“A Nigéria precisa regular as criptomoedas, não bani-las”, diz vice-presidente

A Nigéria restringiu recentemente o comércio de Bitcoin e outras criptomoedas no país

O banco central da Nigéria e o regulador de valores mobiliários precisam encontrar maneiras de regular as criptomoedas em vez de proibir seu uso, disse o vice-presidente da Nigéria Yemi Osinbajo na sexta-feira, instando-os a propor um regime que apoie o crescimento e a inovação.

O banco central proibiu neste mês bancos e instituições financeiras de negociar ou facilitar transações em criptomoedas como Bitcoin, alertando que os bancos que não agirem podem enfrentar “sanções regulatórias severas”.

A Securities and Exchange Commission (SEC), entretanto, procurou regulamentar os investimentos em criptomoedas com o fundamento de que elas se qualificam como transações de títulos.

Ambos os reguladores disseram ter identificado certos riscos dentro do setor de ativos digitais, sem maiores explicações.

O banco central argumentou que as criptomoedas, que não são regulamentadas e não têm curso legal, são arriscadas para o usuário.

“Agradeço totalmente a posição do banco central, da Comissão de Valores Mobiliários e… os possíveis abusos de criptomoedas”, disse o vice-presidente Osinbajo.

“Há um papel para a regulamentação aqui e é o lugar de nossas autoridades monetárias e da SEC fornecer um regime regulatório robusto que trate dessas sérias preocupações.”

Mas, dirigindo-se aos principais banqueiros em uma reunião online com a presença do governador do banco central Godwin Emefiele, Osinbajo também disse que a ruptura cria eficiência e progresso, como foi visto em outros setores.

“As criptomoedas nos próximos anos desafiarão os bancos tradicionais, incluindo os bancos de reserva, de maneiras que ainda não podemos imaginar, portanto, precisamos estar preparados para essa mudança sísmica”, acrescentou.

O uso de Bitcoin, a maior e original criptomoeda, cresceu rapidamente na Nigéria nos últimos anos, especialmente entre as pequenas empresas, já que o enfraquecimento da moeda naira torna difícil obter os dólares americanos necessários para importar bens ou serviços.

O Bitcoin disparou mais de 60% este ano, atingindo um recorde histórico de US$ 58.354 neste mês, com empresas convencionais como Tesla Inc e Mastercard Inc adotando criptomoedas.

Os ativos digitais administrados em produtos negociados em bolsa dobraram este mês para um recorde de US$ 43,9 bilhões, disse o pesquisador CryptoCompare na sexta-feira, ressaltando o crescente interesse em títulos que rastreiam moedas digitais.

Muitos bancos centrais estão considerando a emissão de suas próprias moedas digitais, embora o da Nigéria não tenha dito que está entre eles. O Fundo Monetário Internacional disse na quinta-feira que os formuladores de políticas devem ter como objetivo aproveitar os benefícios das moedas digitais ao mesmo tempo em que abordam seus riscos e desafios legais.

Fonte: Reuters

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Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader aposentado. Segue firme como entusiasta do Bitcoin e inimigo declarado das pirâmides financeiras.