ABA critica relatório do CEA sobre stablecoin
A American Bankers Association (ABA) criticou um relatório do Conselho de Assessores Econômicos (CEA) da Casa Branca sobre stablecoin, relacionado ao debate regulatório do chamado CLARITY Act. Segundo a entidade que representa bancos nos Estados Unidos, a análise adota um foco limitado e pode induzir formuladores de políticas a conclusões incompletas.
Em primeiro lugar, a crítica central recai sobre a avaliação do CEA a respeito de rendimentos em stablecoins. O relatório sugere que proibir esse tipo de retorno teria impacto restrito sobre o crédito bancário. No entanto, a ABA argumenta que essa abordagem ignora riscos estruturais mais amplos.
Além disso, a associação afirma que o enquadramento adotado oferece uma leitura parcial do cenário financeiro. Ao priorizar efeitos imediatos, o documento deixa de considerar possíveis consequências sistêmicas no médio e longo prazo.
Riscos regulatórios e fuga de depósitos
Em comunicado divulgado em 13 de abril, a ABA destacou que o ponto central não está na proibição de rendimentos, mas sim na eventual liberação desse modelo. Ou seja, a principal preocupação envolve os efeitos caso stablecoins passem a oferecer retorno financeiro de forma ampla.
Segundo a entidade, esse movimento pode incentivar a migração de depósitos bancários para alternativas digitais mais rentáveis. Esse fenômeno, conhecido como fuga de depósitos, tende a afetar sobretudo bancos comunitários e instituições de menor porte.
Ao mesmo tempo, a ABA avalia que o relatório do CEA transmite uma sensação excessiva de segurança. Isso porque a análise se concentra nos impactos da proibição, enquanto minimiza o potencial crescimento das stablecoins com rendimento.
Por outro lado, o CEA estima que a proibição poderia elevar o crédito bancário em cerca de US$ 1,2 bilhão. Ainda assim, a ABA considera esse valor pouco relevante. Na visão da entidade, trata-se de uma variação pequena diante das oscilações trimestrais do sistema financeiro.
Além disso, mesmo que a direção da estimativa esteja correta, a associação reforça que o estudo não responde à questão central: qual seria o impacto sobre crédito e custos de financiamento caso stablecoins com rendimento cresçam de forma significativa.
Impactos econômicos mais amplos
De fato, a ABA alerta que a ausência dessa análise pode comprometer decisões regulatórias. Dessa forma, políticas públicas podem ser baseadas em premissas incompletas, o que amplia o risco de efeitos indesejados no sistema bancário.
Assim sendo, a entidade defende uma abordagem mais abrangente, que considere não apenas o cenário atual, mas também possíveis trajetórias de expansão acelerada do mercado.
Expansão do mercado amplia preocupações
Outro ponto relevante envolve o tamanho do mercado analisado pelo CEA. Atualmente, o relatório considera um setor próximo de US$ 300 bilhões. No entanto, a ABA avalia que esse número pode subestimar o potencial de crescimento.
Segundo projeções citadas pela associação, o mercado de stablecoins pode alcançar entre US$ 1 trilhão e US$ 2 trilhões ao longo do tempo. Nesse cenário, o pagamento de rendimentos deixaria de ser um diferencial e passaria a atuar como mecanismo central de atração de capital.
Consequentemente, a migração de recursos poderia ocorrer de forma mais intensa. Com efeito, esse movimento tende a ampliar os impactos sobre o sistema bancário tradicional.
A ABA também citou análises internas que apontam efeitos regionais relevantes. Em um dos exemplos, o estado de Iowa poderia registrar redução entre US$ 4 bilhões e US$ 8 bilhões na oferta de crédito.
Além disso, esses impactos não seriam apenas teóricos. Pelo contrário, poderiam afetar diretamente economias locais, elevando custos de financiamento e reduzindo o acesso a crédito.
Pressão sobre bancos e crédito
Por conseguinte, a associação reforça que a expansão das stablecoins pode alterar de forma relevante a dinâmica financeira. Nesse contexto, bancos comunitários aparecem como os mais vulneráveis.
Em outras palavras, a ABA sustenta que reguladores não devem se basear apenas em estudos que apontam efeitos modestos da proibição de rendimentos. O risco mais relevante, segundo a entidade, está na liberação desses incentivos.
Como resultado, caso esse modelo avance, a migração de depósitos pode se intensificar. Isso tende a elevar custos bancários e, ao mesmo tempo, reduzir a oferta de crédito.
Em conclusão, a posição da ABA reforça a preocupação crescente com o avanço das stablecoins no sistema financeiro. Ainda que o relatório do governo destaque efeitos imediatos limitados, o crescimento do setor pode alterar a dinâmica de depósitos, crédito e custos bancários nos Estados Unidos.