Binance critica modelo bancário no Fórum de Davos
O fundador da Binance, Changpeng Zhao, participou do Fórum Econômico Mundial de 2026 em Davos e destacou falhas estruturais do sistema bancário tradicional. Segundo ele, o modelo de reservas fracionárias continua sendo um dos principais responsáveis por crises de liquidez recorrentes. Além disso, Zhao afirmou que a tecnologia apenas revela fragilidades antigas, sem criar riscos adicionais.
Críticas ao modelo de reservas fracionárias
Ao analisar o funcionamento dos bancos, Zhao explicou que a reserva fracionária permite que instituições emprestem a maior parte dos depósitos, mantendo apenas uma fração em caixa. No entanto, essa prática torna o sistema vulnerável quando muitos clientes realizam saques simultâneos. Assim, surgem riscos de corridas bancárias e instabilidade.
Além disso, Zhao comparou esse cenário com a operação de plataformas de ativos digitais. Ele citou o episódio de dezembro de 2023, quando a Binance processou cerca de US$ 7 bilhões em retiradas em um único dia sem enfrentar pressão de liquidez. Segundo ele, essa agilidade demonstra como modelos alternativos oferecem respostas mais eficientes diante de movimentos inesperados.
Para Zhao, o contraste entre bancos tradicionais e exchanges deixa claro que a evolução tecnológica apenas expõe problemas antigos. Portanto, ele defende mecanismos mais transparentes e resilientes, impulsionados pela infraestrutura blockchain.
Transformações no setor financeiro impulsionadas pela tecnologia
Durante o evento, Zhao também comentou sobre mudanças esperadas no setor financeiro nos próximos anos. Segundo ele, soluções de infraestrutura blockchain e ferramentas avançadas de verificação de identidade devem reduzir a dependência de agências físicas. Assim, instituições tradicionais podem passar por uma transformação profunda.
Além disso, ele destacou que os serviços bancários tendem a tornar-se mais automatizados e integrados. Para Zhao, essa evolução fortalecerá plataformas digitais e criará uma relação mais dinâmica entre clientes e instituições.
Bitcoin, meemcoins e ambiente regulatório
Zhao demonstrou cautela quanto ao uso do Bitcoin em pagamentos diários, apontando limitações práticas. No entanto, ele afirmou que o ativo continua relevante como reserva de valor. Sobre meemcoins, Zhao disse que muitas são movidas por especulação e não devem sobreviver no longo prazo. Ainda assim, algumas podem permanecer devido ao forte apelo cultural, como Dogecoin.
Além disso, Zhao avaliou o cenário global de regulamentação. Para ele, a supervisão permanece fragmentada, já que muitos países ainda não possuem regras completas. Diferenças legais e tributárias também dificultam uma padronização internacional.
Como alternativa, Zhao defendeu um sistema de passaporte regulatório, no qual licenças emitidas em um país seriam reconhecidas em outros. Ele citou iniciativas em regiões como Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Cazaquistão, além de debates em andamento nos Estados Unidos.
Áreas de expansão para o setor blockchain
Zhao afirmou que o blockchain já provou seu valor em 15 anos de desenvolvimento. Ele destacou que a Binance atende cerca de 300 milhões de usuários globalmente e movimenta volumes superiores aos das bolsas de Xangai e Nova York, embora sem divulgar números específicos.
Além disso, Zhao apontou três áreas com forte potencial de crescimento: tokenização de ativos, integração entre cripto e sistemas tradicionais de pagamento, e agentes de inteligência artificial capazes de usar cripto como ferramenta nativa de transação.
As declarações apresentadas em Davos reforçam a visão de Zhao sobre as limitações dos bancos tradicionais. Assim, ele defende modelos financeiros mais transparentes e preparados para grandes fluxos de liquidez, consolidando o papel da Binance no avanço de novas soluções globais.