A7A5 movimenta US$ 110 bi sob sanções, diz Skynet

Um relatório de inteligência de ameaças da Skynet, divulgado em 3 de junho de 2026, aponta duas frentes que redesenham o mercado de stablecoins. De um lado, ataques mais sofisticados contra pontes cross-chain e estruturas de custódia ganharam escala. De outro, a A7A5, stablecoin lastreada no rublo russo, ampliou presença mesmo sob sanções coordenadas do Ocidente.

Segundo o estudo, incidentes ligados a pontes cross-chain já somam mais de US$ 328 milhões em perdas em 2026. Além disso, a pesquisa indica que o comprometimento de carteiras superou falhas de código como principal vetor de exploração nos maiores casos de DeFi. Nesse contexto, cresce a preocupação regulatória e operacional sobre a infraestrutura usada pelo mercado cripto.

Pontes cross-chain concentram perdas em 2026

Comprometimento de carteiras supera falhas de código

De acordo com a Skynet, pontes cross-chain continuam como a principal superfície de ataque de alto valor entre emissores, protocolos e integrações que movimentam stablecoins. Até agora, o maior impacto veio do comprometimento da carteira da Kelp DAO, em abril, que respondeu por US$ 291,3 milhões em perdas.

Além disso, entre as 20 maiores ocorrências de 2026, o Drift Protocol, na Solana, registrou perdas de US$ 285,3 milhões em 1º de abril, também por causa de uma invasão de carteira. Da mesma forma, Step Finance e Resolv sofreram perdas superiores a US$ 26 milhões pelo mesmo tipo de ataque.

Perdas e incidentes com bridges em 2026
Perdas com bridges versus incidentes em 2026. Fonte: Skynet.

A Skynet divide o avanço das ameaças em cinco categorias. Em primeiro lugar, aparecem pontes cross-chain e protocolos de interoperabilidade. Em seguida, surgem infraestrutura de custódia e tesouraria, risco de composabilidade em integrações DeFi, redes focadas em pagamentos e blockchains voltadas a stablecoins, além de infraestrutura de compliance e identidade.

Esse último grupo chama atenção porque, conforme o relatório, invasores passaram a mirar provedores de KYC, APIs de pagamento e sistemas de triagem de sanções. Assim, o padrão se aproxima mais do crime financeiro tradicional do que dos ataques clássicos do setor de criptomoedas.

O estudo também cita ataques de manipulação de preço na Rhea Finance, com US$ 18,5 milhões em perdas, e na YieldBlox, com US$ 10,6 milhões. Ao mesmo tempo, falhas de código afetaram a Swapnet, com US$ 13,3 milhões, a Verus, com US$ 11,5 milhões, e a Thorchain, com US$ 10,1 milhões, em diferentes redes.

A7A5 avança apesar da pressão internacional

Stablecoin ligada ao rublo alcança 43% do mercado fora do dólar

A A7A5 é uma stablecoin lastreada no rublo russo lançada em janeiro de 2025 pela Old Vector LLC, entidade do Quirguistão que atua em nome da empresa russa de liquidação transfronteiriça A7 LLC. Segundo a Skynet, desde o lançamento, o ativo processou mais de US$ 110 bilhões em transações acumuladas on-chain e conquistou cerca de 43% do mercado global de stablecoins não denominadas em dólar.

O relatório vincula diretamente a expansão da A7A5 à tentativa de contornar a aplicação de sanções ocidentais. A A7 LLC tem como controladores o oligarca moldavo-russo Ilan Shor, alvo de sanções e condenado por envolvimento no roubo de aproximadamente US$ 1 bilhão de três bancos da Moldávia em 2014, e o Promsvyazbank, banco estatal russo que atende o complexo industrial de defesa do país.

Atividade acumulada da A7A5
Atividade acumulada da A7A5. Fonte: Skynet.

De acordo com o documento, a A7A5 surgiu como resposta institucional direta à pressão das sanções, depois que a Tether bloqueou entre US$ 26 milhões e US$ 28 milhões em USDT mantidos pela exchange sancionada Garantex, em março de 2025. Ainda assim, o emissor do token, o banco garantidor e a plataforma de transações operam sob sanções sobrepostas dos Estados Unidos, do Reino Unido e da União Europeia. Além disso, não há publicação de atestado independente de reservas.

O relatório registra ainda um pico de volume de aproximadamente 102,7 bilhões de tokens em 14 de maio de 2026, exatamente dez dias antes de entrarem em vigor as disposições sobre cripto do 20º pacote de sanções da União Europeia. Para a Skynet, uma leitura plausível é que agentes comerciais liquidaram posições transfronteiriças antes do prazo final.

Expansão na África amplia alerta regulatório

Base de detentores cresce e Grinex sofre hack

Mesmo com a ação coordenada de várias jurisdições, incluindo o 19º pacote de sanções da União Europeia, que nomeou a A7A5 como a primeira criptomoeda submetida a uma proibição explícita de transações, o número de detentores continuou avançando. A base passou de cerca de 13 mil para 29 mil entre fevereiro de 2025 e maio de 2026, sem inflexão visível nos eventos de sanção observados.

Além disso, a Skynet considera que o risco mais urgente está na expansão africana do ecossistema ligado à A7A5. A Rússia já estabeleceu escritórios da A7 na Nigéria e no Zimbábue, enquanto o Togo aparece como possível próximo destino. Ademais, o vice-presidente do Promsvyazbank, Dorofeev, visitou Madagascar em janeiro de 2026 para conversas com o novo governo militar do país.

Segundo o relatório, nenhuma jurisdição africana foi formalmente envolvida pelo Office of Foreign Assets Control, pelo HM Treasury ou pela União Europeia em relação à exposição vinculada à A7A5. Dessa forma, cresce o risco de sanções secundárias sobre bancos correspondentes alinhados ao Ocidente que operam nesses mercados.

Outro ponto de pressão envolve a fragilidade operacional do ecossistema. A principal plataforma de negociação da A7A5, a Grinex, sofreu um hack de aproximadamente US$ 15 milhões em abril de 2026 e suspendeu as operações, deixando o ambiente sem alternativa equivalente em escala.

Resposta regulatória à A7A5
Resposta regulatória. Fonte: Skynet.

Como resultado, a Skynet descreve um mercado pressionado por dois vetores simultâneos. As perdas com pontes cross-chain já superam US$ 328 milhões em 2026, enquanto a A7A5 ultrapassou US$ 110 bilhões em volume on-chain. Além disso, o ativo alcançou 43% do mercado global de stablecoins fora do dólar e expandiu sua base de detentores de 13 mil para 29 mil, mesmo sob sanções explícitas. Segurança, compliance e geopolítica passaram, portanto, a definir a próxima fase desse segmento.