Anthropic poderá vetar cortes voluntários da Riot

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A Anthropic passou a ter poder de veto sobre reduções voluntárias de consumo elétrico no complexo da Riot Platforms em Corsicana, no Texas. O contrato de locação foi assinado em 28 de outubro e tornou-se vinculante em 4 de novembro. Após a formalização, a Riot perdeu parte da flexibilidade para reduzir a carga elétrica ocupada pela inquilina. Com isso, o acordo limita uma prática usada pela mineradora de Bitcoin em sua estratégia de energia.

Conforme os termos divulgados pela Riot, a empresa precisa do consentimento da Anthropic para reduzir a carga elétrica da inquilina. A autorização também será necessária para incluir o imóvel em programas voluntários de resposta à demanda. Porém, ordens obrigatórias da distribuidora ou do operador da rede não dependem da aprovação da empresa de inteligência artificial. Essa exceção preserva o cumprimento de determinações destinadas à estabilidade do sistema elétrico.

O acordo cobre uma capacidade planejada de 910 megawatts de infraestrutura crítica de tecnologia da informação. Contudo, o complexo ainda não opera com toda essa capacidade. A Riot entregará a estrutura em etapas até 2028. Portanto, a restrição vale para a carga locada pela Anthropic, sem proibir cortes em todas as operações de mineração da companhia.

Anthropic controla reduções voluntárias de carga

A Riot construirá e manterá a infraestrutura elétrica em Corsicana. Por sua vez, a Anthropic pagará os custos de eletricidade consumida no local. Na prática, qualquer redução voluntária da carga locada dependerá da concordância da inquilina.

Fonte: documento trimestral da Riot enviado à SEC.

 

Ordens obrigatórias ficam fora da regra

A exceção cobre cortes impostos pela distribuidora de energia ou pelo operador da rede elétrica. Nesses casos, a Riot poderá reduzir a carga da Anthropic conforme a determinação recebida. Assim, o contrato distingue decisões voluntárias da mineradora de medidas obrigatórias para proteger a rede.

A Riot já reduz voluntariamente seu consumo durante períodos de alta demanda no Texas. Durante os picos de verão, a companhia diminui o consumo em Rockdale e Corsicana. A estratégia ainda inclui a venda da energia contratada que esteja ociosa ou tenha uso economicamente desfavorável em Rockdale.

No terceiro trimestre, a Riot informou US$ 25 milhões em créditos por cortes de energia em toda a companhia. Separadamente, economias de transmissão ligadas à demanda de pico reduzem as contas dos anos seguintes. No entanto, os documentos não calculam quanto a empresa poderá deixar de receber por cortes no espaço alugado.

Receita depende da entrega da capacidade

Uma apresentação de resultados da Riot estima cerca de US$ 28 bilhões em receita contratada durante o prazo inicial. O montante inclui reajustes anuais anteriores à amortização dos reembolsos concedidos à inquilina. Portanto, a estimativa representa receitas futuras de locação, e não dinheiro já recebido ou lucro atual.

A primeira fase terá uma meta de 400 megawatts. O primeiro bloco deve começar a operar em 28 de junho de 2027. Em seguida, a conclusão dessa fase está prevista para 11 de setembro de 2027. A segunda fase, com 200 megawatts, tem início completo estimado para 28 de janeiro de 2028.

A terceira e última fase acrescentará 310 megawatts ao complexo. De acordo com o cronograma, a entrega está prevista para 30 de julho de 2028. O aluguel-base começará em US$ 130 mensais por quilowatt de capacidade crítica entregue. Depois disso, o valor aumentará 3% ao ano.

Aluguel começa por bloco entregue

O pagamento começará quando a Riot entregar cada área energizada à Anthropic. Caso os módulos da inquilina ainda não estejam instalados, ela poderá obter uma extensão de até 60 dias. Depois do início da cobrança, o pagamento não dependerá do nível de utilização da capacidade.

O prazo inicial começa com o primeiro bloco e termina no mês do décimo quinto aniversário do início da terceira fase. Enquanto isso, a Riot construirá a infraestrutura do local e manterá a estrutura elétrica. Em contrapartida, a Anthropic pagará eletricidade, impostos, seguros e despesas do terreno pelo modelo de locação líquida tripla.

A Riot estima aproximadamente US$ 5,5 bilhões em custos diretos para o projeto em Corsicana. A projeção inclui obras no local e reembolsos pelos módulos instalados pela inquilina. Além das obras, a companhia poderá reembolsar custos elegíveis limitados a US$ 4 milhões por megawatt de potência crítica efetivamente alcançada.

Créditos cobrem reembolsos e atrasos

Os reembolsos dependem da obtenção de financiamento em condições de mercado razoavelmente aceitáveis para a Riot. Se o financiamento não estiver disponível, a empresa concederá créditos de aluguel após realizar esforços comercialmente razoáveis. Desse modo, os créditos amortizarão o reembolso, acrescido de juros anuais de 12%, durante o restante do prazo inicial.

Como resultado, os créditos reduzirão o aluguel recebido em dinheiro pela Riot. Atrasos superiores a 60 dias na entrega da capacidade também gerarão créditos progressivos para a Anthropic. Nesse cenário, o limite poderá alcançar 270 dias de aluguel-base para blocos não entregues na fase correspondente.

Uma fase atrasada por mais de 270 dias poderá ser encerrada mediante aviso prévio de 30 dias. Ainda assim, o contrato prevê direitos de correção e extensões para casos de força maior ou atrasos causados pela inquilina. Dessa forma, a receita projetada dependerá da entrega escalonada da infraestrutura e do cumprimento das regras aplicáveis à carga de inteligência artificial.

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