Liquidez global sustenta tese cripto de Raoul Pal

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A liquidez global voltou ao centro do debate cripto nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, após Raoul Pal afirmar no X que governos passaram a expandir a base monetária para manter o sistema financeiro em funcionamento desde 2008. O macroinvestidor, fundador da Global Macro Investor e cofundador da Real Vision, ligou esse processo à alta de ativos financeiros, à perda relativa dos salários e à tese de seu livro The Everything Code.

A publicação não traz recomendação direta de compra de criptomoedas. Ainda assim, ela reforça uma linha de análise acompanhada por investidores de Bitcoin, Ethereum e ativos de tecnologia: ciclos de liquidez, dívida pública e expansão monetária influenciam o apetite por risco, mas não determinam sozinhos o preço dos ativos.

Por que a liquidez global importa para cripto

Pal resume a tese de The Everything Code como uma relação entre demografia, dívida e liquidez global. No texto oficial, ele argumenta que o envelhecimento populacional e o crescimento mais fraco da produtividade reduzem a capacidade de expansão real da economia. Nesse ambiente, governos e bancos centrais tenderiam a sustentar o sistema por meio de dívida e expansão de liquidez.

Dentro dessa leitura, ativos capazes de superar a perda de poder de compra causada pela expansão monetária teriam vantagem relativa. Pal cita tecnologia e cripto como os dois grupos que, em sua avaliação, conseguiram superar essa barreira estrutural nos últimos anos. Portanto, a afirmação deve permanecer atribuída a ele, sem virar promessa de desempenho futuro.

O pano de fundo fiscal ajuda a explicar a repercussão. O Fundo Monetário Internacional estimou no Fiscal Monitor de abril de 2026 que a dívida pública global subiu para pouco menos de 94% do PIB em 2025. A instituição também projetou que esse indicador pode chegar a 100% até 2029, em meio a custos de juros mais altos e pressões sobre os orçamentos públicos.

Consequentemente, investidores acompanham déficits, emissão de dívida, juros e condições financeiras. Quando o dinheiro disponível diminui, ativos de risco costumam enfrentar pressão. Quando a liquidez melhora, ações de tecnologia e criptomoedas podem atrair novos fluxos. Contudo, essa relação muda conforme inflação, dólar, regulação, alavancagem e eventos específicos do mercado.

Bitcoin entra no debate monetário

No mercado cripto, a tese de Pal dialoga com estudos que comparam Bitcoin e agregados monetários globais. A Coinbase Research apontou, no relatório Charting Crypto 1Q26, que seu índice próprio de M2 global apresentou correlação próxima de 0,9 com movimentos do BTC em várias janelas de observação. O documento também ressalta que desempenho passado não garante resultados futuros.

Essa ressalva importa. A liquidez global funciona como uma camada de análise, não como um modelo isolado de previsão. O Bitcoin também reage a fluxos de ETFs, movimentos de mineradores, demanda institucional, choques de oferta, liquidações, mudanças no dólar e eventos de segurança em exchanges.

No curto prazo, o mercado vive um momento sensível. Em 29 de outubro de 2026, a Binance relatou um possível problema de segurança, e a Associated Press informou que cerca de US$ 6,3 bilhões foram impactados. Depois disso, ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos registraram fortes saídas. A CoinDesk relatou saídas de US$ 399 milhões na segunda-feira, 2 de novembro, após um resgate maior na sessão anterior.

Assim, a discussão macro ganha relevância porque conecta cripto ao ciclo financeiro global, sem ignorar riscos próprios do setor. A liquidez pode favorecer o apetite por risco, mas incidentes operacionais, perdas de confiança e redução de fluxos institucionais podem limitar esse efeito.

O que mudou nesta terça-feira

O elemento novo é a publicação de Raoul Pal no dia do lançamento de The Everything Code. Na postagem, ele afirma que a crise de 2008 quebrou o sistema, que governos passaram a imprimir dinheiro para mantê-lo vivo e que ativos subiram enquanto salários ficaram para trás. Essa formulação expressa a interpretação macroeconômica do autor.

Para o investidor cripto, o ponto prático é acompanhar se dados de liquidez, juros e dívida confirmam ou enfraquecem essa leitura nos próximos meses. Caso a liquidez volte a acelerar, a tese de Pal tende a ganhar tração entre defensores de Bitcoin e ativos digitais. Por outro lado, juros persistentemente altos, choques de inflação e novas tensões em exchanges podem reduzir o apetite por risco.

Portanto, a publicação não altera fundamentos de uma blockchain específica. Ela reforça uma narrativa importante para o mercado cripto: ativos digitais continuam ligados ao ciclo global de dinheiro, crédito e confiança em ativos escassos.

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