Binance eleva perdas com hacks a US$ 8,74 bilhões

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As perdas com hacks de criptomoedas somaram US$ 8,74 bilhões em 2026 até 31 de outubro, conforme dados da DefiLlama. O montante supera em mais de três vezes os US$ 2,51 bilhões perdidos nos mesmos dez meses de 2025. Porém, o ataque contra a Binance, em 29 de outubro, concentrou US$ 6,36 bilhões desse total. Dessa forma, uma única invasão alterou significativamente a comparação anual.

Sem considerar a Binance, as perdas de 2026 caem para US$ 2,38 bilhões. Assim, o resultado fica cerca de 5% abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Ainda assim, os invasores atingiram 325 alvos, ante 120 no ano anterior. Portanto, o número de incidentes aumentou mesmo com perdas ajustadas menores.

Valor total hackeado em protocolos de finanças descentralizadas

Valor total hackeado em protocolos de finanças descentralizadas.

 

O mercado de criptomoedas também apresentou um padrão próprio após os maiores ataques. Entre os dez maiores hacks desde janeiro de 2025, o Bitcoin variou entre queda de 4,1% e alta de 1,9% no dia das invasões. Um mês depois, nos nove casos com dados completos, a variação foi de recuo de 15,5% a avanço de 19,9%. Em 2025, todos os ataques ocorreram durante períodos de queda e foram seguidos por preços menores do Bitcoin após um mês.

Ataque à Binance altera comparação anual

Até setembro, 2026 registrava perdas menores que 2025, com US$ 2,24 bilhões contra US$ 2,48 bilhões. Contudo, a Binance perdeu US$ 6,36 bilhões em dez blockchains durante uma única noite, de acordo com a apuração da Chainalysis. Esse valor supera todas as perdas com hacks registradas em 2025. Logo, o incidente mudou o quadro anual de forma abrupta.

Os dois maiores incidentes anuais também compartilham o mesmo responsável apontado pelas autoridades. O FBI associou o roubo de US$ 1,4 bilhão da Bybit, em 21 de fevereiro de 2025, ao grupo TraderTraitor, da Coreia do Norte. Agora, a Chainalysis vincula o ataque contra a Binance à mesma unidade. Com isso, os dois maiores roubos do período apresentam uma conexão atribuída ao grupo norte-coreano.

Comparação entre hacks de criptomoedas em 2025 e 2026

Comparação entre hacks de criptomoedas em 2025 e 2026. Fonte: DefiLlama.

 

Maiores ataques de 2025 e 2026

Em 2026, os maiores ataques atingiram Binance, com US$ 6,36 bilhões, Bitget, com US$ 387 milhões, e Liquid Network, com US$ 320 milhões. Na sequência, Drift perdeu US$ 295 milhões, enquanto Kelp registrou US$ 293 milhões. Em 2025, a Bybit liderou com US$ 1,4 bilhão, seguida pela Cetus, com US$ 223 milhões. Por sua vez, Balancer perdeu US$ 128 milhões, Bitget registrou US$ 100 milhões e Phemex teve perdas de US$ 85 milhões.

Além do maior volume financeiro, cinco ataques de 2026 ultrapassaram US$ 290 milhões. Em contraste, apenas um incidente superou esse valor no ano anterior. Chaves roubadas e pontes entre blockchains causaram a maior parte dos danos fora do caso Binance. Entretanto, o valor bruto não representa necessariamente o montante que permaneceu perdido.

A CertiK contabilizou US$ 3,03 bilhões congelados ou devolvidos em outubro, sobretudo em fundos da Binance rastreados on-chain. Por isso, as perdas ajustadas do mês caíram para cerca de US$ 3,47 bilhões. Os rastreadores também divergem sobre o acumulado anual. A CertiK estima US$ 9,2 bilhões em perdas brutas em 2026, enquanto a DefiLlama aponta US$ 8,74 bilhões.

