AMD cai 7%, mas bancos elevam alvos até US$ 700

As ações da Advanced Micro Devices, Inc. (AMD) sofreram forte correção nesta semana, embora analistas de grandes instituições financeiras tenham mantido uma leitura otimista para a companhia. O movimento ganhou força após notícias de que a Meta Platforms poderia monetizar capacidade excedente de computação para inteligência artificial, o que levantou dúvidas sobre uma possível desaceleração futura nas compras de chips.

Em 1º de julho de 2026, os papéis da AMD encerraram o pregão com recuo de 6,89%. Assim, parte do mercado passou a avaliar que, se a Meta oferecer infraestrutura excedente de IA a clientes externos, poderá precisar de menos encomendas adicionais de semicondutores no futuro.

Antes da correção, porém, a AMD acumulava valorização superior a 150% em 2026. Dessa forma, o contraste entre a forte alta anterior e a queda recente recolocou a ação no centro do debate sobre preço, demanda e valuation.

Demanda por IA sustenta tese positiva

Gil Luria, analista da D.A. Davidson, manteve sua avaliação positiva para a empresa, embora tenha reconhecido pressões de curto prazo. Segundo sua análise, a Nvidia continua dominante no mercado de chips para inteligência artificial. No entanto, a AMD segue conquistando contratos relevantes com clientes que buscam diversificar fornecedores.

Para Luria, a demanda global por capacidade computacional para IA ainda supera a oferta disponível. Em outras palavras, o mercado de infraestrutura para inteligência artificial continua apertado. Por isso, a visão construtiva para a AMD permanece válida em um horizonte mais longo, apesar da volatilidade recente.

Além disso, o cenário competitivo segue favorável para empresas capazes de entregar desempenho em escala para data centers e aplicações avançadas de IA. Nesse sentido, a AMD preserva espaço para ampliar sua presença entre grandes operadoras de nuvem e clientes corporativos.

Wells Fargo, UBS e Cantor elevam preço-alvo

A leitura positiva também apareceu nas novas revisões de preço-alvo feitas por Wall Street. Aaron Rakers, do Wells Fargo, elevou sua projeção para as ações da AMD de US$ 505 para US$ 615 e reiterou recomendação Overweight.

Segundo o analista, o otimismo decorre da aceleração da adoção da família de chips de servidor EPYC. Esse avanço ocorre à medida que hiperescaladoras de nuvem ampliam sua infraestrutura voltada à inteligência artificial.

Rakers também projeta que a AMD poderá registrar lucro superior a US$ 20 por ação ao ano antes do que prevê o consenso do mercado. Assim, essa estimativa reforça a percepção de que a expansão da companhia não depende apenas de um ciclo pontual. Ela também reflete a combinação entre servidores tradicionais e aceleradores de IA.

No UBS, Timothy Arcuri aumentou seu preço-alvo para US$ 670, ante US$ 455 anteriormente, e manteve recomendação de compra. Conforme sua avaliação, o avanço de aplicações de IA agêntica pode impulsionar demanda adicional por CPUs de servidores. Nesse cenário, a AMD estaria bem posicionada para ganhar participação de mercado, enquanto a Intel enfrenta seus próprios desafios operacionais e tecnológicos.

Receita forte convive com valuation exigente

A visão mais agressiva entre as grandes casas veio da Cantor Fitzgerald. C.J. Muse elevou seu preço-alvo para US$ 700, ante US$ 500, e manteve classificação Overweight. Ademais, definiu a AMD como sua principal escolha de investimento no setor de computação.

Para Muse, a demanda por chips de IA e por ferramentas ligadas à cadeia de semicondutores deve continuar forte por vários anos. Portanto, a queda recente não mudou a tese de crescimento estrutural defendida por parte relevante de Wall Street.

Em paralelo, documentos regulatórios indicaram que a presidente-executiva Lisa Su receberá, em 15 de agosto de 2026, uma remuneração em ações avaliada em US$ 36 milhões, conforme o plano 2023 Equity Incentive Plan da empresa. Além disso, outros executivos também foram contemplados com pacotes relevantes.

O diretor de tecnologia Mark Papermaster deverá receber US$ 10 milhões em ações. A diretora financeira Jean Hu terá um lote de US$ 9 milhões. O diretor comercial Forrest Norrod receberá US$ 8 milhões, enquanto o presidente para Europa, Oriente Médio e África, Darren Grasby, ficará com US$ 7,5 milhões.

Essas concessões aparecem em meio a um momento operacional robusto. No primeiro trimestre fiscal de 2026, a AMD reportou crescimento de receita de 38% na comparação anual, alcançando US$ 10,25 bilhões. Aliás, esse desempenho ajuda a explicar por que muitos analistas continuam defendendo a tese positiva para a companhia, mesmo após a correção recente.

Consenso segue comprador, mas preço divide mercado

A TipRanks mostra que a AMD possui consenso Strong Buy, com base em 28 recomendações de compra e sete de manutenção. Ainda assim, o preço-alvo médio de Wall Street está em US$ 509,75, o que sugere cerca de 5,76% de potencial de queda em relação aos níveis recentes de negociação.

Em outras palavras, apesar do apoio de muitos analistas, nem todo o mercado considera que a correção de 6,89% tenha tornado a ação automaticamente barata. Por outro lado, as revisões altistas para US$ 615, US$ 670 e US$ 700 mostram que parte relevante das casas de análise ainda aposta em expansão adicional.

Após o fechamento do pregão de terça-feira, os papéis da AMD ainda recuavam mais 1,19% nas negociações posteriores ao fechamento. Portanto, o quadro combina queda semanal de 6,89%, crescimento anual de receita de 38% para US$ 10,25 bilhões e avaliação de que a demanda global por infraestrutura de IA continua acima da oferta disponível.

Para investidores que acompanham semicondutores, a correção da AMD reforça a sensibilidade do mercado a qualquer sinal sobre o ritmo de gastos com infraestrutura de IA. Nesse sentido, decisões de grandes clientes de nuvem seguem como um dos principais vetores para as ações de fabricantes de chips em 2026.