.

Ciclo de quatro anos coloca novembro no radar

A discussão sobre novembro decorre dos ciclos anteriores do Bitcoin. A última grande mínima de um mercado de baixa ocorreu em novembro de 2022. Assim, uma repetição aproximada do ciclo de quatro anos colocaria outra mínima perto de novembro de 2026.

A Fidelity considera essa possibilidade, mas admite outros cenários. A mínima pode ter ocorrido em julho ou ainda surgir mais tarde. Além disso, o mercado atual apresenta diferenças relevantes em relação aos ciclos anteriores.

Investidores agora têm acesso a fundos à vista listados, enquanto instituições contam com mais serviços de custódia e negociação. Esses canais podem mudar quem compra, quando compra e como reduz exposição. Mesmo assim, eles não eliminam a especulação nem garantem o começo imediato de um bull run.

Uma mínima de ciclo também não produz, necessariamente, uma tendência evidente de alta. O mercado pode negociar dentro de uma faixa por um período prolongado. Logo, o calendário funciona como referência, mas não substitui os dados de demanda.

ETFs e compras à vista podem sustentar a alta

Os ETFs de Bitcoin à vista dos Estados Unidos oferecem uma rota visível para ampliar a exposição. A tabela de fluxos da Farside permite acompanhar subscrições e resgates de cada fundo. Vários dias de entradas podem reforçar a tese de demanda, sobretudo durante uma correção.

Porém, um único dia forte diz pouco sobre o resultado semanal. Grandes subscrições podem ser seguidas por resgates, reduzindo as compras líquidas. Da mesma forma, o volume negociado das cotas não representa necessariamente uma compra equivalente de Bitcoin pelo fundo.

As compras no mercado à vista oferecem outro sinal importante. Uma alta pode começar quando traders encerram apostas na queda, criando pressão compradora temporária. Caso compradores à vista não entrem depois, a força responsável pelo primeiro salto pode desaparecer.

A análise da CryptoQuant, publicada em 1º de outubro, apontou melhora na demanda aparente. Apesar disso, o indicador continuava negativo. A leitura indicava recuperação após uma fase fraca, e não uma expansão sustentada.

Dados de derivativos acrescentam contexto, como interesse aberto e taxas de financiamento. Contudo, esses indicadores não comprovam uma demanda saudável por si só. Para ganhar consistência, a alta precisa combinar fluxos líquidos, compras à vista e resistência durante correções.

Juros do Fed e zonas de venda permanecem no foco

O Federal Reserve manteve a taxa-alvo entre 3,75% e 4% em 28 de outubro, por 10 votos a 2. Lisa Cook e Beth Hammack preferiram uma elevação de 0,25 ponto percentual. O comitê classificou a inflação como elevada e não sinalizou um corte imediato.

Juros altos podem tornar o caixa e a dívida pública mais atraentes. Consequentemente, investidores podem exigir uma justificativa maior para assumir exposição a mercados especulativos. Ainda assim, o Bitcoin pode avançar por fluxos de fundos, mudanças de posicionamento ou fatores específicos.

A reação dos mercados também depende das expectativas anteriores à decisão. Uma pausa pode receber uma resposta positiva quando investidores temem uma alta. Em contrapartida, sinais de inflação persistente podem limitar o apetite por risco.

Uma publicação afirmou que o Fed elevou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%. Segundo o relato, as taxas de hipoteca de 30 anos avançaram para cerca de 7,28%. O movimento ocorreu em meio à inflação persistente, ao petróleo mais caro e às tensões geopolíticas.

Publicação no X

 

A descrição da publicação no X diverge do comunicado do Fed citado nesta matéria, que informa manutenção da faixa. Já a Coinbase Research identificou cerca de 1,7 milhão de BTC movimentados pela última vez entre US$ 89,6 mil e US$ 93,7 mil. Essa concentração pode criar pressão vendedora caso o Bitcoin retorne à região.

Entretanto, os dados não estabelecem um teto fixo. Informações on-chain não registram toda a base de custo dos investidores. Uma ruptura breve, seguida por vendas intensas, teria significado diferente de várias semanas negociadas acima dessa faixa.

Um volume elevado sem alta expressiva pode indicar que compradores absorvem uma grande oferta. Em sentido oposto, uma ruptura com pouco volume pode se mostrar vulnerável. A sustentação dependerá da continuidade da demanda após o rompimento.

Altcoins precisam avançar além do Bitcoin

A dominância do Bitcoin mede sua participação no valor total calculado por um rastreador de mercado. Uma queda pode sugerir avanço de outros mercados, mas não comprova uma temporada de altcoins. Isso ocorre porque a oferta crescente de stablecoins também pode reduzir a participação do Bitcoin.

Os gráficos globais da CoinGecko permitem separar o mercado total de categorias relevantes. Excluir stablecoins pode facilitar a identificação de ganhos em projetos expostos às oscilações de preço. Mesmo assim, uma única altcoin de grande porte pode elevar o agregado enquanto mercados menores permanecem fracos.

Investidores também devem separar o desempenho em dólar do resultado contra o Bitcoin. Uma altcoin pode subir em dólar e, ao mesmo tempo, perder valor diante do BTC. Liquidez, livros de ofertas, atividade de rede e desbloqueios também influenciam o desempenho de cada projeto.

O cenário mais favorável envolveria Bitcoin em níveis mais altos, fluxos contínuos para fundos e ganhos de várias altcoins relevantes. Já altas frustradas, resgates de ETFs e demanda à vista insuficiente enfraqueceriam essa tese. Neste momento, o calendário atrai atenção, mas compradores e vendedores definirão a chegada de um novo bull run.

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