Akash: migração para Solana encerraria staking atual
A proposta de migração da Akash para a Solana encerraria as recompensas de staking financiadas pela inflação na blockchain atual. Ao mesmo tempo, o modelo econômico preliminar permitiria novas emissões de AKT para incentivar provedores e financiar o tesouro comunitário. Assim, a mudança alteraria tanto a remuneração dos detentores quanto a distribuição futura do AKT.
A Akash opera um marketplace descentralizado de computação em nuvem. Atualmente, o AKT ajuda a governar e proteger sua blockchain soberana, baseada no ecossistema Cosmos. Por isso, a transferência para a Solana ocorreria em etapas, com efeitos distintos sobre saldos, staking e oferta futura.
Proposta separa migração e recompensas de staking
A Proposta 346 seguia em votação em 2 de novembro. O prazo terminaria no mesmo dia, às 15h02min58s UTC. Se a comunidade aprovasse o texto, ele autorizaria a migração e o portal de conversão dos tokens.
A conversão de um AKT antigo para um SPL AKT preservaria o saldo elegível na proporção de um para um. No entanto, essa equivalência não manteria automaticamente a renda associada ao staking. Logo, os detentores precisam separar a conversão dos saldos das futuras condições de remuneração.
A proposta divide a aprovação, o lançamento do SPL AKT, a transição do marketplace e o encerramento posterior da antiga blockchain. A inflação e as recompensas de staking terminariam quando o marketplace migrasse. Noventa dias depois, a rede encerraria as funções e receitas dos validadores ao interromper a blockchain anterior.
O texto prevê o lançamento do SPL AKT e do portal unidirecional entre duas e três semanas após a aprovação. Antes disso, a equipe precisaria concluir as auditorias do novo token e do portal. Enquanto isso, a migração do marketplace dependeria de testes, simulações e outra proposta de governança.
Documentos apresentam fluxos diferentes para o portal
A proposta em votação descreve uma transação que inicia o unbonding, resgata recompensas e agenda a migração após 21 dias. Nesse processo, o unbonding representa o período necessário para retirar o AKT do staking. Contudo, versões anteriores da documentação apresentam outros prazos para essas etapas.
O rascunho técnico de 20 de outubro previa sete dias até o lançamento e 14 dias de unbonding. Já uma publicação de 26 de outubro indicava duas semanas até o lançamento e 21 dias antes do uso do portal. Portanto, as instruções finais auditadas ainda precisam conciliar as diferenças entre os documentos.
Em sua explicação de 26 de outubro, Greg Osuri afirmou que a Akash anunciaria novos mecanismos de staking antes da transição. Ainda assim, a declaração não apresentou rendimento, fórmula de pagamento ou condições finais. Dessa forma, os detentores ainda não conhecem os detalhes do possível substituto para o staking atual.
Modelo prevê novas emissões de AKT
O desenho de migração AEP-79 prevê emissões destinadas aos provedores e ao tesouro comunitário. O documento aponta emissões brutas menores como direção pretendida. Porém, ele deixa a curva numérica para etapas posteriores de modelagem e governança.
Desse modo, um detentor poderia perder a renda atual do staking financiado pela inflação. Enquanto isso, a rede poderia emitir novos AKT para outras finalidades. Em outras palavras, essas emissões ampliariam a oferta sem aumentar automaticamente o saldo dos detentores passivos.
Primeiro, o modelo econômico precisa definir a taxa bruta e o ritmo de redução das emissões. Depois, a governança deverá estabelecer a divisão entre os destinatários e um limite cumulativo rígido. Esses fatores determinarão quanto AKT poderá entrar em circulação e como sua distribuição mudará.
O rascunho de migração dos tokens estabelece um teto cumulativo para os incentivos, separado do orçamento de migração. Entretanto, o documento ainda não informa um valor numérico. Após a ratificação, a governança não poderia elevar esse limite.
A organização autônoma descentralizada ainda poderia ajustar o cronograma das emissões dentro do teto, mediante um período de espera. Além disso, um guardião teria poder para interromper temporariamente o programa. Caso o modelo não fosse ratificado antes da fotografia da oferta, as emissões começariam em zero. Nesse cenário, a governança precisaria autorizar uma ativação posterior.

Fonte: documentação da Akash sobre a proposta de migração.
Créditos de computação podem afetar a oferta
Os pagamentos por computação também podem alterar a quantidade de AKT disponível para negociação. Contudo, esse efeito dependerá do modelo contábil adotado. Por essa razão, o roadmap e a arquitetura proposta para a Solana descrevem limites diferentes para o mecanismo.
O roadmap AEP-76 descreve o ACT como um crédito de computação não transferível e denominado em dólar. O modelo de equilíbrio entre queima e emissão vincula esses créditos ao AKT retirado da circulação líquida. Mesmo assim, o uso da capacidade computacional não comprova uma queima líquida permanente.
O modelo detalhado do cofre utiliza primeiro o AKT removido anteriormente e os créditos emitidos novamente. Se esses recursos não cobrirem um pagamento, o documento prevê a emissão da diferença. Por outro lado, a arquitetura proposta para a Solana proíbe expressamente que o programa BME emita AKT.
Já a arquitetura da Solana determina que o AKT usado para ACT permaneça em um cofre como garantia. Os resgates de ACT sairiam desse mesmo cofre. Além disso, o documento mantém em aberto o uso de pagamentos da rede atual ou de novas emissões na implementação.
Portanto, a análise da oferta exige separar o AKT representado na migração, as emissões de incentivos e a garantia dos créditos de computação. Um saldo temporariamente indisponível para negociação não equivale a uma destruição permanente. O portal permaneceria aberto por dois anos, e a migração seria irreversível. Antes da futura votação sobre a transição, a Akash deverá publicar a curva de emissões e outros detalhes econômicos.
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