A dois anos do halving, Bitcoin oferece oportunidade estratégica para tesourarias institucionais

No meio do caminho até o próximo halving, a adoção institucional atinge máximas históricas e o Bitcoin demonstra sua maturidade, oferecendo um equilíbrio entre rendimento, resguardo e liquidez. A ponto de que, nos últimos dois anos, rendeu melhor como reserva do que as stablecoins pareadas ao USD. Com o preço em lateralização, as empresas podem diversificar suas tesourarias com stablecoins locais de melhor rendimento, como as lançadas recentemente pela Ripio, ou com outros ativos tokenizados.


Por Sebastián Serrano, cofundador e CEO da Ripio

Vivemos uma época de convulsão total no comércio, político e tecnológico, entre guerras aduaneiras, bombardeios, IA e robótica de ponta. Há alta volatilidade operacional em todos os campos, do financeiro ao geopolítico, e os mercados expressam isso. Diante dessas ameaças globais em constante mudança, somadas à inflação e às fricções locais, nós líderes temos o desafio de proteger o capital de nossas organizações sem comprometer a liquidez operacional.

Precisamos ganhar flexibilidade sem ficar desprotegidos, obter liquidez sem ter que liquidar ativos e resguardar valor sem perder oportunidades de rendimento. E, para tudo isso está o Bitcoin, que por não por acaso está presenciando um crescimento massivo nas tesourarias corporativas. No último ano e meio, desde setembro de 2024, a média de acumulação mensal passou de cerca de 10.000 BTC para mais de 370.000 BTC, um crescimento explosivo de 3720%.

Revisando seu percurso, passados 17 anos de sua criação e a exatos dois anos de seu último halving, o mercado de Bitcoin mostra grande maturidade. De fato, no ciclo iniciado com o halving de abril de 2024, apresenta um rendimento de mais de 15%: passou de USD 64.000 para os atuais USD 77.000, que registrou em média nos últimos dias. Ou seja, não só teve um resultado positivo frente a outras criptomoedas (Ethereum caiu 24% e Solana 40% no mesmo período), como também funcionou melhor como reserva de valor do que as stablecoins pareadas ao dólar, que costumam oferecer rendimentos em fintechs de cerca de 3% ao ano; e do que os próprios USD em contas remuneradas.

Os halvings são chave para o desenho do Bitcoin, que tem uma oferta duplamente limitada: por um lado, um fornecimento com máximo definido de 21 milhões de BTC; por outro, uma taxa de emissão cada vez mais lenta, a partir das reduções aplicadas em cada halving. E não é menor o dado de que recentemente superamos os 20 milhões de BTC minerados: restam pouco mais de 983.000 para minerar. Do outro lado, aparece uma demanda cada vez mais voraz, expandida por meio de uma gama de canais de adoção que aproximaram o Bitcoin dos investidores tradicionais (ETF, futuros). Esse combo de oferta controlada e demanda descontrolada promete um futuro excepcional para o Bitcoin.

No momento atual, o mercado já absorveu uma correção que chegou a ser de 52% após o ATH de outubro de 2025, até o piso de fevereiro, já teve duas cascatas de liquidações massivas que limparam a alavancagem excessiva e agora está em uma lateralização em uma zona que parece confortável para os investidores institucionais. Desde a queda até USD 60.187, marcada em fevereiro, o Bitcoin já teve uma recuperação e, nos últimos dias, chegou a ser negociado acima de USD 74.600, 24% acima do valor de piso. A esses preços, temos uma acumulação em máximas históricas e os long term holders estão aumentando suas posições.

A maior parte dessa força vem das tesourarias institucionais de governos, empresas e organizações, que vêm comprando Bitcoin de forma massiva e aproveitando a oportunidade estratégica que essa janela de lateralização oferece. Já existem mais de 150 empresas listadas que acumulam bitcoins, entre elas a Strategy (com mais de 100 compras de BTC), MARA Holdings, Twenty One Capital e Metaplanet. Em conjunto, as 10 companhias mais posicionadas acumulam mais de 1 milhão de bitcoins em suas reservas. Além disso, o governo dos Estados Unidos acumula mais de 328.000 e El Salvador outros 7.500.

