A corrida pelos bancos Web3 on-chain na América Latina

A América Latina vive um momento decisivo no avanço dos bancos digitais Web3. A região, marcada por crises e inovação simultânea, cria um ambiente fértil para que stablecoins, blockchain e DeFi transformem serviços financeiros. Além disso, o interesse crescente por soluções on-chain acelera a migração do usuário comum para modelos mais eficientes. Assim, a proposta dos bancos Web3 começa a entrar no centro da disputa pelo futuro financeiro do continente.
Web3 redefine o conceito de banco digital na região
A revolução financeira que ganha força na América Latina não nasce de bancos tradicionais nem de fintechs consolidadas. O movimento surge diretamente da infraestrutura blockchain, onde stablecoins, protocolos DeFi e identidades digitais começam a formar uma nova geração de instituições: os bancos Web3 on-chain. O artigo da Bitget, traduzido pelo compilador Will Awang, sugere que o próximo “Nubank da América Latina” poderá ser, na verdade, um protocolo baseado em blockchain.
Essa visão se apoia em uma mudança clara: usuários já realizam autocustódia, fazem transações peer-to-peer e utilizam stablecoins como alternativa ao sistema tradicional. Entretanto, mesmo nesse cenário, o público geral ainda percebe o universo cripto como complexo. Portanto, a ponte entre esses dois mundos tende a ser um banco Web3 com interface familiar, mas alimentado pela infraestrutura DeFi.
O mercado já provou que bancos digitais nativos têm enorme alcance. Nubank, Revolut e Chime ilustram esse poder ao escalar para dezenas de milhões de usuários sem operar uma agência física. Assim, o setor Web3 encontra terreno fértil, especialmente em países marcados por inflação elevada, controles cambiais, dependência de remessas e fragilidade bancária — características que tornam stablecoins e infraestrutura on-chain soluções essenciais.
Ao mesmo tempo, o avanço das soluções tokenizadas e da integração entre aplicativos de pagamento e protocolos públicos cria um ecossistema completo. Cada asset tokenizado e cada produto financeiro on-chain precisa de distribuição, e os bancos Web3 assumem esse papel ao unificar conta digital, acesso a stablecoins e rendimento DeFi em um único hub.
O modelo Web3 on-chain ganha forma e apresenta casos reais
A proposta dos bancos Web3 não consiste apenas em adicionar uma aba de “cripto” no app. O modelo reconstrói o banco desde a base, separando camadas de liquidação, liquidez e experiência. O exemplo mais concreto é o UR, que será lançado com apoio do tesouro da Mantle. O banco oferecerá contas IBAN suíças, multimoedas, conectadas a depósitos tokenizados e identidades NFT. O usuário interage com dólares, francos ou euros, enquanto a infraestrutura opera com mETH, MI4 e outros produtos nativos da rede.
Essa arquitetura permite que o usuário veja apenas operações simples, como conversões instantâneas ou depósitos com rendimento, enquanto a complexidade blockchain permanece oculta. Além disso, o cartão Mastercard funciona como canal de adoção, facilitando o uso cotidiano de dólares on-chain para pagamentos, transferências e salários.
A vantagem estrutural aparece justamente na separação das camadas. Bancos tradicionais operam trilhos antigos (ACH, SEPA, SWIFT), com custos altos e liquidação lenta. Em contraste, bancos Web3 liquidam transações via blockchain em segundos, a menos de um dólar. Assim, remessas internacionais e pagamentos globais tornam-se quase instantâneos.
A conta em stablecoin também altera o jogo. Em países onde moedas locais sofrem desvalorização superior a 50% ao ano, manter dólares on-chain não é uma aposta — é proteção. Nesse contexto, integrar DeFi significa oferecer rendimento em stablecoin, evitando que o poder de compra derreta como ocorre quando o retorno em moeda local perde para a inflação.
Por fim, o modelo permite lançar produtos essenciais sem necessidade de licenças iniciais, acelerando o ciclo de construção. A arquitetura de “conta primeiro” conecta o usuário ao sistema tradicional e ao mesmo tempo à liquidez global do blockchain, criando uma ponte entre os dois mundos.
Com infraestrutura madura, demanda crescente e arcabouços regulatórios mais claros, 2025 aponta para uma explosão desses bancos Web3 on-chain na América Latina.