DOJ apreende US$ 750 mil de conta de criptomoedas
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apreendeu mais de US$ 750 mil de uma conta de criptomoedas ligada a um cidadão queniano. A ação integra a Operação Ghostbusters, que investiga fraudes em larga escala contra programas federais de auxílio estudantil. Segundo as autoridades, a operação reúne casos em Nova Jersey, Virgínia e Nebraska. Os investigadores relacionam o dinheiro apreendido aos recursos desviados pelo esquema.
O órgão acusou cinco pessoas no âmbito da investigação. Além disso, classificou a medida como a primeira apreensão internacional de uma conta de ativos digitais no Quênia conduzida por sua Divisão de Fraudes. As autoridades americanas agora trabalham com parceiros quenianos para recuperar outros valores. A cooperação também busca viabilizar possíveis extradições.
Fraude estudantil motivou apreensão de ativos digitais
Os investigadores alegam que a rede usou identidades americanas roubadas para criar contas fraudulentas no programa Federal Student Aid. Em seguida, os envolvidos enviaram pedidos falsos por meio do FAFSA, formulário federal de auxílio ao ensino superior. Os chamados estudantes fantasmas não frequentavam as instituições indicadas nas solicitações. Mesmo assim, as matrículas permitiam o desvio de reembolsos de empréstimos e bolsas.
De acordo com a acusação, os reembolsos chegavam a contas sem vínculo com os candidatos indicados nos pedidos. Universidades e faculdades começaram a identificar registros suspeitos do FAFSA por volta de 2021. Atualmente, as autoridades estimam que esse tipo de fraude tenha causado perdas superiores a US$ 200 milhões. Com isso, diferentes distritos americanos passaram a investigar os responsáveis e o destino dos recursos.
Identidades roubadas e matrículas fraudulentas
O FBI identificou mais de US$ 32 milhões em perdas diretas relacionadas a golpes semelhantes com estudantes fantasmas. No entanto, as autoridades avaliam que o prejuízo real pode ser muito maior. Muitas vítimas descobriram a fraude somente após criminosos matriculá-las, sem consentimento, em instituições distantes. Os registros também deixaram empréstimos e outras obrigações vinculados às identidades roubadas.
Os promotores afirmam que o grupo utilizou ferramentas avançadas para inserir alunos falsos em turmas e concluir atividades acadêmicas. Dessa forma, os suspeitos mantinham a liberação contínua dos recursos. O esquema direcionava o dinheiro a operadores estrangeiros e cúmplices nos Estados Unidos. Entre os beneficiários, estavam cidadãos quenianos ligados à rede investigada.
Em setembro e outubro de 2026, as autoridades identificaram 830.840 registros de auxílio estudantil potencialmente fraudulentos. Juntos, esses registros somavam quase US$ 130 milhões em solicitações. Por isso, os agentes recomendaram que o Departamento de Educação desativasse as contas suspeitas.
FAFSA é a sigla de Free Application for Federal Student Aid. O formulário permite que estudantes nos Estados Unidos solicitem auxílio federal para o ensino superior. Em geral, o envio representa o primeiro passo para acessar bolsas, empréstimos ou programas de trabalho e estudo. Portanto, o sistema ocupa uma posição central na distribuição do apoio financeiro federal.
Estados Unidos e Quênia ampliam cooperação
Em setembro, representantes do Departamento de Justiça viajaram ao Quênia para trabalhar com autoridades locais. A cooperação tratou de extradições e recuperação de recursos. Nesse contexto, três órgãos quenianos apoiaram a apreensão: a Diretoria de Investigações Criminais, a Agência de Recuperação de Ativos e o Gabinete do Diretor de Acusações Públicas. As equipes também analisaram os caminhos usados para transferir o dinheiro.
O procurador-geral assistente Colin M. McDonald descreveu a operação como a primeira apreensão internacional desse tipo no Quênia pela Divisão de Fraudes. Segundo ele, o caso destaca uma nova frente de colaboração transfronteiriça. A parceria busca combater fraudes que utilizam ativos digitais para movimentar ou ocultar recursos.
