A revolução da IA na educação começa com quem ensina

A discussão sobre inteligência artificial na educação costuma partir da mesma pergunta: como preparar os estudantes para um futuro cada vez mais digital? Embora seja uma questão relevante, acredito que ela esteja sendo observada pelo fator incorreto da equação.

Antes de ensinar crianças e jovens a utilizar a IA de forma crítica, ética e produtiva, precisamos garantir que professores, gestores educacionais e famílias estejam preparados para orientar esse processo. A transformação digital na educação não deve começar com os estudantes, mas sim com aqueles que têm a responsabilidade de formar, acompanhar e inspirar os alunos.

O avanço da IA generativa tornou esse debate ainda mais urgente. Em poucos anos, ferramentas capazes de criar conteúdos, personalizar experiências de aprendizagem e apoiar o planejamento pedagógico passaram a fazer parte da realidade de muitas instituições de ensino. Mas tecnologia, por si só, nunca foi sinônimo de inovação.

Ao longo da minha trajetória acompanhando projetos de transformação digital em diferentes países, aprendi que o sucesso de qualquer iniciativa tecnológica depende muito mais das pessoas do que das ferramentas. A solução tem o potencial de democratizar o acesso ao conhecimento, mas seu impacto só se concretiza quando educadores e famílias estão preparados para utilizá-la de forma consciente e estratégica.

O Brasil vive um momento importante nessa discussão. O novo Plano Nacional de Educação (PNE) reforça a necessidade de desenvolver competências digitais e ampliar a inovação nos ambientes de aprendizagem. No entanto, nenhuma política pública será plenamente efetiva se a formação daqueles que conduzem o processo educativo não estiver no centro da estratégia.

Os dados mostram que os professores brasileiros já estão dando os primeiros passos nessa transformação. Segundo a pesquisa TALIS 2024, divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2025, 56% dos docentes do país afirmam utilizar ferramentas de inteligência artificial para planejar aulas, desenvolver atividades e apoiar o ensino, índice superior à média dos países da OCDE, de 36%. O dado revela não apenas uma abertura à inovação, mas também a necessidade de ampliar programas de capacitação para que o uso dessas ferramentas gere resultados pedagógicos consistentes.

É justamente nesse ponto que está o maior desafio. Não podemos esperar que os estudantes desenvolvam competências digitais avançadas se os adultos responsáveis por sua formação ainda não receberam orientação adequada para lidar com essas tecnologias.

Quando oferecemos aos professores ferramentas digitais e soluções baseadas em inteligência artificial, não estamos substituindo seu papel. Estamos ampliando suas possibilidades de atuação. Nenhuma tecnologia será capaz de substituir o papel humano de um educador. Pelo contrário: a IA deve funcionar como uma aliada, permitindo que os professores dediquem mais tempo ao acompanhamento dos alunos, à personalização da aprendizagem e ao desenvolvimento de habilidades que nenhuma máquina consegue replicar, como empatia, pensamento crítico e construção de vínculos.

As famílias também têm papel fundamental nesse processo. Em um cenário em que crianças e adolescentes têm acesso cada vez mais cedo às tecnologias digitais, pais e responsáveis precisam compreender tanto as oportunidades quanto os desafios associados à inteligência artificial. Alfabetização digital, segurança online e uso ético da tecnologia devem ser responsabilidades compartilhadas entre escola e família.

Experiências desenvolvidas em diferentes países mostram que a combinação entre tecnologia, curadoria de conteúdo e acompanhamento pedagógico pode tornar a aprendizagem mais personalizada, inclusiva e acessível. O objetivo não é substituir a educação tradicional, mas potencializá-la.

A verdadeira transformação digital da educação não será medida pela quantidade de ferramentas implementadas nas escolas, mas pela capacidade de preparar pessoas para utilizá-las com propósito.

Se queremos formar cidadãos aptos para viver e trabalhar em uma sociedade cada vez mais orientada pela inteligência artificial, precisamos começar por quem os acompanha nessa jornada. Afinal, a inovação educacional não começa com algoritmos, mas  com educadores preparados, gestores engajados e famílias conscientes de seu papel na construção do futuro da aprendizagem.

Por Ainhoa Marcos, VP de Educação e Setor Público da ODILO

SOBRE A ODILO

A ODILO é uma empresa de educação digital que permite que qualquer organização crie seu próprio Ecossistema de Aprendizagem, oferecendo aos seus usuários acesso ilimitado ao maior catálogo de conteúdos educacionais multiformato do mundo e a possibilidade de criar todo tipo de experiência de aprendizagem sem restrições. Já foram criadas mais de mil plataformas, permitindo o acesso a 170 milhões de usuários nos cinco continentes.

A ODILO, o maior ecossistema educacional do mundo, possui acordos de conteúdo com mais de 7.300 fornecedores de conteúdo digital educacional em todos os formatos (cursos, aplicativos interativos, vídeos, podcasts, jornais, revistas, audiolivros, e-books, etc.)

A ODILO é uma empresa multissetorial que promove a aprendizagem em empresas privadas, escolas públicas e privadas, universidades públicas e privadas, formação profissional certificada, administração pública e governo

 

*Comunicado de imprensa