Aave perde 43% do TVL após hack da KelpDAO

O protocolo de empréstimos DeFi Aave ainda não recuperou a liquidez registrada antes do hack da KelpDAO, ocorrido em 18 de abril. Desde então, o valor total bloqueado, ou TVL, nos contratos inteligentes da plataforma caiu 43%. Antes do incidente, os usuários mantinham aproximadamente US$ 26,4 bilhões no protocolo.

Atualmente, o ecossistema reúne cerca de US$ 14,995 bilhões, conforme dados da DeFiLlama. Além disso, o indicador permanece 67% abaixo da máxima anual alcançada pela plataforma. A saída de capital e a cautela dos depositantes, portanto, ainda limitam a recuperação.

Há suspeitas de que hackers ligados à Coreia do Norte tenham violado a infraestrutura da KelpDAO em meados de abril. Os invasores teriam manipulado garantias para executar o ataque. Em seguida, usaram o rsETH como colateral na Aave e retiraram ETH dos fundos disponíveis.

Liquidez da Aave tem recuperação lenta

Como resultado, o ataque gerou uma dívida incobrável estimada em US$ 246 milhões e afetou outros protocolos do setor. Contudo, o relatório técnico apontou que o código da Aave funcionou como previsto. Mesmo assim, a plataforma perdeu parte de sua posição dominante no mercado.

Quatro meses depois do hack da KelpDAO, os depósitos ainda não retornaram ao ritmo esperado pela comunidade. Dessa forma, a cautela dos grandes investidores restringe a capacidade de empréstimo do protocolo. Um volume menor de capital também reduz os recursos disponíveis para operações de grande porte.

Logo após o ataque, os administradores liquidaram as posições abertas pelos invasores nas redes Ethereum e Arbitrum. Ao mesmo tempo, a aliança do setor DeFi United forneceu recursos em ETH para recompor a garantia afetada. A iniciativa ajudou a estabilizar tecnicamente os mercados envolvidos.

Até o fim de maio, os responsáveis pelo protocolo afirmaram que os mercados haviam retomado a normalidade operacional. Entretanto, essa estabilização não restaurou a liquidez anterior. Nos dias seguintes ao incidente, os depósitos registraram uma saída acelerada superior a US$ 8 bilhões.

Hack da KelpDAO pressiona o mercado DeFi

O token AAVE também sofreu pressão após o episódio. Sua cotação caiu cerca de 20%, de US$ 115 para menos de US$ 92. Na data da publicação, o AAVE era negociado perto de US$ 89 e permanecia abaixo do nível anterior ao ataque.

Com menos recursos depositados, a Aave passou a oferecer um volume menor de capital aos tomadores de empréstimos. Além disso, um pool reduzido pode ampliar a volatilidade e limitar transações de grande porte. Antes do incidente, a plataforma havia encerrado o ano anterior com aproximadamente US$ 55 bilhões, montante equivalente a mais da metade do setor.

Pesquisadores da Chainalysis e relatórios da LayerZero atribuíram o ataque ao grupo norte-coreano Lazarus e à célula TraderTraitor. Diferentes analistas também relacionaram esses grupos a outras violações recentes contra plataformas de criptomoedas. Nesse cenário, a sofisticação das ações representa um desafio contínuo para a segurança do setor.

Garantias externas ampliam riscos para protocolos

A crise mostrou os riscos enfrentados por ecossistemas descentralizados que aceitam garantias emitidas por terceiros. Embora os mecanismos automáticos de liquidação tenham funcionado, a manipulação da garantia permitiu a retirada indevida de capital. Assim, o episódio expôs limitações relacionadas a vulnerabilidades externas ao protocolo de empréstimos.

A recuperação estagnada do TVL reflete a cautela persistente entre grandes provedores de liquidez. Agora, o setor enfrenta o desafio de reforçar auditorias, controles sobre garantias e mecanismos de cobertura. A retomada dos níveis anteriores dependerá, sobretudo, de uma recuperação sustentada da confiança dos participantes.