Intel pode cair abaixo de US$ 50 após balanço

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As ações da Intel enfrentaram nova pressão vendedora após despencarem quase 30% na sexta-feira. O movimento ocorreu depois da divulgação do balanço do terceiro trimestre. Com isso, a queda eliminou mais de US$ 146 bilhões do valor de mercado da companhia.

Os papéis chegaram a US$ 65 em uma das piores sessões diárias da empresa. O ticker INTC encerrou o pregão com baixa de 28%. Ainda assim, as ações acumulam valorização de 66% em 2026.

Gráfico das ações da Intel.

 

Projeções financeiras pressionam as ações

A receita da Intel no terceiro trimestre de 2026 avançou 21% na comparação anual, para US$ 16,5 bilhões. Além disso, o lucro ajustado por ação cresceu 126%, para US$ 0,52. Porém, os resultados não impediram a reação negativa do mercado.

Os investidores concentraram a atenção nas projeções mais fracas para o quarto trimestre. A empresa espera faturamento entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões no período. No entanto, a faixa ficou abaixo da estimativa de US$ 17,07 bilhões dos analistas.

A Intel também projetou lucro ajustado de US$ 0,25 por ação. Da mesma forma, o valor não alcançou o consenso de US$ 0,43. Portanto, as perspectivas futuras ofuscaram o crescimento registrado no terceiro trimestre.

Produção e demanda ampliam os desafios

Segundo a companhia, restrições de fabricação e uma demanda mais fraca por PCs influenciam o cenário. Os preços mais altos das memórias também pressionam as projeções. Nesse contexto, a Intel prevê fraqueza no mercado durante o primeiro semestre de 2027.

Gargalos na produção e no empacotamento avançado limitam o atendimento da forte demanda por processadores de data centers. Ao mesmo tempo, uma interrupção na instalação da empresa em Israel adicionou pressão ao negócio. Assim, a capacidade de fabricação permanece como um ponto central para a recuperação.

Os investimentos elevados em fabricação e inteligência artificial também preocupam os investidores. Além disso, a Intel não espera gerar fluxo de caixa livre positivo em 2026. Embora a estratégia possa ampliar a capacidade futura, ela aumenta a pressão financeira no curto prazo.

Risco de queda abaixo de US$ 50

O balanço mais recente mostrou US$ 21,85 bilhões em caixa e equivalentes. Em contrapartida, a dívida total alcançou US$ 50,13 bilhões. Embora os investimentos de curto prazo ampliem a liquidez, os números mostram o peso financeiro da estratégia de recuperação.

Uma queda abaixo de US$ 50 passou a representar um cenário acompanhado pelo mercado. Contudo, esse movimento exigiria uma nova baixa relevante diante do fechamento de sexta-feira. A partir de US$ 65, os papéis precisariam recuar aproximadamente 24% para romper esse patamar.

Novas perdas podem ocorrer caso aumentem as preocupações com geração de caixa, gargalos produtivos e concorrência. Por outro lado, o mercado pode ter incorporado parte dos desafios de curto prazo aos preços. Dessa maneira, o desempenho dependerá da execução da recuperação operacional.

Data centers e tecnologia Intel 18A oferecem potencial

O negócio de data centers e inteligência artificial registrou receita de US$ 7,3 bilhões no terceiro trimestre. Com isso, o segmento cresceu 78% em relação ao mesmo período do ano anterior. Enquanto isso, a empresa avança no desenvolvimento da tecnologia de fabricação Intel 18A.

A Intel também expande relações com provedores de computação em nuvem. Se ampliar a produção de processadores para servidores, a companhia poderá melhorar suas perspectivas de lucro. Para isso, precisará elevar os rendimentos de fabricação e conquistar clientes adicionais para sua operação de fundição.

Os resultados trimestrais indicam que a oportunidade de crescimento permanece, apesar dos entraves. Ainda assim, a execução dessas iniciativas será decisiva para a recuperação. Nesse sentido, o avanço operacional terá de compensar as pressões sobre caixa e produção.

Analistas reduzem preços-alvo da Intel

Após o balanço, vários analistas de Wall Street revisaram suas projeções para a Intel. O Bank of America reduziu a recomendação de compra para neutra. Além disso, a instituição cortou o preço-alvo de US$ 145 para US$ 100.

Já a Roth Capital mudou sua avaliação de compra para neutra e diminuiu a meta de US$ 120 para US$ 70. A Susquehanna reduziu seu preço-alvo de US$ 105 para US$ 75, mantendo a recomendação neutra. Por sua vez, a Cantor Fitzgerald baixou a projeção de US$ 125 para US$ 90 e preservou a classificação anterior.

Nem todos os analistas adotaram uma visão negativa. A KeyBanc manteve a recomendação overweight, embora tenha reduzido seu alvo de US$ 155 para US$ 140. Em contrapartida, a Evercore ISI preservou a recomendação outperform e o preço-alvo de US$ 131, evidenciando a divisão em Wall Street.

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