Bitcoin e Ethereum reagem aos ataques

O Bitcoin caiu em sete dos dez dias de grandes hacks analisados desde 2025. Quando recuou, a queda média chegou a 2,2%. O ataque à Binance provocou a pior reação diária, de 4,1%, enquanto o caso Cetus ocorreu durante uma alta de 1,9%. Depois de um mês, o desempenho acompanhou principalmente a tendência mais ampla do mercado.

Os três maiores hacks de 2025 foram seguidos por perdas do Bitcoin entre 6,9% e 15,5%. Em contrapartida, quatro dos seis casos de 2026 com dados mensais terminaram em ganhos. O avanço chegou a 19,9% após o incidente da Coldcard. Desse modo, a reação inicial não determinou o desempenho mensal.

Reação do Bitcoin e do Ethereum após grandes hacks

Reação do Bitcoin e do Ethereum após grandes hacks.

 

O projeto mais próximo do roubo tende a sofrer o impacto mais intenso. O Ethereum caiu 26,7% no mês posterior ao ataque à Bybit, cujos fundos roubados eram majoritariamente denominados em ETH. Da mesma maneira, Sui recuou 34,6% após o ataque à Cetus, a maior exchange descentralizada da rede Sui. Esses casos indicam maior pressão sobre os ecossistemas diretamente envolvidos.

Bitcoin testa suportes após ataque à Binance

A Bybit representa o caso mais semelhante ao da Binance, pois envolveu uma exchange, mais de US$ 1 bilhão e um grupo norte-coreano. Na ocasião, o Bitcoin perdeu 14,2% em uma semana, enquanto temores sobre tarifas dos Estados Unidos pressionavam os mercados. Um mês depois, a criptomoeda ainda negociava 12,4% abaixo. Até agora, a trajetória após o ataque à Binance tem sido menos severa.

Do fechamento de 28 de outubro até segunda-feira, o Bitcoin caiu 4,3%, enquanto o Ethereum recuou 3,2%. Ao mesmo tempo, BNB perdeu 7,2%, após cair 8,1% no dia do ataque. Solana, por outro lado, acumulou queda de 8,4%. Apesar da pressão, o mercado evitou uma retração semelhante à observada após o caso Bybit.

O Bitcoin estava cotado a US$ 77.870 na Binance, com estabilidade no dia. Além disso, permaneceu por três dias acima da mínima de US$ 76.326, registrada em 30 de outubro. Esse nível fica próximo da média móvel exponencial de 200 dias, em US$ 76.512. Nesse contexto, a região funciona como o principal suporte técnico de curto prazo.

A resistência imediata está em US$ 78.878, máxima de segunda-feira. Depois, o mercado observa a média móvel exponencial de 50 dias, em US$ 80.293, e a máxima pré-ataque de US$ 81.971. Já os suportes ficam em US$ 76.512, US$ 76.326 e US$ 74.968, mínima de 15 de setembro. Assim, o preço permanece entre referências técnicas importantes.

Gráfico diário do par BTCUSDT

Gráfico diário BTCUSDT. Fonte: TradingView.

 

CenárioGatilhoNível a observar
RecuperaçãoFechamento diário acima de US$ 80.293US$ 81.971, máxima anterior ao ataque
ConsolidaçãoManutenção entre US$ 76.326 e US$ 80.293Faixa entre as duas médias móveis exponenciais
Venda intensaFechamento diário abaixo de US$ 76.326US$ 74.968, mínima de 15 de setembro

 

O histórico mostra que a reação do primeiro dia raramente define a direção posterior. Por esse motivo, o comportamento do Bitcoin perto da média móvel exponencial de 200 dias será relevante nas próximas semanas. A manutenção desse suporte afastaria, por enquanto, uma trajetória semelhante à observada após o ataque à Bybit. Em sentido oposto, a perda da região ampliaria o risco de uma queda até os suportes seguintes.

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