Bitcoin: ETFs recebem US$ 74,6 mi após saídas
Os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos receberam US$ 74,6 milhões em 4 de novembro de 2026. Esse resultado interrompeu três sessões consecutivas de retiradas, que somaram cerca de US$ 1,16 bilhão. Contudo, analistas avaliam que o cenário regulatório americano pode dificultar novos avanços legislativos para o setor. Em especial, a divisão política em Washington amplia as dúvidas sobre regras para ativos digitais.
Ryan Kirkley, cofundador e CEO da Global Settlement Network, afirmou que as eleições de meio de mandato complicaram as perspectivas regulatórias. Ainda assim, o resultado político não eliminou os motivos comerciais que levam instituições a investir no segmento. Para Kirkley, bancos, gestoras e empresas continuam buscando pagamentos mais baratos e liquidações mais eficientes. A demanda por infraestrutura financeira também deve permanecer relevante nos próximos anos.
ETFs de Bitcoin voltam a registrar entradas
Dados da Farside Investors mostram que os ETFs de Bitcoin à vista registraram saldo positivo na quarta-feira, 4 de novembro. Embora o resultado tenha revertido a sequência de retiradas, os fluxos entre os maiores fundos permaneceram bastante distintos. Portanto, o saldo positivo não representou uma retomada uniforme da demanda. Uma única sessão também não confirma uma mudança duradoura de tendência.
O FBTC, da Fidelity, atraiu US$ 236,7 milhões durante o período. Em contrapartida, o IBIT, da BlackRock, registrou US$ 201,2 milhões em saídas. Entradas menores em outros produtos levaram o resultado consolidado para o campo positivo. Assim, a movimentação indicou diferenças relevantes na exposição dos investidores aos principais fundos.
Kirkley classificou o retorno do capital como encorajador, mas recomendou cautela na interpretação dos números. Segundo ele, ainda é cedo para concluir que a pressão vendedora terminou. Além do mais, a diferença entre Fidelity e BlackRock pode refletir ajustes de exposição nos portfólios institucionais.
"Não acho que a eleição mude fundamentalmente a perspectiva do Bitcoin. Investidores institucionais ainda tomam decisões com base em liquidez, política monetária e alocação de portfólio", disse Kirkley.
O Bitcoin voltou a superar US$ 77 mil em 4 de novembro. Antes disso, o ativo havia se aproximado de US$ 75,7 mil durante a apuração eleitoral. Na avaliação de Kirkley, as semanas seguintes ofereceriam uma leitura melhor sobre a consistência da recuperação da demanda.
Congresso dividido amplia incerteza regulatória
Dan Khus, analista-chefe da LVRG Research, alertou para os efeitos de um Congresso controlado pelos democratas ao lado de uma presidência republicana. Nesse contexto, o governo dividido pode dificultar negociações sobre criptomoedas e prioridades fiscais. Dessa forma, os mercados podem precificar um período mais longo de paralisia legislativa. A incerteza também pode pressionar o Bitcoin no curto prazo.
"A vitória democrata nas eleições de meio de mandato de 2026 introduz um período de governo dividido. Isso pode elevar a incerteza sobre regulação de criptomoedas e prioridades fiscais, pressionando o Bitcoin no curto prazo", afirmou Khus.
Kirkley apontou a CLARITY Act como uma preocupação específica para o setor. Divergências já haviam atrasado o avanço do projeto, mesmo quando os republicanos controlavam o Congresso. Entre os pontos em disputa estão a jurisdição regulatória, as recompensas de stablecoins e o tratamento de diferentes ativos digitais. Por isso, uma nova configuração política pode prolongar as discussões.
Apesar disso, a aprovação anterior do texto na Câmara mostrou apoio dos dois principais partidos. O registro oficial da votação indica que 78 democratas acompanharam os republicanos. Em 17 de julho de 2025, a Câmara aprovou a proposta por 294 votos a 134. Com isso, o projeto demonstrou capacidade de atrair apoio bipartidário.
Kirkley defendeu que o Congresso leve mais tempo para construir regras capazes de funcionar entre diferentes governos. Para ele, uma aprovação apressada poderia gerar ainda mais incerteza. Regras claras sobre custódia, pagamentos, liquidação e conformidade ajudariam instituições a definir seus investimentos.
Infraestrutura deve sustentar adoção institucional
Na avaliação de Kirkley, o interesse institucional até 2027 deve se concentrar em pagamentos, stablecoins e sistemas de liquidação. Atualmente, empresas ainda enfrentam transferências internacionais caras, sistemas fragmentados e capital retido em processos existentes. Nesse sentido, essas limitações sustentam a procura por uma infraestrutura financeira mais eficiente. O uso comercial pode avançar independentemente do ritmo das negociações políticas.
A segurança também permanece como requisito para a adoção institucional. Mesmo soluções sofisticadas de custódia podem expor organizações a credenciais comprometidas e permissões internas excessivas. Ao mesmo tempo, aplicações conectadas podem ampliar esses riscos operacionais.
O executivo também diferenciou o Bitcoin das criptomoedas associadas ao presidente Donald Trump. Conforme sua avaliação, produtos ligados a figuras políticas reagem mais às mudanças de influência e às perspectivas de cada político. Já o Bitcoin possui uma base mais ampla de investidores e produtos institucionais estabelecidos. Consequentemente, sua trajetória depende de fatores que vão além das disputas partidárias.
"Acho que o setor cripto deu importância demais a garantir aliados políticos e pouca a construir apoio para aplicações práticas nos dois partidos", disse Kirkley.
Khus espera que a direção do Bitcoin no longo prazo dependa principalmente do cenário macroeconômico e dos fluxos institucionais. Sinais regulatórios claros ou medidas favoráveis à inovação, vindos de qualquer partido, poderiam apoiar a adoção de forma mais duradoura. Enquanto isso, a divisão política mantém incertezas sobre o ritmo das novas regras nos Estados Unidos.
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