Aave tem juros de até 36% durante bloqueio de reservas
Tomadores de empréstimos na Aave enfrentaram taxas anualizadas de até 36% enquanto reservas congeladas impediam novos depósitos de garantias. Embora não pudessem adicionar recursos às posições, esses usuários continuaram acumulando juros sobre suas dívidas. Ao mesmo tempo, fornecedores ainda podiam retirar recursos quando havia liquidez disponível.
As restrições começaram durante o incidente com a hot wallet da Binance, em 29 de outubro. As reservas afetadas retomaram as operações em 31 de outubro. Nesse intervalo, os saques elevaram a utilização dos pools e encareceram empréstimos existentes.
Empréstimos continuaram acumulando juros
Na Aave, usuários depositam criptomoedas como garantia e tomam outro recurso emprestado sem vender suas posições originais. Por exemplo, alguém pode usar Ethereum como garantia para obter USDC. Os recursos emprestados vêm de participantes que fornecem liquidez aos contratos de empréstimo da Aave.
Durante o incidente, uma carteira ligada aos exploradores já havia depositado cerca de US$ 60 milhões em USDT e tomado 19.762 WETH emprestados. Conforme o relato da LlamaRisk, a posição mantinha garantias superiores à dívida e seguia sujeita às regras normais de liquidação. Portanto, o congelamento buscava limitar novos usos do protocolo durante uma violação externa.
O bloqueio interrompeu novos depósitos e empréstimos nas reservas atingidas. Contudo, pagamentos, saques e liquidações permaneceram habilitados. Assim, as dívidas continuaram acumulando juros, mas os tomadores perderam a opção de adicionar garantias nessas reservas.
Restrição afetou a gestão das garantias
Um tomador ainda podia reduzir a dívida ao devolver o recurso emprestado. Entretanto, quem tomou USDC usando ETH como garantia precisava obter USDC para quitar parte do empréstimo. Antes do congelamento, esse usuário também poderia adicionar mais ETH para reforçar a posição sem reduzir a dívida.
A limitação reduziu as alternativas de gestão, especialmente quando o preço da garantia caía. Pelas regras de liquidação da Aave, o fator de saúde compara o valor ajustado da garantia com a dívida total. Quando o índice fica abaixo de um, outro participante pode quitar a dívida e receber a garantia com bônus.
Os juros aumentam o lado da dívida nesse cálculo, mesmo que o preço da garantia não mude. Logo, a ausência de novos depósitos de garantia podia ampliar o risco de liquidação. A medida protegia o mercado, mas criava outra necessidade para usuários com posições abertas.
Saques elevaram a utilização dos pools
Fornecedores dependiam de outro indicador: a quantidade do recurso disponível para saque. Em um pool com 100 USDC depositados e 90 USDC emprestados, apenas 10 USDC ficam imediatamente livres. Nesse exemplo, as garantias dos empréstimos não se transformam em USDC disponível quando um fornecedor solicita a retirada.
Se fornecedores retiram cinco USDC enquanto a dívida permanece em 90 USDC, o pool passa a ter 95 USDC depositados e cinco disponíveis. Dessa forma, a utilização sobe de 90% para cerca de 94,7%, mesmo sem novos empréstimos. Esse mecanismo explica por que os saques tornaram o crédito mais caro para usuários inativos.
A fórmula de juros da Aave eleva as taxas conforme a utilização aumenta. Acima de um limite configurado, a resposta se intensifica por meio do parâmetro Slope2. Em condições normais, juros maiores estimulam pagamentos e atraem depósitos, porém o congelamento bloqueou essa segunda alternativa.
LlamaRisk recomendou redução temporária
Por isso, a LlamaRisk recomendou reduzir temporariamente o Slope2. A entidade relacionou os saques do período a níveis de utilização entre 92% e 100% em grandes reservas de stablecoins. Com as configurações vigentes, as taxas anualizadas dos empréstimos variaram de 10% a 36%.
Essas taxas eram anualizadas, portanto poucas horas a 36% não acrescentavam 36% à dívida. Em um exemplo hipotético, um empréstimo de US$ 10 mil a 36% ao ano acumularia cerca de US$ 9,86 em um dia. A 10%, o mesmo empréstimo geraria aproximadamente US$ 2,74, sem considerar juros compostos e outras taxas.
Por outro lado, juros menores também reduzem o retorno destinado aos fornecedores. Contudo, quem desejava sair precisava do recurso subjacente, não apenas de uma rentabilidade atrativa. A Aave permite saques conforme a liquidez disponível e os requisitos de garantia da conta.
Reabertura restaurou incentivos aos depósitos
Com a retomada dos depósitos, taxas maiores puderam novamente atrair liquidez para os pools. Nesse contexto, a LlamaRisk recomendou restaurar os limites anteriores em 31 de outubro. A comparação manteve a utilização de cada reserva constante e não registrou juros efetivamente pagos após a mudança.
| Reserva | Configuração temporária | Configuração restaurada proposta |
|---|---|---|
| Ethereum Core | 4,5% | 4,5% |
| Monad | 4,97% | 4,97% |
| Optimism | 6,61% | 8,35% |
| Base | 7,69% | 10,35% |
| Avalanche | 8,75% | 12,24% |
Fonte: LlamaRisk, comparação de 31 de outubro de 2026 às 18h05 UTC.
O USDC Core estava em seu limite de 94%, por isso a restauração não elevou imediatamente sua taxa projetada. Já a reserva da Base ultrapassava o próprio limite e apresentou custo projetado maior. Portanto, reservas com parâmetros e utilização distintos responderam de formas diferentes à mesma intervenção.
De um lado, novos depósitos e pagamentos aumentam os recursos disponíveis em uma reserva. Em contrapartida, novos empréstimos e saques de fornecedores consomem essa liquidez. Desse modo, tomadores buscavam dívidas com crescimento menor, enquanto fornecedores dependiam de incentivos mais fortes para pagamentos.
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