OKXICE enfrenta objeção de 50 empresas à tokenização

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Cinquenta companhias abertas contestaram a tokenização de suas ações pela OKXICE, joint venture da exchange OKX com a Intercontinental Exchange (ICE). O prazo inicial de 30 dias para apresentar objeções termina nesta terça-feira. Entre as empresas contrárias ao modelo estão Nvidia, Costco, Nike, Micron e Reddit. As contestações podem impedir a inclusão das ações na plataforma.

A notificação publicada pela OKXICE em 30 de outubro adicionou 12 companhias à lista de opositores. Elas se juntaram a Microsoft, Alphabet, JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Walmart, Broadcom, Verizon e Intel. Segundo levantamento da CoinDesk, 43 das 62 empresas inicialmente selecionadas, cerca de 69%, apresentaram objeções. Com isso, a resistência alcançou a maior parte das companhias incluídas no plano original.

Durante outubro, a lista cresceu rapidamente. O total passou de nove opositores, em 15 de outubro, para 16 empresas no dia 19 e 38 no dia 28. Dois dias depois, o número chegou a 50 companhias.

Como funciona a objeção ao plano da OKXICE

As contestações decorrem da isenção de inovação de cinco anos da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC). A agência emitiu a isenção em 17 de setembro. Para estimular novos modelos, a medida permite que plataformas de valores mobiliários tokenizados operem sem registro como bolsa. Nesse regime, esses ambientes podem negociar representações em blockchain de ações americanas por meio de formadores de mercado automatizados.

Pela regra, uma plataforma precisa notificar a empresa emissora quando um terceiro independente tokeniza suas ações. A companhia tem 30 dias para apresentar uma objeção por escrito. Caso permaneça em silêncio, a SEC considera que houve consentimento. Após o encerramento da janela, a norma não prevê uma contestação posterior.

A OKXICE pretende oferecer negociação ininterrupta de unidades digitais lastreadas individualmente em ações. Os pares de negociação usarão stablecoins, como USDC, em pools permissionados na X Layer, blockchain da OKX. Nesse formato, uma terceira parte manteria ações reais para lastrear as representações negociadas. Por sua vez, a infraestrutura em blockchain processaria as operações fora do horário tradicional das bolsas.

Empresas não detalham os motivos das objeções

As companhias que contestaram a iniciativa não divulgaram os motivos de suas decisões. No entanto, o JPMorgan afirmou ao Financial Times que continua encorajado pela tokenização. Ainda assim, o banco quer avaliar cuidadosamente como o mercado representará e negociará suas ações. A declaração indica apoio à tecnologia, mas ressalta preocupações com o formato proposto.

Olivia Vande Woude, líder de tokenização da Ava Labs, avaliou que a lista deve continuar crescendo. Em uma publicação no LinkedIn, ela destacou a facilidade do processo de objeção. Portanto, outras companhias podem retirar suas ações do plano antes do fim do prazo. A avaliação considera o baixo esforço necessário para formalizar a contestação.

Nasdaq critica o modelo de tokenização

A disputa também ganhou contornos competitivos. Um executivo de uma companhia listada na Nasdaq relatou ao Crypto in America que um representante da bolsa sugeriu uma objeção. Segundo o relato, o representante ofereceu uma ligação para explicar a posição da Nasdaq. Na ocasião, a companhia decidiu contestar sua inclusão no plano.

A Nasdaq recusou-se a comentar a alegação. Porém, a bolsa reiterou que plataformas independentes de valores mobiliários tokenizados não representam o melhor caminho para o setor. A empresa argumenta que operações fora do Sistema Nacional de Mercado podem fragmentar a liquidez. Também existe preocupação com a integração desses ambientes à estrutura tradicional.

Nasdaq desenvolve abordagem própria com a Kraken

Além disso, a Nasdaq aponta a ausência de exibição em tempo real do melhor preço disponível. A bolsa também cita a falta de divulgação das operações por fita consolidada. Já a empresa desenvolve o Nasdaq Equity Token em parceria com a Kraken. O lançamento do produto centrado no emissor está previsto para o segundo trimestre de 2027.

Um anúncio de página inteira no Wall Street Journal também pediu que executivos optassem pela exclusão. A peça apresentava a frase: “SUAS AÇÕES. OS TOKENS DELES. SEU PROBLEMA.” O grupo conservador sem fins lucrativos Common Sense Leadership Fund pagou pela publicidade. Por outro lado, a Nasdaq negou qualquer ligação com a campanha ou financiamento ao grupo.

O anúncio direcionava os leitores, por meio de um código QR, a uma página de perguntas e respostas da Nasdaq. Enquanto isso, Andrew Cuomo, copresidente da OKXICE e ex-governador de Nova York, classificou as objeções como uma resposta natural. Para ele, o mercado está apenas no começo da adoção dessa nova estrutura.

“Estamos no começo da implementação de uma estrutura de mercado fundamentalmente diferente.”

Cuomo fez a declaração na semana passada. Assim, a tokenização de ações avança sob um mecanismo que dispensa consentimento prévio. Contudo, as empresas ainda podem impedir a listagem das representações de suas ações se agirem dentro dos 30 dias previstos.

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