Pontos cripto enfrentam rejeição por recompensas incertas

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Os pontos cripto enfrentam novas críticas entre usuários que questionam o retorno desses programas. Os participantes dedicam tempo, pagam taxas e aplicam capital sem conhecer o valor das futuras recompensas. Além disso, regras pouco claras e distribuições adiadas reduziram a confiança nesse modelo. A transição planejada pela KAST ampliou o debate sobre o que os usuários realmente recebem ao acumular pontos.

O comentarista pseudônimo Nairolf afirmou, em 2 de novembro, que esses programas ainda podem atrair usuários iniciais, formar comunidades e incentivar a fidelidade. No entanto, ele argumentou que o sistema depende da expectativa de uma recompensa justa. Sem essa confiança, os projetos também perdem uma ferramenta relevante para estimular o crescimento inicial.

“É triste que os programas de pontos tenham sido tão explorados. Eles resolvem alguns dos problemas mais difíceis de produtos em estágio inicial: incentivar as pessoas a testar algo novo, formar uma comunidade, recompensar usuários iniciais e construir fidelidade.”

Nairolf, no X.

Na avaliação de Nairolf, anos de projetos extraindo atividade dos participantes prejudicaram essa percepção. Dessa forma, equipes que exploram esses programas tornam a estratégia menos eficiente para outros protocolos. Outros perfis também apresentaram críticas mais duras à prática.

Coop classificou os programas como um sinal negativo e acusou projetos de abandonarem compromissos com os usuários. Enquanto isso, Minion questionou se os participantes ainda podem esperar boa-fé das plataformas. Para esses críticos, a promessa de uma distribuição futura já não justifica os custos da participação.

“Por enquanto, acabou para os programas de pontos. É um sinal negativo. Não consigo acreditar em quantos projetos estão simplesmente abandonando seus pontos. Agora, isso perdeu completamente o apelo para os usuários.”

Coop, no X.

Programas deixam usuários sem referência de valor

Nairolf apontou a falta de transparência como a principal fragilidade dos pontos cripto. Quando os pontos não têm valor conhecido, os participantes podem imaginar recompensas cada vez maiores. Por outro lado, os projetos atraem atenção sem definir previamente o que entregarão.

Essa incerteza favorece o crescimento, mas também cria expectativas difíceis de atender. Usuários acumulam saldos sem conhecer a futura alocação, a taxa de conversão ou a data da distribuição. Portanto, uma pontuação visível não representa necessariamente um direito sobre recursos transferíveis.

“Como acredito que os programas de pontos vão evoluir: os dois maiores problemas, na minha opinião, são a transparência e os incentivos. A incerteza é um mecanismo de crescimento incrível. Enquanto os pontos não têm valor conhecido, as pessoas podem imaginar o potencial de valorização, mas isso também cria expectativas irreais.”

Nairolf, no X.

Um relatório da Galaxy, publicado em julho de 2024, registrou preocupações semelhantes. A pesquisadora Christine Kim avaliou programas que concediam pontos antes de explicar como ou quando os usuários poderiam resgatá-los. O documento também identificou a opacidade como uma desvantagem central desse modelo.

A Galaxy diferenciou os pontos dos registros mantidos diretamente em redes blockchain. Nesses programas, os emissores geralmente controlam a contabilidade e definem como os participantes podem usar os saldos. Assim, a emissão de pontos não garante uma conversão futura nem determina uma taxa específica.

Equipes e usuários perseguem objetivos distintos

Antes de um lançamento, usuários podem gerar volume de negociação, pagar taxas, depositar capital e promover um produto. As equipes recebem imediatamente os benefícios dessa atividade. Em contrapartida, os participantes acumulam pontos sem uma recompensa final definida.

Na avaliação de Nairolf, esse desequilíbrio incentiva as equipes a adiar o lançamento. Já os usuários querem receber a recompensa esperada após cumprir as condições do programa. Afinal, cada atraso aumenta as expectativas que os desenvolvedores precisarão atender.

“Quanto mais você atrasa, maiores ficam as expectativas e mais confiança você destrói”, escreveu Nairolf.

Uma pesquisa da Crypto.com, publicada em junho de 2024, descreveu o mesmo desequilíbrio. Conforme o estudo, os projetos controlam a utilidade dos pontos e o momento dos airdrops. Contudo, os usuários exercem pouca influência sobre a distribuição e podem reagir negativamente a recompensas decepcionantes.

KAST altera a rota esperada das recompensas

A transição planejada pela KAST mostra como a recompensa pode se afastar da trajetória esperada entre pontos e lançamentos. Conforme relatos da DeFi Prime e da TokenPost, o aplicativo de pagamentos encerrará o acúmulo em 30 de novembro. Depois disso, a empresa converterá os saldos elegíveis em KAST Pioneer Units no início de dezembro.

Os relatos descrevem essas unidades como direitos contratuais não negociáveis, sem propriedade, direitos de voto ou valor monetário garantido. Alguns usuários receberão vouchers de gastos em vez das unidades. Ao mesmo tempo, usuários dos Estados Unidos participarão de um programa separado, com critérios e cronograma próprios.

A janela padrão de conversão prevista para dezembro não define uma data para as contas norte-americanas. Nesse contexto, Nairolf propôs que os projetos lancem seus recursos digitais desde o primeiro dia. Inicialmente, esses registros poderiam permanecer intransferíveis.

Pela proposta, os projetos divulgariam previamente a oferta, a distribuição e os mecanismos de entrega de valor aos participantes. Também apresentariam os marcos necessários para liberar as transferências. Com isso, os usuários saberiam o que acumulam e quais condições regulam o uso desses recursos.

A ideia busca preservar os incentivos à participação nas etapas iniciais. Ainda assim, ela impediria o adiamento indefinido de uma recompensa sem valor ou cronograma determinados. A transparência, portanto, teria papel central na reconstrução da confiança dos participantes.

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