LND mitiga ataque via MPTCP ligado a falha crítica no Linux
Atualização do LND reduz exposição à vulnerabilidade
Em 30 de outubro, o desenvolvedor de Bitcoin e Lightning Matt Corallo alertou sobre uma falha grave no kernel Linux. A vulnerabilidade, identificada como CVE-2026-98432, recebeu nota 9,8 no CVSS. Ela atinge o código responsável pelo handshake TCP IPv4 e pode afetar operadores de LND com serviços expostos à internet. Segundo Corallo, o Ubuntu demorou a responder ao que ele classificou como a falha mais crítica já vista no Linux.
“A vulnerabilidade mais crítica do Linux de todos os tempos.”
Matt Corallo, no X
Posteriormente, a Frontier Red Team da Anthropic demonstrou que o problema poderia permitir um ataque remoto com privilégios de root. A demonstração permanece como o único caso público desse tipo associado à falha. Contudo, o ataque exige que o sistema exponha um listener Multipath TCP, conhecido como MPTCP. Por isso, operadores de nós Lightning começaram a revisar suas configurações.
Versões emergenciais desativam listeners MPTCP
No mesmo dia, Peter Todd aconselhou usuários de LND no Linux a interromper temporariamente nós com portas abertas. A recomendação valeria até a instalação de uma atualização ou mitigação. Isso ocorre porque o Go 1.24 e versões posteriores ativam o MPTCP por padrão. Assim, versões recentes do LND escutavam nesse protocolo nas portas de pares, gRPC e REST quando o kernel oferecia a função.
Para reduzir a exposição, a Lightning Labs lançou o LND v0.21.6-beta e o backport v0.20.7-beta. Ambas as versões desativam os listeners MPTCP por padrão. Dessa forma, as atualizações bloqueiam a rota de ataque demonstrada por meio do LND. As notas da versão também confirmam que o projeto utiliza a linguagem Go.
Porém, o projeto classificou a mudança como uma mitigação, não como correção definitiva. Somente um kernel atualizado elimina a vulnerabilidade subjacente. Enquanto isso, outros serviços no mesmo computador podem continuar expostos ao MPTCP. Assim, o administrador precisa desativar o recurso no host ou instalar um kernel corrigido.
Olaoluwa Osuntokun também recomendou a atualização. Na sequência, a Lightning Labs reiterou a orientação no X. Fora do LND, qualquer serviço público que aceite conexões MPTCP pode manter o sistema vulnerável. Portanto, a atualização do aplicativo não substitui a correção do kernel.
Varreduras elevam urgência das correções
Ainda durante o alerta, o pesquisador de segurança Marcus Hutchins relatou varreduras compatíveis com agentes maliciosos procurando sistemas vulneráveis. Seus levantamentos encontraram cerca de 2,1 milhões de servidores alcançáveis por MPTCP na porta 443. Em 4 de novembro, o International Cyber Digest ampliou o alerta sobre as varreduras e a demora das correções no Ubuntu. Com isso, aumentou a urgência para administradores de máquinas com serviços públicos.
A Canonical disponibilizou kernels corrigidos no canal opcional proposed para Ubuntu 22.04, 24.04 e 26.04. No entanto, essas versões ainda não chegaram ao canal regular de atualizações. A Red Hat liberou correções para RHEL 8, 9 e 10 em 1º de novembro. Debian, Amazon Linux e outras distribuições já haviam publicado patches anteriormente.
Da mesma forma, o UmbrelOS 2.0.1 recebeu a correção do kernel em 1º de novembro para dispositivos x86. Já no Raspberry Pi, o sistema aplicou um bloqueio de tráfego porque ainda não havia um kernel corrigido. Até agora, pesquisadores não confirmaram a exploração da vulnerabilidade em ambientes reais. A CISA também não incluiu a falha em seu catálogo de Vulnerabilidades Conhecidamente Exploradas.
Na prática, servidores ligados diretamente à internet enfrentam a maior exposição. Por outro lado, NAT e firewalls típicos reduzem o risco em computadores domésticos sem listeners TCP públicos. Para operadores Lightning no Linux, as novas versões do LND removem o caminho específico utilizado no ataque demonstrado. Ainda assim, a vulnerabilidade permanece no sistema até a instalação de um kernel corrigido.
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