Analista da Bloomberg vê risco de Bitcoin cair a US$ 10 mil

O Bitcoin pode enfrentar uma correção significativa em um cenário de deterioração das condições macroeconômicas globais. A avaliação é de Mike McGlone, estrategista sênior de commodities da Bloomberg Intelligence.

Segundo o analista, a principal criptomoeda do mercado poderia recuar até a região de US$ 10 mil caso ocorra um ciclo mais amplo de redução de liquidez e queda de ativos de risco. A projeção foi mencionada em uma análise recente em vídeo, na qual McGlone revisitou previsões feitas durante o colapso do mercado em 2018.

Naquele período, ao comentar o movimento de queda do mercado, o estrategista afirmou que o Bitcoin poderia “perder um zero” em seu preço. Na época, o ativo era negociado perto de US$ 10 mil, o que implicaria uma possível queda para algo próximo de US$ 1 mil.

O fundo daquele ciclo acabou ocorrendo por volta de US$ 3 mil. Ainda assim, McGlone avalia que a previsão capturou parcialmente a direção do movimento.

“Eu diria que acertei cerca de 70% e errei 30%”, afirmou o estrategista ao relembrar a projeção.

Integração ao sistema financeiro mudou dinâmica

Nos últimos anos, o Bitcoin passou por um ciclo expressivo de valorização e chegou a superar a marca de US$ 100 mil em momentos recentes. Parte desse movimento ocorreu com o aumento da participação institucional e maior integração do ativo ao sistema financeiro tradicional.

Além disso, a aprovação de ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos ampliou o acesso de grandes investidores ao mercado. Nesse contexto, o ativo passou a ganhar maior presença em portfólios institucionais.

No entanto, McGlone argumenta que essa institucionalização também alterou o comportamento do Bitcoin. Segundo ele, a criptomoeda passou a reagir de forma mais próxima de outros ativos de risco, tornando-se mais sensível a fatores macroeconômicos como juros, liquidez e crescimento econômico.

Dessa forma, ciclos de mercado marcados por aperto monetário podem provocar correções mais amplas. Caso padrões históricos se repitam, o fenômeno de “perder um zero” no preço poderia voltar a aparecer em algum momento do ciclo.

Considerando que o Bitcoin já negociou acima de US$ 100 mil, uma retração dessa magnitude levaria o ativo para a região de US$ 10 mil. McGlone reconhece que se trata de um cenário extremo, mas afirma que ele não pode ser totalmente descartado em um ambiente de forte contração de liquidez global.

Crescimento do setor amplia disputa por capital

Outro ponto destacado pelo estrategista é a expansão acelerada do mercado de cripto. Quando o Bitcoin surgiu, em 2009, praticamente não havia outros ativos digitais relevantes.

Hoje, entretanto, o setor reúne milhares de projetos distribuídos em diferentes redes e segmentos, incluindo finanças descentralizadas, jogos e tokens experimentais.

Segundo McGlone, essa dinâmica cria uma oferta crescente de ativos digitais competindo pelo mesmo capital. Em períodos de abundância de liquidez, esse fluxo tende a sustentar valorizações amplas. Por outro lado, em ciclos de aperto financeiro, a disputa por investimentos pode se intensificar.

Como resultado, a volatilidade do mercado tende a aumentar e alguns ativos podem sofrer correções mais profundas.

Liquidez global pode influenciar o próximo ciclo

O estrategista também relaciona sua visão cautelosa às mudanças recentes no cenário macroeconômico. Durante a pandemia, bancos centrais e governos injetaram trilhões de dólares na economia global, o que ajudou a impulsionar diversos ativos de risco.

Juros historicamente baixos também incentivaram investidores a buscar retornos maiores em setores emergentes, incluindo o mercado de criptomoedas.

Contudo, o cenário mudou com políticas monetárias mais restritivas em várias economias. Bancos centrais passaram a reduzir estímulos e manter taxas de juros mais elevadas para combater a inflação.

Para McGlone, esse ambiente pode se tornar mais desafiador para ativos que se beneficiaram da liquidez abundante nos últimos anos. Nesse contexto, o Bitcoin tende a continuar reagindo às mudanças nas condições macroeconômicas globais.

No momento da análise, o ativo era negociado na faixa dos US$ 70 mil, após períodos de forte valorização. Assim, a evolução da liquidez global e da política monetária pode desempenhar papel central na definição dos próximos ciclos do mercado cripto.