Adequação regulatória vira filtro de mercado e tende a acelerar consolidação no setor cripto

Para a Coopfy, empresa de infraestrutura de compliance para ativos virtuais, o prazo de 30 de outubro transforma a capacidade de monitorar transações em condição de sobrevivência e pressiona as operações menores do setor

O principal risco para as empresas de criptoativos no Brasil em 2026 deixou de ser a oscilação de preço e passou a ser a capacidade de se adequar à regulação. A leitura é da Coopfy, empresa de infraestrutura de compliance para o mercado de ativos virtuais, que acompanha essa adequação na camada da transação. A partir de 30 de outubro, as prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs, ou VASPs) que já operam no país precisam ter protocolado o pedido de autorização junto ao Banco Central. Depois dessa data, instituições supervisionadas pela autoridade monetária ficam proibidas de realizar ou viabilizar operações com plataformas que não estejam autorizadas ou em processo de autorização.

“O custo de adequação não é só financeiro, é estrutural. A empresa precisa provar que consegue monitorar o que passa por ela, operação por operação, e conservar evidência disso. Quem não tem essa base não protocola, e quem não protocola sai”, afirma Fernando Zanatta, CEO da Coopfy.

A mudança consolida a passagem de um mercado que funcionava sem autorização específica para um regime que exige das VASPs os mesmos requisitos aplicados a instituições financeiras: governança, capacidade econômico-financeira, controles internos, prevenção à lavagem de dinheiro e segurança cibernética. O conjunto de exigências está distribuído nas Resoluções BCB 519, 520, 552 e 553, entre outras.

Esse custo de adequação não se distribui de forma uniforme. Estruturar controles, comprovar capital e sustentar uma operação de compliance no padrão do sistema financeiro tem um piso que pressiona de forma desproporcional as empresas menores. O resultado provável é uma redução no número de operadores independentes. Hoje, o Brasil tem uma estimativa de que cerca de 100 a 150 empresas do setor de criptoativos (como exchanges e custodiantes) operam de forma ativa no país, e a expectativa do mercado é que parte delas não chegue autorizada ao fim do prazo.

O movimento tende a abrir uma janela de fusões e aquisições. As operações que chegarem autorizadas a novembro passam a ser alvo de interesse, e o critério que pesa na mesa muda. Nesse tipo de negociação, a estrutura de controles deixa de ser detalhe operacional e entra na conta do valuation.

“Compliance deixou de ser centro de custo. Numa fusão ou aquisição, a estrutura de controles pesa tanto quanto a base de clientes, porque é ela que sustenta a autorização para operar. Quem investiu em governança está vendendo um ativo, não uma despesa”, diz Zanatta.

O desenho de como essa régua opera na prática já está posto. A Resolução BCB 584, publicada em agosto, estende ao setor cripto as regras de prevenção a fraudes que já valiam para o sistema de pagamentos. A partir de 1º de janeiro de 2027, transferências acima do equivalente a US$10 mil destinadas a carteiras autocustodiadas ou a prestadoras no exterior poderão ser retidas por até 24 horas para análise de risco. A retenção também alcança operações de valor menor quando os controles da empresa identificarem indício de fraude.

A norma coloca a decisão no ponto da transação. Não é o Banco Central que segura ou libera cada operação, é a instituição que a executa. Para dar conta disso sem interromper o usuário legítimo, a empresa depende de monitoramento transacional capaz de classificar o destino, agregar o movimento do cliente ao longo do dia e aplicar critério de risco em tempo de operação. É nesse ponto que a Coopfy atua.

“A trava de 24 horas não se resolve com um cronômetro. Alguém precisa decidir, a cada transferência, se ela segue ou fica, e sustentar essa decisão. Esse ponto de controle está na transação. É ali que o monitoramento precisa funcionar, senão a regra vira ou um gargalo para o cliente honesto ou uma porta aberta para o resto”, explica Zanatta.

O cenário que se forma até outubro é menos sobre preço e mais sobre quem tem estrutura para permanecer. A regulação brasileira passou a tratar compliance como condição de operação, e não como diferencial. Para o setor, isso redefine tanto quem sobrevive quanto quanto vale quem sobrevive.

Sobre a Coopfy

A Coopfy é uma empresa de infraestrutura para ativos digitais focada em compliance, monitoramento de transações e integração bancária. A companhia oferece soluções white label para instituições financeiras e empresas do setor cripto, combinando inteligência artificial, processos regulatórios e tecnologia de prevenção à lavagem de dinheiro para viabilizar operações seguras no mercado de ativos digitais.

*Comunicado de imprensa

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