Ethereum: Vitalik Buterin defende ETH como reserva de valor
O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, afirmou que o ETH deve ser avaliado principalmente como reserva de valor. Para ele, a rede deve priorizar descentralização, segurança e resistência a controles externos. Por isso, o foco não deveria ser a maximização contínua da queima de ETH por meio das taxas.
Buterin defendeu a manutenção da EIP-1559, mas questionou a capacidade da queima de sustentar a valorização do ETH de forma confiável. Naquele momento, o ETH estava perto de US$ 2.240. Nesse contexto, a rede emitia mais ETH do que queimava durante períodos de menor atividade.
“Ao explicar por que acredito que o ETH como reserva de valor faz muito mais sentido como foco do que o ETH como instrumento de queima de taxas, há três razões principais. O ETH como instrumento de queima nunca foi tão forte quanto parecia. Otimizar a rede para isso exigiria mudanças no Ethereum, enquanto o ETH como reserva de valor oferece uma proposta mais sólida.”
Vitalik Buterin, no X.
Queima de taxas enfrenta limites estruturais
Buterin contestou a ideia de avaliar o ETH com base em um fluxo previsível de taxas. Essa tese pressupõe que as queimas sustentariam a capitalização de mercado, assim como uma receita recorrente influencia a avaliação de uma empresa. No entanto, as taxas precisariam permanecer estáveis mesmo diante de uma queda no valor do ETH.
Em sua explicação, Buterin usou como exemplo US$ 1 bilhão em queimas anuais e uma taxa de desconto de 4%. Nessa conta, a queima recorrente justificaria, em teoria, uma avaliação de US$ 25 bilhões. Contudo, o cálculo depende de condições que podem não se manter ao longo do tempo.
“O ETH como instrumento de queima de taxas nunca foi tão forte quanto parecia.”
Vitalik Buterin, no X.
Entre 2021 e 2023, os usuários queimaram milhões de ETH em taxas, principalmente durante a forte demanda por NFTs e finanças descentralizadas. Porém, Buterin afirmou que grande parte dessa atividade dependia da riqueza que já circulava no mercado de criptomoedas. Portanto, uma queda acentuada no ETH poderia reduzir os gastos responsáveis por essas taxas.
Buterin reconheceu que os ativos do mundo real tokenizados conectam o Ethereum a uma parcela maior da atividade financeira convencional. Ainda assim, ele não espera que produtos financeiros maduros reproduzam as taxas extremas geradas pela negociação especulativa de NFTs. Dessa forma, uma proposta de valor apoiada apenas nas queimas enfrenta limitações estruturais.
Taxas mais altas podem reduzir a descentralização
O segundo argumento aborda as mudanças necessárias caso o Ethereum adote a geração de taxas como objetivo central. Buterin comparou as obrigações de uma blockchain voltada à receita com aquelas enfrentadas por uma grande empresa. Na prática, a competição exigiria despesas elevadas com desenvolvimento e uma governança mais intervencionista.
Em um modelo hipotético de financiamento, a rede poderia precisar de cerca de 700 mil ETH anuais para pesquisa e desenvolvimento do protocolo. Além disso, esse nível de despesas levantaria dúvidas sobre quem controlaria e distribuiria os recursos. A medida também reduziria a parcela disponível para remunerar os validadores.
Buterin afirmou que a maximização das receitas poderia incentivar preços de gas mais altos. Como resultado, o Ethereum ficaria menos acessível para quem busca privacidade e transações financeiras seguras. Ao mesmo tempo, a migração de operações para redes de segunda camada já reduziu a queima na rede principal.
A atualização Dencun, implementada em março de 2024, diminuiu os custos das transações nas camadas secundárias. Por consequência, os aplicativos passaram a processar atividades sem gerar o mesmo volume de taxas na rede principal. Em alguns períodos, a emissão superou a remoção promovida pela EIP-1559, o que causou inflação líquida na oferta de ETH.
Reserva de valor depende da segurança do Ethereum
A visão defendida por Buterin valoriza a capacidade do Ethereum de permanecer confiável durante longos períodos. Nesse sentido, ele citou descentralização e CROPS, conceito que reúne resistência à censura e à captura, código aberto, privacidade e segurança. Para detentores de longo prazo, esses atributos deveriam pesar mais do que a maximização das queimas anuais.
Buterin também destacou o desenvolvimento conservador do protocolo, a segurança pós-quântica e a menor dependência de infraestrutura especializada. Entre as iniciativas mencionadas estão as ferramentas de privacidade da carteira Kohaku. Ele citou ainda carteiras com múltiplas assinaturas, abstração privada de contas e as Fork-Choice Enforced Inclusion Lists.
O mecanismo FOCIL dificultaria a exclusão de transações elegíveis pelos construtores de blocos. Com isso, a tecnologia reforçaria a resistência da rede à censura. Desse modo, ativos tokenizados, estruturas de garantia e negociações descentralizadas continuariam compatíveis com essa direção.
EIP-1559 permanece no modelo econômico
Buterin deixou claro que sua posição não envolve abandonar o mecanismo atual de queima. Pela EIP-1559, o Ethereum destrói a parcela base das taxas e continua emitindo novos ETH para os validadores. Assim, a oferta aumenta ou diminui conforme o equilíbrio entre emissão e queima.
“A EIP-1559, incluindo sua queima, é boa e devemos mantê-la.”
Vitalik Buterin, no X.
Segundo Buterin, o ETH pode manter seu apelo como reserva de valor mesmo que a queima compense menos de 10% da emissão indefinidamente. Em outras palavras, a proposta dependeria mais da segurança de longo prazo da rede do que da escassez gerada pelas taxas. Instituições e indivíduos poderiam valorizar uma infraestrutura estável e resistente à censura diante de novos riscos tecnológicos ligados à inteligência artificial.
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