AMD projeta 35% ao ano no mercado de CPUs

A AMD projeta um ciclo de forte expansão no mercado de CPUs para servidores, com crescimento anual superior a 35% nos próximos cinco anos. Segundo a CEO Lisa Su, essa trajetória pode levar o setor a ultrapassar US$ 120 bilhões até 2030, impulsionado principalmente pela evolução da inteligencia artificial.

De acordo com a executiva, a nova estimativa representa uma revisão relevante em relação às projeções anteriores. Em novembro de 2025, a empresa indicava crescimento entre 18% e 20% ao ano. Agora, o novo patamar praticamente dobra essa expectativa, o que sinaliza uma mudança estrutural no setor.

Conforme apresentado por Lisa Su em eventos realizados em maio de 2026, em Taipei, a transformação decorre sobretudo da mudança no uso da IA. A princípio, o foco estava no treinamento de modelos. Contudo, atualmente, a demanda migra para a fase de inferência, alterando a dinâmica de hardware nos data centers.

IA amplia o papel das CPUs nos data centers

Nos últimos anos, as GPUs dominaram o debate sobre infraestrutura de inteligência artificial, pois lidam melhor com processamento paralelo em larga escala. Assim, empresas como a Nvidia ganharam protagonismo no treinamento de modelos avançados.

No entanto, há uma distinção importante entre treinar modelos e colocá-los em operação. A inferência, isto é, o uso prático dos modelos, nem sempre exige o mesmo poder computacional extremo. Nesse sentido, as CPUs passam a desempenhar um papel mais relevante.

Além disso, a ascensão da chamada IA agentic reforça essa tendência. Esse modelo envolve agentes autônomos capazes de executar múltiplas etapas de raciocínio. Portanto, exige uma arquitetura mais equilibrada entre diferentes tipos de chips.

Com efeito, as CPUs tornam-se essenciais para a coordenação de tarefas, o gerenciamento de memória e a execução de lógica sequencial. Dessa forma, à medida que a IA evolui, os data centers passam a depender mais desse tipo de processamento.

Segundo a própria AMD, essa mudança já começa a impactar decisões de investimento em infraestrutura. Ao mesmo tempo, empresas buscam otimizar custos e eficiência energética, o que também favorece o uso mais amplo de CPUs.

Transição do treinamento para inferência

Em primeiro lugar, o treinamento de modelos segue relevante. Contudo, em segundo lugar, a escala da inferência cresce rapidamente, já que aplicações comerciais exigem respostas em tempo real.

Além disso, soluções baseadas em inteligência artificial estão sendo integradas a diversos setores. Como resultado, a demanda por processamento contínuo aumenta de forma consistente.

Assim sendo, essa transição favorece arquiteturas híbridas, que combinam GPUs e CPUs de maneira complementar. Dessa maneira, o mercado total de semicondutores tende a se expandir.

Desempenho recente sustenta projeção da AMD

As projeções da AMD se apoiam em seu desempenho recente. A empresa vem registrando crescimento consistente na divisão de data centers, impulsionado principalmente pelos processadores EPYC.

Além disso, a companhia tem ampliado sua participação frente à Intel. Esse avanço ocorre à medida que grandes provedores de nuvem e clientes corporativos aumentam a adoção de suas soluções.

Vale destacar que esse cenário contrasta com o passado da empresa. Quando Lisa Su assumiu a liderança em 2014, a AMD enfrentava dificuldades financeiras e perda de relevância. Entretanto, ao longo de uma década, a companhia se reposicionou como concorrente sólida no setor.

Por conseguinte, a nova projeção não reflete apenas um aumento pontual de demanda. Pelo contrário, indica uma transformação estrutural no mercado de computação.

Concorrência e novos participantes

Apesar do avanço da AMD, a Intel ainda lidera o mercado de CPUs para servidores. Contudo, a expansão do setor pode beneficiar ambas as empresas.

Ao mesmo tempo, gigantes da tecnologia como Amazon, Google e Microsoft investem em chips próprios. Dessa forma, surge uma nova camada de competição no mercado.

Além disso, esse movimento amplia as possibilidades de inovação, embora também pressione fornecedores tradicionais a acelerar o desenvolvimento de novas soluções.

Impactos para investidores e mercado global

Embora projeções corporativas exijam cautela, a tese da AMD encontra respaldo em tendências amplas da indústria. A expansão da IA, antes concentrada em GPUs, agora inclui maior participação das CPUs.

Isso não reduz a relevância das GPUs. Pelo contrário, amplia o mercado total de computação e cria novas oportunidades para diversos players.

Para investidores, o ponto central será a execução. A capacidade da AMD de entregar produtos competitivos dentro dos prazos será determinante para capturar esse crescimento.

Além disso, indicadores como receita da divisão de data centers e volume de pedidos devem sinalizar se a projeção se confirma. Em suma, os próximos trimestres tendem a ser decisivos para validar essa expectativa de crescimento acelerado.