Ethereum: Charles Hoskinson alerta sobre código da Binance

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Charles Hoskinson, fundador da Cardano, alertou sobre um código que classificou como extremamente perigoso durante o debate sobre a EIP-7702 do Ethereum. A declaração surgiu após a divulgação de uma análise sobre o rápido esvaziamento de uma hot wallet da Binance. Contudo, Hoskinson não apontou uma falha específica no protocolo. Também não explicou quais conclusões técnicas da análise endossava.

“Cuidado, há alguns códigos extremamente perigosos por aí.”

Charles Hoskinson, no X.

O material compartilhado descreve o bytecode reconstruído de um suposto mecanismo automatizado de varredura, conhecido como sweeper, compatível com a EIP-7702. A análise afirma que alguém desenvolveu o contrato especificamente para a infraestrutura da Binance. Nesse contexto, a conta CyberSatoshi separou duas questões de segurança. A primeira envolve a obtenção de permissão, enquanto a segunda trata das ações permitidas após a autorização.

Suposto sweeper teria preservado saldo de Ethereum

De acordo com a análise de CyberSatoshi, o contrato reconstruído deixava exatamente 1 ETH na carteira ao retirar o saldo nativo. Para o autor, essa reserva evitaria que a fila automatizada de hot wallets da Binance falhasse por falta de gas. Assim, o mecanismo poderia reduzir a chance de alertas internos. Essa interpretação sobre os sistemas de tesouraria e monitoramento pertence ao autor da análise.

O relatório também descreve um ciclo de processamento de tokens que consultava saldos por meio de chamadas de baixo nível. Além disso, o processo continuaria mesmo quando uma operação individual falhasse. Dessa forma, o sweeper poderia seguir processando outros valores caso um token bloqueado ou sem resposta impedisse uma transferência. Uma falha isolada, portanto, não interromperia toda a operação.

Carteira comprometida teria alcançado cofre externo

CyberSatoshi afirma que uma função personalizada permitiu à carteira comprometida chamar um cofre externo com US$ 823 milhões em USDC. Na explicação apresentada, o cofre reconhecia a carteira Binance 14 como sua controladora. Por isso, chamadas realizadas pela carteira poderiam alcançar recursos fora de seu saldo imediato. Com isso, o autor caracterizou o contrato como uma ferramenta criada sob medida para a arquitetura da exchange.

EIP-7702 exige assinaturas e verificação de nonces

A especificação da EIP-7702 define um tipo de transação que permite a uma conta controlada externamente delegar a execução a códigos de outro endereço. Normalmente, essa conta opera por meio de assinaturas vinculadas à sua chave privada. No entanto, a delegação permite executar funções de contratos inteligentes no contexto da própria conta. Na prática, o recurso pode agrupar operações e permitir que outra conta pague as taxas.

Cada autorização informa a rede, o endereço delegado e um nonce, além de incluir uma assinatura criptográfica. Em seguida, o protocolo identifica a conta autorizadora pela assinatura e verifica o nonce correspondente. CyberSatoshi reconheceu essa exigência e afirmou que o suposto ataque precisou da chave privada ou de acesso irrestrito à infraestrutura de assinaturas da Binance 14. Ainda assim, a especificação não determina como eventuais credenciais de assinatura foram obtidas.

Autorizações consecutivas acompanhariam mudanças no nonce

CyberSatoshi afirmou que o invasor enviou 50 autorizações pré-assinadas para nonces consecutivos. Com essa estratégia, o responsável buscaria alcançar a Binance 14 enquanto a contagem de transações da carteira mudava. A especificação processa as autorizações em ordem e avança para a próxima quando uma entrada falha. Por consequência, autorizações sucessivas podem se tornar válidas conforme o nonce avança.

Quando existem várias entradas válidas, a última delegação determina o endereço do código utilizado pela conta. Portanto, mais de uma autorização consecutiva pode funcionar, dependendo do nonce inicial e das assinaturas fornecidas. Segundo CyberSatoshi, a delegação reuniu as transferências em uma única operação e reduziu o tempo disponível para uma intervenção. Já a afirmação de que as defesas da Binance interromperiam o roubo após três transações permanece uma avaliação contrafactual do autor.

Documento destaca riscos da delegação de contas

Os autores da EIP alertam que códigos autorizados recebem acesso irrestrito à conta e exigem uma auditoria rigorosa. Além disso, a seção de segurança prevê medidas contra repetição e assinaturas que cubram valor, gas, destino e dados da chamada. Caso a carteira implemente a delegação de forma inadequada, um invasor pode assumir controle quase total sobre a conta assinante. Outro risco decorre da permanência da delegação após a transação que a instala.

A especificação também informa que uma falha de execução não reverte os indicadores de delegação já processados. Apesar disso, o protocolo permite remover a delegação por meio de uma autorização válida que aponte para o endereço zero. Nesse caso, a operação apaga o código delegado da conta. Desse modo, o episódio amplia o debate sobre os controles necessários para usar a EIP-7702 com segurança.

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