CLARITY Act perde força após vitória democrata
A vitória democrata nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos reduziu as chances de aprovação do CLARITY Act nos próximos dois anos. Em nota a clientes, Jaret Seiberg, analista da TD Cowen, classificou o resultado como negativo para os setores acompanhados pela instituição. Além disso, ele avalia que o novo cenário pode impedir o avanço de uma proposta apoiada pela indústria de criptomoedas.
Ainda assim, Seiberg não espera que a eleição limite a capacidade dos reguladores de promover agendas de desregulamentação. Nesse contexto, a SEC e a CFTC devem continuar atuando em temas como criptomoedas, mercados de previsões e contratos perpétuos. Entre os pontos de atenção, o analista citou a sessão legislativa final, investigações sobre Donald Trump, o teto da dívida e projetos populistas.
Projeto enfrenta novo obstáculo no Senado
A avaliação ocorreu após uma semana difícil para a indústria de criptomoedas. O setor enfrentou um ataque de US$ 6,34 bilhões contra a Binance e perdeu aliados na Câmara, como Bryan Steil, Zach Nunn e Ann Wagner. Ao mesmo tempo, mais de US$ 170 milhões em gastos de super PACs não produziram o resultado esperado no Congresso.
Antes da divulgação dos resultados, Seiberg já projetava que o CLARITY Act não avançaria no próximo Congresso. A volta de Sherrod Brown ao Senado por Ohio reforçou essa previsão. Com isso, a vitória de Brown reduz a influência política do setor, que destinou cerca de US$ 64 milhões a iniciativas para tentar derrotá-lo.
A Câmara aprovou o projeto em julho de 2025. No entanto, o texto não superou uma votação de cloture no Senado em setembro, após receber 49 votos favoráveis e 50 contrários. Assim, a proposta expira em 3 de janeiro, caso a sessão final do Congresso não consiga retomá-la. Essa janela representa a última oportunidade para o texto avançar em sua forma atual.
Investigações sobre Trump ampliam a incerteza
Seiberg também apontou que investigações democratas sobre os negócios de criptomoedas da família Trump podem dificultar o projeto. Entre os empreendimentos citados está a World Liberty Financial. Dessa forma, o debate deixa de tratar apenas do cronograma e passa a envolver a viabilidade de qualquer texto aceito pelo setor.
Em contrapartida, as agências reguladoras continuam funcionando como alternativa à paralisia legislativa. Neste ano, SEC e CFTC permitiram contratos perpétuos de Bitcoin, contratos perpétuos de ações e uma taxonomia conjunta para criptomoedas. Para Seiberg, o risco imediato a essa estratégia está no processo da CME contra a CFTC pela aprovação dos contratos perpétuos, não na eleição.
Teto da dívida aumenta riscos macroeconômicos
A nota também destaca riscos macroeconômicos para um mercado que acompanhou o desempenho da Nasdaq durante o outono. Agora, Seiberg espera uma tentativa de elevar o teto da dívida na sessão legislativa final. O tema pode ampliar a volatilidade caso o Congresso não alcance um acordo.
Contudo, o analista duvida que a medida obtenha aprovação. Os democratas podem preferir usar a votação como instrumento de pressão política no próximo ano. Como resultado, um governo dividido elevaria o risco de paralisação administrativa ou impasse sobre inadimplência em 2027.
Limite de juros e indicações ao Fed entram no radar
Nesse cenário, Seiberg vê espaço para uma convergência entre Donald Trump e a senadora Elizabeth Warren sobre um limite para juros. Para o analista, Warren desponta como provável presidente do Comitê Bancário do Senado. Além disso, a discussão pode afetar diretamente bancos, empresas financeiras e consumidores.
Uma reportagem sobre a possível presidência de Warren no comitê aponta para uma nova dinâmica regulatória. A taxa poderia ficar mais próxima de 36% do que dos 10% defendidos por Trump. Assim, as fintechs ficariam mais expostas aos efeitos da medida do que os bancos tradicionais.
Por outro lado, Seiberg não espera que os democratas confirmem indicados de Trump enquanto o presidente não preencher vagas destinadas ao partido. Essas posições incluem assentos em órgãos como FDIC e SEC. Como o analista considera esse movimento improvável, Trump teria menos incentivo para demitir Lisa Cook, diretora do Federal Reserve. Essa dinâmica removeria uma fonte de pressão sobre um banco central inclinado a elevar os juros em dezembro.
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