O bloqueio de uma única carteira representa apenas uma parcela das perdas estimadas. Ainda assim, os investigadores afirmam que a ação demonstra disposição para perseguir recursos suspeitos fora dos Estados Unidos. Nesse sentido, as autoridades pretendem acompanhar os valores quando a trilha financeira alcançar plataformas digitais. A estratégia combina investigações financeiras, cooperação internacional e medidas judiciais.
Acusações alcançam três distritos americanos
Em Nova Jersey, promotores acusaram Mabed Patricia Utate-Alberto, Patricia Arisleydi Perez e George Arturo Alfau Mendez. Eles teriam atuado como intermediários financeiros do esquema nos Estados Unidos. A acusação sustenta que a conspiração ocorreu de março de 2021 até pelo menos janeiro de 2026. O caso envolve mais de US$ 1,5 milhão em perdas pretendidas, e os três permanecem sob custódia.
Segundo documentos judiciais, os suspeitos mantinham parte dos valores roubados e enviavam o restante a associados quenianos ligados a uma empresa de safáris. Enquanto isso, dois supostos coautores quenianos ainda não receberam acusação formal. Na Virgínia, promotores indiciaram em 21 de outubro um cidadão queniano cuja identidade continua sob sigilo. As acusações incluem conspiração para fraude eletrônica e fraude em auxílio estudantil.
A acusação na Virgínia detalha mais de US$ 1,4 milhão roubados por meio de mais de 700 depósitos fraudulentos de reembolsos. Desse total, cerca de US$ 1,3 milhão teria seguido para contas nos Estados Unidos e no Quênia. Já em Nebraska, um grande júri indiciou Francis Mogambi, cidadão queniano, por dez crimes. São cinco acusações de roubo de recursos públicos e cinco de roubo de identidade qualificado.
| Distrito | Réus | Perda alegada | Situação |
|---|---|---|---|
| Nova Jersey | Mabed Patricia Utate-Alberto, Patricia Arisleydi Perez, George Arturo Alfau Mendez | US$ 1,5 milhão | Presos |
| Virgínia | Nome sob sigilo, cidadão queniano | US$ 1,4 milhão | Indiciado |
| Nebraska | Francis Mogambi | US$ 20 mil | Preso e detido |
As autoridades alegam que Mogambi usou identidades roubadas entre novembro de 2025 e maio de 2026 para direcionar cheques de auxílio. Ele teria mantido cerca de 30% dos valores e enviado o restante ao exterior. Agora, Mogambi permanece detido enquanto aguarda julgamento. Todos os acusados são presumidos inocentes até eventual condenação judicial.
Investigação acompanha dinheiro além das fronteiras
Os investigadores descrevem o esquema como uma fraude acadêmica e também como um problema de remessas internacionais. Na prática, as identidades roubadas abriam acesso aos programas, enquanto contas americanas movimentavam os recursos. Depois, redes estrangeiras recebiam parcelas do dinheiro. Carteiras digitais também poderiam armazenar os valores e facilitar transferências rápidas.
O Departamento de Justiça informou que mantém investigações ativas em mais de 40 casos semelhantes. Ao mesmo tempo, as apurações mobilizam 26 escritórios regionais do FBI e mais de 20 escritórios de procuradores americanos. Apesar disso, as autoridades reconhecem que o congelamento de uma carteira não desmonta sozinho uma fraude dessa dimensão. A medida, porém, reforça a busca por recursos ilícitos quando a trilha digital ultrapassa fronteiras.
O Departamento de Justiça afirma que novas ferramentas digitais continuam evoluindo. Contudo, o padrão de explorar programas públicos para obter ganhos pessoais permanece. Para o órgão, criminosos procuram métodos cada vez mais discretos para transferir e ocultar recursos.
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