Aave: NY mantém bloqueio de US$71 mi em ETH

Um tribunal federal de Nova York decidiu adiar a liberação de cerca de US$ 71 milhões em ETH ligados ao ataque contra a KelpDAO. Com isso, a Aave permanece no centro de uma disputa jurídica que coloca finanças descentralizadas frente ao sistema legal tradicional. A juíza Margaret M. Garnett negou o pedido emergencial da plataforma, ao apontar falta de evidências de risco imediato e destacar a complexidade do caso.

Assim, os 30.766 ETH seguem sob controle da Aave, porém bloqueados por ordem judicial. Além disso, novas manifestações devem ser apresentadas até 22 de maio, enquanto a revisão do processo está prevista para o início de junho.

Origem do conflito após ataque à KelpDAO

O impasse teve início após um ataque ocorrido em 18 de abril de 2026. Na ocasião, invasores exploraram uma falha em um verificador único na ponte LayerZero da KelpDAO. Como resultado, foram criados aproximadamente US$ 292 milhões em rsETH sem lastro.

Imediatamente, o mercado cripto reagiu negativamente. O token rsETH perdeu sua paridade, ao passo que plataformas como a Aave enfrentaram pressão sobre colaterais. Além disso, o episódio provocou saídas superiores a US$ 7 bilhões do valor total bloqueado em protocolos DeFi.

Diante desse cenário, o Conselho de Segurança da Arbitrum congelou os 30.766 ETH associados ao ataque. Posteriormente, a comunidade aprovou a transferência desses fundos para a Aave, com o objetivo de compensar os usuários afetados.

No entanto, a disputa ganhou nova dimensão quando o escritório Gerstein Harrow LLP protocolou uma notificação judicial em 1º de maio. A firma representa credores com US$ 877 milhões em indenizações não pagas relacionadas a terrorismo. Segundo a argumentação, os fundos podem estar ligados à Coreia do Norte, uma vez que o ataque foi atribuído ao Lazarus Group.

De acordo com essa tese, os ativos poderiam ser classificados como propriedade de um Estado sancionado e, portanto, passíveis de reivindicação por credores. Esse ponto elevou o caso a um patamar de relevância internacional.

Decisão judicial mantém restrição dos ativos

Em 9 de maio, a juíza autorizou parcialmente a transferência dos ETH para uma carteira controlada pela Aave. Contudo, manteve a restrição judicial ativa. Dessa forma, a movimentação técnica foi permitida, enquanto a disputa sobre a titularidade dos ativos segue em aberto.

No pedido emergencial, a Aave alegou que a manutenção do bloqueio poderia provocar liquidações em cadeia e instabilidade no setor DeFi. Ainda assim, a magistrada avaliou que não houve comprovação suficiente de risco imediato.

Ordem judicial oficial

Fonte: Tribunal Distrital dos EUA, Distrito Sul de Nova York, disponível em nysd.uscourts.gov

O processo permanece em andamento. Em outras palavras, o tribunal ainda precisa definir se os valores serão destinados aos usuários afetados ou aos credores que reivindicam os recursos.

Recuperação técnica segue em curso

Enquanto o impasse jurídico avança, a recuperação técnica continua. A Aave confirmou a transferência da primeira tranche de rsETH para o adaptador OFT da LayerZero. Esse movimento integra um plano coordenado com a KelpDAO.

Além disso, a ponte entre a rede principal do Ethereum e soluções de segunda camada já foi reativada. Consequentemente, os saques de rsETH devem ser retomados em até 24 horas, enquanto depósitos e ajustes de taxas devem ocorrer em até 48 horas.

Os usuários também continuam acumulando recompensas de staking referentes ao período de interrupção. Paralelamente, novas transferências devem ocorrer nas próximas semanas, com o objetivo de concluir o reequilíbrio dos fundos.

Impactos no mercado e possíveis precedentes

Para investidores, o cronograma de recuperação permanece ativo. Ainda assim, a restrição judicial sobre os US$ 71 milhões levanta preocupações. Isso porque o caso introduz um debate relevante sobre a atuação de tribunais em protocolos descentralizados.

Em última análise, a questão central envolve a possibilidade de autoridades dos Estados Unidos reivindicarem ativos recuperados com base em sanções internacionais. Embora incomum, esse cenário pode estabelecer precedentes importantes para o setor.

Assim, a decisão esperada para junho tende a influenciar futuras respostas a ataques em DeFi. Ao mesmo tempo, o caso evidencia tanto a resiliência técnica desses protocolos quanto seus limites diante de estruturas legais tradicionais.

O autor:

Contabilidade de Criptomoedas