Alte. Samuel Paparo cita Bitcoin como ferramenta valiosa
O almirante Samuel Paparo, comandante do Comando Indo-Pacífico dos Estados Unidos (INDOPACOM), afirmou que o Bitcoin deve ser entendido como uma ferramenta relevante de ciência da computação aplicada à segurança nacional. A declaração ocorreu durante audiência no Senado, em 21 de abril de 2026, e representa uma das posições mais explícitas já adotadas por um alto oficial militar dos Estados Unidos.
O posicionamento surgiu durante uma audiência sobre o orçamento de defesa para o ano fiscal de 2027. Na ocasião, o senador Tommy Tuberville questionou Paparo sobre o valor estratégico do ativo frente à China, especialmente no Indo-Pacífico.
Em resposta, o comandante destacou que o Bitcoin já se consolidou como tecnologia. Além disso, descreveu o sistema como uma rede de transferência de valor ponto a ponto baseada em confiança zero. Nesse sentido, afirmou que qualquer inovação capaz de fortalecer os instrumentos de poder nacional deve ser considerada positivamente.
Arquitetura tecnológica ganha foco na defesa
Segundo Paparo, o interesse do INDOPACOM não está no aspecto especulativo do ativo. Pelo contrário, o foco recai sobre sua arquitetura tecnológica. Em outras palavras, a combinação de cripto, blockchain e prova de trabalho forma um sistema robusto, com possíveis aplicações diretas na defesa.
Além disso, o almirante afirmou que esses protocolos aumentam a segurança das redes digitais. Ao mesmo tempo, elevam os custos operacionais para adversários, criando uma barreira estratégica relevante no ambiente cibernético.
Essa visão dialoga com estudos no setor de defesa. O major Jason Lowery, da Força Espacial dos Estados Unidos e pesquisador do Massachusetts Institute of Technology (MIT), sustenta que o modelo do Bitcoin pode operar de forma semelhante a ativos militares tradicionais.
De acordo com essa lógica, o alto custo energético e computacional da prova de trabalho atua como proteção contra ataques. Assim, a segurança do sistema passa a depender diretamente do investimento necessário para comprometê-lo.
Prova de trabalho como mecanismo de dissuasão
De fato, a prova de trabalho vem sendo analisada como ferramenta de segurança nacional. Isso ocorre porque, além de validar transações, impõe custos tangíveis a potenciais invasores. Dessa forma, o modelo amplia sua relevância para além do mercado de criptomoedas.
Ao mesmo tempo, o avanço das ameaças digitais reforça esse entendimento. À medida que conflitos migram para o ambiente virtual, tecnologias resilientes tornam-se essenciais. Por consequência, o Bitcoin passa a integrar discussões mais amplas sobre infraestrutura estratégica.
Bitcoin entra na disputa geopolítica
Durante a audiência, Tommy Tuberville destacou que o interesse pelo Bitcoin não se limita aos Estados Unidos. A China também intensificou estudos sobre o ativo, indicando uma disputa crescente por liderança tecnológica.
Um dos exemplos citados foi o relatório do Instituto Monetário Internacional da China, intitulado “The Case for Bitcoin as a Reserve Asset”. O documento analisa o potencial do Bitcoin como ativo de reserva, sugerindo mudança relevante na percepção institucional do país.
Enquanto isso, os Estados Unidos avançam em iniciativas práticas. Em março de 2025, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para criar uma reserva estratégica de Bitcoin. A medida prevê o uso de ativos apreendidos em processos judiciais, com foco em manutenção de longo prazo. A Casa Branca determinou que as reservas de BTC do governo não sejam vendidas, tratando-as como ativos de reserva de longo prazo — o que o consultor de políticas de criptomoedas David Sacks chamou de “um Fort Knox digital”.
Além disso, Tuberville é copatrocinador de um projeto de lei, BITCOIN Act, que propõe a aquisição gradual de até 1 milhão de BTC pelo Tesouro dos EUA. A proposta segue lógica semelhante à das reservas de ouro, tratando o ativo como componente estratégico.
Posicionamento militar e próximos passos
Apesar das declarações, Paparo evitou sugerir medidas legislativas específicas em sessão pública. Ainda assim, indicou que análises mais detalhadas podem ocorrer em ambientes confidenciais.
Como resultado, o Bitcoin deixa de ser visto apenas como ativo financeiro e passa a integrar debates sobre segurança, defesa e projeção de poder. Nesse cenário, tanto Estados Unidos quanto China ampliam estudos sobre seu papel em reservas estratégicas e na geopolítica global.
Em suma, o avanço institucional reforça o enquadramento do Bitcoin como tecnologia crítica, com implicações que vão além do mercado e alcançam a segurança internacional.