Rede da Casa Branca teve 236 saídas de proxy, diz Layer3
A rede da Casa Branca teria encaminhado tráfego da internet por serviços públicos e baratos de proxy residencial. Segundo a empresa de inteligência de ameaças Layer3 Intel, foram registradas 236 ocorrências entre 5 de outubro e 3 de novembro de 2026. Assim, o levantamento despertou preocupações sobre terceiros que poderiam usar conexões vinculadas ao governo dos Estados Unidos.
A Layer3 identificou a rede como responsável pela conectividade da Casa Branca. O registro da ARIN para a AS2650 aponta o nome EOP-ASN e a organização Executive Office of the President. No entanto, o documento não identifica o dispositivo ou a pessoa por trás de cada conexão.
Serviços de proxy residencial vendem acesso à conexão de internet de outros dispositivos. Dessa forma, o tráfego enviado pelo cliente parece partir da rede do equipamento usado como proxy. A Layer3 afirmou que qualquer pessoa poderia comprar esse acesso por alguns dólares em um serviço público.
Como a rede vinculada à Casa Branca apareceu nos testes
Em relatório publicado em 4 de novembro, a Layer3 informou que observou saídas em 26 dos 30 dias monitorados. A empresa encontrou a rede ao solicitar acesso global rotativo de provedores de proxy residencial. Por isso, afirmou que não selecionou deliberadamente a AS2650.
De acordo com a companhia, as 236 observações envolveram seis endereços públicos e 28 serviços de proxy. Além disso, a equipe comparou os endereços com páginas públicas das empresas de detecção Spur e Synthient. Nesse processo, as páginas classificaram os endereços como saídas de proxy residencial, conforme a Layer3.
Contudo, os dados não mostram quantos dispositivos participaram da atividade. Também não comprovam que cada observação representou um ataque. A Layer3 não divulgou os seis endereços em sua descoberta publicada.
Observações registradas pela Layer3
A ARIN registra a AS2650 para o Executive Office of the President. A Layer3 relatou 236 saídas entre 5 de outubro e 3 de novembro de 2026.
Fonte: relatório da Layer3 Intel e registro da ARIN.
Padrão noturno e limites da descoberta
Cerca de metade da atividade ocorreu entre 17h e meia-noite, no horário do leste dos Estados Unidos. Por outro lado, a Layer3 registrou poucas ocorrências nas primeiras horas da manhã. Com base nisso, a empresa apontou o possível uso de um dispositivo pessoal com software de proxy, em vez de uma rede pública para visitantes.
A companhia citou um aparelho infectado com um kit de desenvolvimento de software, ou SDK, de proxy como explicação possível. Ainda assim, os dados não identificam o equipamento nem a pessoa por trás das saídas. Logo, essa hipótese não estabelece a origem concreta da atividade.
A Layer3 alertou que softwares de proxy mal protegidos podem expor sistemas internos em determinadas circunstâncias. Entretanto, essa possibilidade dependeria de o SDK apresentar uma falha semelhante às documentadas em pesquisas anteriores. Nesse caso, as observações divulgadas não demonstram acesso aos sistemas internos da Casa Branca.
Empresa afirma ter preservado os logs
A Layer3 declarou que fez cópias de segurança dos logs de atividade. Além disso, afirmou que poderia compartilhá-los com as agências relevantes por sua página de contato. Porém, os registros brutos não passaram por análise independente.
O RuntimeWire informou que o fundador Sergiy Usatyuk decidiu não divulgar os endereços específicos devido à sensibilidade da descoberta. Até então, a Layer3 ainda não havia notificado as autoridades ou organizações envolvidas, conforme a reportagem. Com isso, os detalhes dos seis endereços permaneceram fora do alcance público.
Por sua vez, o KrebsOnSecurity relatou, em 4 de novembro, que a Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Portanto, o caso reúne indícios de tráfego por proxies, mas não identifica usuários, dispositivos ou acesso interno. O alcance da descoberta permanece limitado aos dados observados pela Layer3.
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