Após posse de Kevin Warsh no Fed, mercado reage

O Bitcoin recuou para US$ 74.190 durante o fim de semana, atingindo o menor nível em mais de um mês. O movimento ocorreu logo após Kevin Warsh assumir oficialmente, em 22 de maio, como o 17º presidente do Federal Reserve. Como resultado, o mercado reagiu rapidamente às novas expectativas de política monetária nos Estados Unidos.

Apesar de Warsh ser visto como um dirigente relativamente favorável ao setor de criptomoedas, a reação inicial foi negativa. Em declarações anteriores, ele afirmou que o Bitcoin “não o deixa nervoso” e revelou possuir investimentos ligados ao setor. Ainda assim, investidores passaram a priorizar os efeitos práticos de sua gestão sobre juros e liquidez.

Postura do Fed pressiona o mercado cripto

Inflação elevada mantém juros no radar

Com a inflação em torno de 3,8% no momento da posse, Warsh assume o comando do Fed acima da meta oficial de 2%. Nesse sentido, seu histórico sugere uma abordagem mais rígida. Ele tende a priorizar o controle inflacionário, mesmo que isso implique condições monetárias mais restritivas.

Desde sua indicação pelo presidente Donald Trump, em março, as expectativas de cortes de juros para 2026 diminuíram. Como consequência, os rendimentos de títulos de curto prazo avançaram, sinalizando que o mercado já antecipa uma política mais dura.

Dados do próprio Federal Reserve reforçam que a inflação persistente segue como principal desafio. Assim, investidores ajustam suas posições com base nesse cenário. Ainda que o novo presidente tenha histórico favorável às criptomoedas, a política monetária continua sendo o fator dominante.

Correlação histórica entre juros e Bitcoin

Padrões macroeconômicos se repetem

A reação negativa do Bitcoin não surpreende analistas. Afinal, a criptomoeda historicamente responde às decisões do Federal Reserve. Em 2022, por exemplo, durante o ciclo agressivo de alta de juros liderado por Jerome Powell, o ativo perdeu cerca de 65% do valor.

Naquele período, as taxas subiram de níveis próximos de zero para acima de 5%. Dessa forma, ativos de risco sofreram forte pressão. Agora, o mesmo padrão começa a se repetir, ainda que em menor intensidade.

Inicialmente, a confirmação de Warsh pelo Senado gerou otimismo moderado no mercado cripto, já que ele reconhece o papel dos ativos digitais no sistema financeiro moderno. No entanto, fatores macroeconômicos seguem prevalecendo sobre posicionamentos individuais.

O mandato de Warsh deve durar quatro anos, com término previsto para maio de 2030. Assim, suas decisões tendem a influenciar diferentes classes de ativos por um período prolongado.

Níveis críticos e riscos para investidores

Faixa de US$ 74 mil ganha relevância

O nível de US$ 74 mil passou a ser considerado psicologicamente relevante. Caso o Bitcoin permaneça abaixo dessa faixa, a pressão vendedora pode se intensificar. Além disso, posições alavancadas tendem a ampliar os movimentos de queda.

Investidores também monitoram os rendimentos dos títulos do Tesouro, especialmente os de dois anos. Esses papéis costumam antecipar mudanças na política monetária. Portanto, a continuidade da alta reforça a expectativa de juros elevados.

Outro ponto relevante envolve o risco de estagflação. Com inflação em 3,8% e política mais rígida, cresce a possibilidade de desaceleração econômica combinada com preços elevados. Nesse cenário, ativos considerados mais seguros, como o ouro, podem ganhar espaço.

Por outro lado, o Bitcoin e outros ativos mais voláteis tendem a enfrentar maior instabilidade. Em suma, o comportamento do mercado continuará diretamente ligado aos próximos sinais do Federal Reserve e à trajetória da política monetária nos Estados Unidos.