Adobe cai 3% após projeção de receita decepcionar

As ações da Adobe caíram cerca de 3% no pregão estendido. A reação ocorreu após a empresa projetar uma receita trimestral ligeiramente abaixo das expectativas de Wall Street. Antes da queda, a cotação estava próxima de US$ 248,83. Além disso, os papéis já acumulavam perda de 29% no ano antes da divulgação dos resultados.

A empresa superou as estimativas no terceiro trimestre fiscal de 2026. No entanto, o mercado concentrou a atenção nas projeções para o quarto trimestre. A Adobe espera uma receita entre US$ 6,8 bilhões e US$ 6,85 bilhões no período. Assim, o ponto médio de US$ 6,825 bilhões ficou abaixo do consenso de US$ 6,85 bilhões.

Cartão da ação ADBE

Fonte: Knockoutstocks.

 

Resultados superam estimativas, mas guidance limita reação

A receita da Adobe no terceiro trimestre alcançou US$ 6,76 bilhões, com alta anual de 13%. O resultado também ficou cerca de 1% acima da projeção da própria companhia. Enquanto isso, o lucro por ação não GAAP chegou a US$ 6,13 e superou as estimativas dos analistas.

Para o quarto trimestre, a empresa estimou lucro por ação não GAAP entre US$ 6,30 e US$ 6,35. A faixa ficou alinhada à média de US$ 6,30 esperada pelos analistas. Ainda assim, a pequena diferença na previsão de receita pressionou as ações após o fechamento do mercado.

“Destaques dos resultados da Adobe no terceiro trimestre de 2026: a receita somou US$ 6,8 bilhões, ante a estimativa de US$ 6,69 bilhões. O valor representou uma alta anual de 13%. O lucro por ação ajustado alcançou US$ 6,13, ante a previsão de US$ 6,09, com crescimento de 15%.”

“O lucro por ação GAAP foi de US$ 4,62, com alta de 11%, enquanto o ARR atingiu US$ 27,5 bilhões. A empresa elevou sua projeção de receita para o ano fiscal de 2026. Agora, espera entre US$ 26,58 bilhões e US$ 26,63 bilhões, além de lucro por ação entre US$ 24,45 e US$ 24,50.”

Wall St Engine, no X.

A Adobe elevou em cerca de US$ 50 milhões sua projeção de receita para o ano fiscal de 2026. Dessa forma, a companhia incorporou ao guidance o desempenho acima do esperado no terceiro trimestre. Contudo, manteve a previsão de crescimento do ARR em 10,2% e a margem operacional em 45%.

Estratégia freemium desacelera adições de ARR

A receita recorrente anual total, conhecida como ARR, atingiu US$ 27,5 bilhões. As adições líquidas de ARR superaram as expectativas em cerca de US$ 400 milhões. Apesar disso, esse indicador caiu 38% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A Adobe atribuiu a queda ao direcionamento de mais demanda para experiências freemium, em vez de assinaturas pagas. Para o quarto trimestre, a projeção indica cerca de US$ 775 milhões em novas adições líquidas de ARR. Embora o montante quase dobre o resultado do terceiro trimestre, ainda representaria uma queda anual de 16%.

As obrigações de desempenho remanescentes cresceram 8%, enquanto as obrigações correntes avançaram 9%. Em contrapartida, ambos os indicadores haviam crescido 13% no segundo trimestre. Já a margem bruta ficou em 89,4%, refletindo o forte poder de precificação do portfólio de software.

O total de usuários ativos mensais superou 1 bilhão, após uma alta anual de 20%. Ao mesmo tempo, as ofertas criativas freemium passaram de 100 milhões de usuários ativos mensais, com avanço de 70%. Por sua vez, o ARR de produtos voltados prioritariamente à inteligência artificial superou US$ 650 milhões, após crescer 150%.

Troca de CEO aumenta cautela entre investidores

A Adobe anunciou que Anil Chakravarthy assumirá o cargo de CEO em 1º de dezembro. Ele liderava a divisão de software de marketing e análise de dados da companhia. A escolha chamou atenção porque essa unidade é menor que o principal negócio criativo da empresa.

David Wadhwani, outro candidato interno e responsável pela área criativa, deixará a companhia ainda neste mês. Depois dos resultados, o Morgan Stanley reiterou a recomendação Underweight para a Adobe. O banco também manteve o preço-alvo de US$ 240 e citou evidências limitadas de uma inflexão nos negócios.

O crescimento dos produtos ligados à inteligência artificial representa um ponto positivo para a Adobe. Mesmo assim, os investidores avaliam se esse avanço compensará a pressão de ferramentas concorrentes de IA. Essas plataformas permitem que usuários criem conteúdo sem recorrer aos produtos da empresa.