Esse interesse institucional tem tanto a ver com a evolução natural do mercado quanto com avanços regulatórios concretos. A aprovação dos ETFs spot em janeiro de 2024 abriu outra escala de integração com as finanças tradicionais e consolidou um volume que hoje tem média de 3 trilhões de dólares diários. Normativas como MiCA na Europa e as regras contábeis da FASB nos Estados Unidos dão aos CFOs a segurança jurídica necessária para integrar cripto aos seus balanços sem fricções.

Na América Latina, região muito relevante que explica a adoção global, também surgem novos produtos alinhados à evolução regulatória. No Brasil, o Banco Central se consolidou como regulador principal, e o Drex avança. Na Argentina, as novas regulações da CNV para ativos digitais e tokenização permitiram que, a partir da Ripio, desenvolvêssemos e lançássemos wAL30rd, a primeira experiência de tokenização de títulos soberanos no país, e também wARS, a tokenização do peso argentino, que é a ponta da nossa família de stablecoins locais que inclui wBRL (Brasil), wMXN (México), wCLP (Chile), wCOP (Colômbia) e wPEN (Peru).

Quanto ao Bitcoin, podemos dizer então que é um ativo regulado, transparente, previsível e com bom rendimento. E, apesar do FOMO que muitas vezes o mercado cripto desperta, o tempo é suficiente para fazer uma entrada progressiva. Estamos no meio do caminho até o halving de 2028. A grande correção e as liquidações massivas consolidaram um piso mais firme e há mãos mais fortes no mercado: empresas que jogam no longo prazo, fundos cujos horizontes são traçados em 10 anos. E, quando há correções, elas aproveitam para aumentar suas posições.

Nos ciclos de 2016 e 2020, os picos máximos de preços ocorreram em ambos os casos 18 meses após o halving. Neste ciclo, também: foi em outubro de 2025, quando chegou a USD 126.100. Se o mesmo percurso se repetir pela terceira vez, o segundo semestre de 2026 deve ser o momento mais frio deste criptoinverno e, a partir de 2027, o mercado deve começar a aquecer progressivamente, rumo ao halving de 2028.

A “calma” aparente nos preços atuais – que estão lateralizando, mas com uma volatilidade que chega a mais ou menos 5% ao dia e, às vezes, mais – funciona como uma janela ideal para que as empresas estruturem compras escalonadas sem necessidade de especulação agressiva. Em paralelo, a evolução do ecossistema também permite estratégias de diversificação que acompanhem um plano macro baseado em BTC. As stablecoins são um padrão e estão no pico de adoção, sendo usadas por mais de 240 milhões de pessoas e empresas e com uma capitalização total de mais de USD 330 bilhões, segundo dados recentes (DeFiLlama).

A oportunidade de rendimento proporcionada por stablecoins locais como as recentemente lançadas pela Ripio (wARS, wBRL, wMXN, wCLP, wCOP e wPEN) permite manter liquidez na unidade de conta local, com os benefícios de um criptoativo rendendo. Na Argentina, com a Landtoken, é possível acessar terras agrícolas tokenizadas e também o título soberano wAL30rd. Com isso, os investidores do nosso país vizinho podem diversificar e ter exposição ao agro e ao mercado de títulos, também com as vantagens próprias dos ativos em blockchain.

Em suma, estamos em um ecossistema que amadureceu o suficiente para oferecer certezas operacionais em um mundo cujo horizonte é totalmente incerto. Hoje, integrar Bitcoin aos balanços corporativos não é uma jogada experimental, mas uma decisão sensata. Na Ripio Business, já atendemos mais de 2.500 clientes corporativos e seu principal interesse continua sendo o Bitcoin. Com as ferramentas disponíveis para garantir liquidez imediata e diversificar o risco, os líderes financeiros têm uma oportunidade concreta de transformar a volatilidade do ambiente em uma vantagem estratégica.