American corta lucro previsto de 2026; ação cai 8%

As ações da American Airlines recuaram cerca de 8% no pregão de quinta-feira, depois que a companhia reduziu de forma relevante sua projeção de lucro para 2026. Ainda assim, o balanço do segundo trimestre superou as estimativas do mercado em receita e lucro ajustado. No pré-mercado, os papéis chegaram perto de US$ 14,24 e ampliaram a distância em relação à média móvel de 50 dias.

No segundo trimestre, a American Airlines reportou lucro ajustado de US$ 0,15 por ação. Assim, o resultado ficou acima da projeção consensual de Wall Street, que apontava apenas US$ 0,03 por ação. A receita total somou US$ 16,74 bilhões, alta de 16,3% na comparação anual e levemente acima da expectativa de analistas, de US$ 16,71 bilhões.

Apesar desses números, o mercado concentrou a atenção nas novas sinalizações para os próximos trimestres e para o ano cheio. A empresa agora espera encerrar 2026 com lucro ajustado por ação entre prejuízo de US$ 0,65 e ganho de US$ 0,65. Em abril, a faixa anterior indicava resultado entre perda de US$ 0,40 e lucro de US$ 1,10 por ação.

Fonte: Wall St Engine no X

Combustível pressiona guidance da companhia aérea

Segundo a companhia, a principal pressão por trás da revisão é a disparada do combustível de aviação. Afinal, esse item representa a segunda maior despesa da empresa, atrás apenas da mão de obra. Em 2026, a alta de preços tem sido difícil de compensar integralmente, mesmo com reajustes tarifários.

Para o terceiro trimestre, a American Airlines prevê prejuízo entre US$ 0,70 e US$ 0,10 por ação. Dessa forma, o guidance ficou bem abaixo da expectativa de analistas, que projetavam lucro de US$ 0,26 por ação no período. Por outro lado, a companhia indicou crescimento de receita entre 16% e 19%, acima da estimativa de Wall Street de 16,6%.

Além disso, o consenso para 2026 antes da revisão apontava lucro de US$ 0,61 por ação. Agora, com a nova orientação, a expectativa da própria empresa passa a girar em torno do ponto de equilíbrio. Nesse sentido, o mercado reagiu com cautela, mesmo após um trimestre melhor que o esperado.

Rentabilidade segue abaixo de Delta e United

O presidente-executivo Robert Isom afirmou no mês passado que a American Airlines trabalha para reduzir a diferença de rentabilidade em relação a concorrentes como Delta Air Lines e United Airlines. Ainda assim, os dados mais recentes indicam que essa distância aumentou. Além disso, o executivo não apresentou um prazo específico para a companhia atingir paridade com as rivais.

No campo operacional, a empresa planeja elevar sua capacidade de voos em até 5% no terceiro trimestre. Ao mesmo tempo, Robert Isom disse que a American Airlines pretende fazer pedidos de novas aeronaves de fuselagem larga ainda neste ano. Ademais, a companhia quer reconfigurar aviões já existentes com mais assentos premium, categoria que costuma gerar maior receita.

Em mensagem enviada a funcionários na quinta-feira, Robert Isom afirmou que, embora ainda haja trabalho pela frente, o progresso da companhia é real. Ainda assim, investidores cobraram metas mais claras para a recuperação das margens.

Lucro líquido despenca apesar da alta de receita

Embora a receita tenha superado as previsões, o lucro líquido da American Airlines caiu 88% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O resultado recuou de US$ 599 milhões, ou US$ 0,91 por ação, para US$ 71 milhões, ou US$ 0,11 por ação.

Outro indicador relevante, a receita de passageiros por assento-milha disponível, subiu 10% na base anual. Esse dado ajuda o mercado a medir o poder de precificação da companhia. Portanto, o avanço sugere que a demanda dos consumidores segue resiliente, apesar do aumento das pressões de custo.

Em suma, a American Airlines entregou um segundo trimestre acima do consenso em lucro ajustado e receita. No entanto, a revisão do guidance para 2026 e a previsão de prejuízo no terceiro trimestre dominaram a leitura do mercado. Assim, mesmo com crescimento de receita entre 16% e 19% esperado para o próximo trimestre, investidores seguem atentos ao efeito do combustível sobre as margens da companhia.