Binance: Changpeng Zhao diferencia hack de Mt. Gox e FTX
O cofundador da Binance, Changpeng Zhao, comparou o incidente de segurança de US$ 6,3 bilhões aos casos da Mt. Gox e da FTX. Em uma publicação no X, na sexta-feira, CZ afirmou que o valor em dólares não mostra sozinho a dimensão de uma falha em uma exchange. Para ele, a quantidade de Bitcoin e a exposição dos clientes também precisam entrar nessa avaliação.
Segundo Zhao, a Mt. Gox perdeu cerca de 647 mil BTC, o que torna a violação maior quando medida em Bitcoin. Além disso, o executivo destacou diferenças entre os três episódios quanto à origem dos recursos afetados. No caso da Binance, o incidente envolveu uma hot wallet, e não depósitos de clientes.
Perdas das exchanges ocorreram em circunstâncias distintas
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos vinculou cerca de 647 mil BTC roubados à violação da Mt. Gox. Conforme os procuradores, os invasores acessaram o servidor de carteiras da exchange em 2011. Posteriormente, os ataques continuaram até 2014.
Com isso, o volume perdido pela Mt. Gox ficou acima do incidente da Binance quando calculado em unidades de Bitcoin. Por outro lado, o episódio recente alcançou US$ 6,3 bilhões em valor nominal. Essa diferença sustenta o argumento de Zhao sobre a necessidade de comparar outras métricas.
Já a FTX entrou em colapso após o ex-CEO Sam Bankman-Fried se apropriar indevidamente de bilhões de dólares em depósitos de clientes. Em março de 2024, a Justiça dos Estados Unidos o condenou a 25 anos de prisão por fraude e conspiração. Portanto, CZ separou esse caso do ataque contra uma carteira operacional da Binance.
Reserva da Binance cobre os recursos afetados
O co-CEO da Binance, Richard Teng, afirmou que a corretora separou mais de US$ 6,34 bilhões para cobrir os recursos afetados. Enquanto isso, parceiros ajudaram a congelar aproximadamente US$ 3 bilhões relacionados ao ataque. Dessa maneira, a empresa busca limitar os efeitos financeiros do incidente.
Na publicação, Teng apresentou o montante reservado pela exchange para lidar com as perdas. Assim, a reserva supera em US$ 40 milhões o valor de US$ 6,3 bilhões atribuído ao ataque. A medida também reforça a distinção feita por Zhao sobre a exposição dos clientes.
A investigação identificou o mecanismo de autorização EIP-7702 do Ethereum como parte do ataque. De acordo com a Binance, o invasor explorou esse recurso para obter aprovação de execução sobre uma hot wallet. No entanto, a empresa ainda não apresentou todos os detalhes técnicos da exploração.
Investigação técnica completa ainda será divulgada
A Binance ainda não publicou a investigação técnica completa sobre o incidente. Mesmo assim, a corretora já associou a exploração do EIP-7702 ao acesso obtido pelo invasor. O relatório deverá esclarecer como o mecanismo participou do comprometimento da carteira.
Teng também afirmou que a plataforma pretende publicar um relatório de Prova de Reservas. Nesse sentido, o documento deverá acompanhar as medidas anunciadas para cobrir os recursos atingidos. A divulgação permitirá avaliar a posição financeira apresentada pela corretora após o ataque.
O contraste proposto por Changpeng Zhao se concentra na forma de medir as perdas e na exposição dos clientes. Enquanto a Mt. Gox registrou uma perda superior em BTC, a Binance atribuiu seu incidente a uma hot wallet. Em contrapartida, o caso da FTX envolveu o uso indevido de depósitos de clientes por Sam Bankman-Fried.
Desse modo, Zhao argumenta que o valor nominal não permite comparar isoladamente as consequências dos três episódios. A quantidade de Bitcoin comprometida e a origem dos recursos também influenciam a dimensão de cada caso. Ainda assim, a Binance aguarda a publicação da análise técnica completa sobre o ataque.
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