Análise Ripio: BTC na primeira metade de abril
*Análise escrita pela Ana de Mattos, Analista Técnica e Trader Parceira da Ripio, uma das maiores plataformas de criptoativos da América Latina.
Entre 1 e 16 de abril, o mercado cripto foi impulsionado principalmente pela combinação entre o risco geopolítico no Oriente Médio e a condução da política monetária nos Estados Unidos. No início do período, a possibilidade de cessar-fogo entre EUA e Irã reduziu o prêmio de risco no petróleo, melhorou o apetite por ativos de risco nas bolsas e abriu espaço para a recuperação do Bitcoin, que saiu da faixa dos US$ 68 mil e avançou para a região dos US$ 75 mil.
Esse movimento, no entanto, não foi linear. O payroll dos Estados Unidos, divulgado no dia 3, veio mais forte do que o esperado, enquanto a ata do Fed, publicada no dia 8, reforçou a preocupação com a inflação ainda persistente. Na prática, esses dados sustentaram a perspectiva de juros elevados por mais tempo e impediram um movimento mais consistente de alta nos ativos de risco.
Com isso, o mercado oscilou entre o otimismo gerado pelo alívio geopolítico e a cautela em relação à política monetária, e o Bitcoin também acompanhou essa dinâmica.
No mercado cripto, o principal suporte veio do fluxo institucional. Março já havia terminado com entrada líquida de US$ 1,32 bilhão nos ETFs de Bitcoin, marcando o primeiro saldo mensal positivo desde outubro de 2025. Em abril, o movimento deu sinais de continuidade, incluindo uma entrada de US$ 471,3 milhões em um único dia (6).
Além do fluxo para os ETFs, o mercado também recebeu novos sinais de avanço da institucionalização do Bitcoin. O Morgan Stanley lançou seu primeiro ETF spot de Bitcoin (MSBT) no dia 8, enquanto o Goldman Sachs protocolou seu produto no dia 14. Esses movimentos reforçaram a percepção de que o capital institucional voltou a enxergar o Bitcoin como um ativo relevante na composição de portfólio. Esse fluxo é importante porque dá sustentação ao mercado à vista e reduz a dependência exclusiva de capital especulativo.
Ainda assim, naquele momento, os fatores macroeconômicos tiveram peso maior na formação dos preços. Em um ambiente mais pressionado por risco geopolítico, petróleo e juros elevados, o mercado passou a reagir mais fortemente ao comportamento do dólar, dos Treasuries e da aversão global ao risco. Por isso, mesmo com o suporte institucional, o Bitcoin seguiu sensível a essas variáveis.
A dinâmica atual do mercado é a de uma recuperação dentro de uma faixa ainda sem direção definida. Um dos episódios mais relevantes desse movimento ocorreu no dia 14, quando o Bitcoin superou brevemente os US$ 76 mil e provocou a liquidação de mais de US$ 530 milhões em posições vendidas no mercado futuro. Isso indica que parte da alta foi impulsionada por ajuste de posicionamento, e não apenas por entrada líquida de nova demanda.
O conjunto desses eventos aponta para um mercado com viés positivo no curto prazo, mas ainda dependente de fatores externos para sustentar esse movimento. O Bitcoin subiu porque a tensão geopolítica perdeu força temporariamente e com a retomada do fluxo institucional, mas essa recuperação ainda continua condicionada ao comportamento do petróleo, da inflação e dos juros nos Estados Unidos.
Para o investidor cripto, o ponto central neste momento é entender que o mercado já não responde apenas às narrativas internas do setor. Hoje, a precificação passa pela interação entre guerra, energia, Fed, fluxo nos ETFs e posicionamento no mercado de derivativos. Mais do que acompanhar apenas o preço, faz sentido observar se o petróleo continua cedendo, se o Fed adota um tom mais duro e se as entradas nos ETFs seguem firmes, porque é essa combinação que, neste momento, define a capacidade do mercado de sustentar ou perder tração.
No gráfico, vemos que o Bitcoin superou momentaneamente a resistência dos US$ 76.000, mas retornou para a faixa dos US$ 75.460. Para que ocorra o rompimento do nível acima dos US$ 76.000, é necessário que entre força compradora no curto prazo. Neste caso, o próximo alvo de médio prazo está na faixa dos US$ 85.500.
Se o fluxo vendedor reverter a alta atual, os próximos pontos de suporte estão em US$ 74.800 e US$ 69.150.
*Comunicado de imprensa.