Amir Taaki relata deportação após interrogatório em Singapura

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O programador britânico-iraniano Amir Taaki, conhecido por suas contribuições iniciais ao Bitcoin, afirmou que autoridades de Singapura o deportaram após um interrogatório policial. Na terça-feira, ele relatou que agentes locais o questionaram durante seis horas sobre seu trabalho. Em seguida, conforme seu relato, as autoridades determinaram sua saída do país. No entanto, Taaki não apresentou documentos oficiais sobre a medida.

Taaki atua há anos em defesa da privacidade e da autonomia digital no setor de criptomoedas. Por isso, ele associou a abordagem em Singapura às atividades que desenvolve nesse segmento. Para o programador, as autoridades adotaram uma tática conduzida nas sombras.

Programador relata seis horas de interrogatório

Em uma publicação no X, Amir Taaki disse que permaneceu sob questionamento por seis horas. De acordo com ele, os agentes fizeram perguntas sobre seus projetos e sua atuação no mercado de criptomoedas. O programador também acusou autoridades de atribuírem falsas acusações de lavagem de dinheiro a seus amigos. Ainda assim, ele afirmou que os agentes não apresentaram acusações contra ele.

“Acabei de ser interrogado por seis horas pela polícia e depois deportado de Singapura. Eles perguntaram sobre tudo em que trabalho. O regime extralegal acusa meus amigos de coisas falsas, como lavagem de dinheiro. Mas não têm nada contra mim, então atacam nas sombras. São táticas fracas e covardes.”

Taaki também afirmou que enfrentou situações semelhantes em outros países durante o último ano. Segundo ele, Argentina e México o deportaram, enquanto Sérvia e Japão o detiveram por breves períodos. Já as autoridades envolvidas não teriam apresentado motivos explícitos para as abordagens. Contudo, o programador não detalhou as datas de cada episódio.

Quando questiona a razão das medidas, Taaki afirma que recebe como resposta a justificativa de uma verificação aleatória. Entretanto, ele acredita que seu nome pode integrar alguma lista de sanções ou restrições. O programador disse não conseguir identificar qual país teria adotado essa medida. Assim, ele permanece sem uma explicação oficial para as abordagens recorrentes.

Atuação na Síria ampliou escrutínio internacional

Em 2016, Taaki viajou à Síria e atraiu a atenção de autoridades internacionais. Na ocasião, ele lutou ao lado das Unidades de Proteção Popular, conhecidas pela sigla YPG, contra o Estado Islâmico. O programador permaneceu três meses e meio com o grupo. Depois, passou a trabalhar com iniciativas de desenvolvimento comunitário no país.

Após retornar ao Reino Unido, Taaki teria enfrentado maior escrutínio das autoridades britânicas. Paralelamente, ele ampliou sua atuação como defensor da privacidade e da autonomia digital. Desde então, seu trabalho se concentra especialmente em tecnologias destinadas ao ecossistema de criptomoedas.

Contribuições de Amir Taaki à privacidade do Bitcoin

Nos primeiros anos do Bitcoin, Amir Taaki participou do desenvolvimento de ferramentas voltadas à privacidade. Entre suas contribuições estão implementações iniciais do CoinJoin e de endereços furtivos. Além disso, ele criou a biblioteca libbitcoin. O programador também estabeleceu a primeira exchange de Bitcoin do Reino Unido.

Taaki escreveu ainda a BIP 0001, proposta que formalizou o processo das Propostas de Melhoria do Bitcoin. Com isso, desenvolvedores passaram a contar com um mecanismo organizado para apresentar mudanças no protocolo. Dessa forma, a proposta ajudou a orientar o desenvolvimento colaborativo da rede. Na prática, esse processo permanece relevante para a evolução técnica do Bitcoin.

Desenvolvimento do protocolo DarkFi

Atualmente, Taaki lidera o desenvolvimento do DarkFi, protocolo de código aberto voltado à privacidade. O projeto busca ampliar o anonimato em redes descentralizadas. Para isso, utiliza criptografia avançada na construção de sistemas anônimos e resistentes à censura. Assim, a iniciativa reflete a defesa de Taaki pela autonomia digital.

Ao mesmo tempo, o programador continua defendendo tecnologias que protejam indivíduos contra a vigilância digital. Enquanto relata interrogatórios e deportações, Taaki afirma que não recebe justificativas oficiais. Até agora, ele diz não ter identificado a origem das aparentes restrições internacionais.

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