Apple passa Nvidia e mira US$ 5 trilhões

As ações da Apple subiram 1,3% na segunda-feira e encerraram o pregão perto de US$ 337,40. Com isso, os papéis voltaram a rondar um novo recorde histórico de fechamento, acima da máxima anterior de US$ 333,74. A alta também devolveu à companhia o posto de empresa de capital aberto mais valiosa do mundo, à frente da Nvidia.

AAPL Stock Card

Fonte: Knockout Stocks

Para superar pela primeira vez a marca de US$ 5 trilhões em capitalização de mercado, a Apple precisa fechar um pregão acima de US$ 340,43. Embora esse nível ainda não tenha sido alcançado, a valorização recente colocou a meta no radar de Wall Street.

Ação se aproxima de novo recorde histórico

O avanço ocorreu poucos dias antes da divulgação dos resultados fiscais do terceiro trimestre. A empresa apresentará os números depois do fechamento do mercado na quinta-feira, 30 de julho. Além disso, esse relatório será o último anúncio de resultados de Tim Cook como diretor-presidente da Apple.

No mesmo pregão, a Nvidia perdeu força e caiu perto de 5%. Assim, seu valor de mercado recuou para cerca de US$ 4,77 trilhões. Como resultado, a Apple reassumiu a liderança global entre as empresas listadas em bolsa.

Nos últimos 30 dias, as ações da Apple acumulam valorização próxima de 20%. Segundo a leitura predominante do mercado, esse desempenho reflete principalmente vendas fortes do iPhone e expansão contínua da receita da divisão de serviços.

Entre as Magnificent Seven, a Apple liderou os ganhos da sessão. Enquanto isso, as demais gigantes do grupo ainda negociavam pelo menos 15% abaixo de suas respectivas máximas históricas.

Analistas elevam projeções para a Apple

O otimismo dos analistas também ganhou força. Nicolas Cote Colisson, analista do HSBC, elevou sua recomendação para compra e aumentou o preço-alvo das ações da Apple para US$ 366. Na avaliação dele, a empresa chegou a um “ponto de virada operacional”.

De acordo com Colisson, a Apple possui uma vantagem estratégica importante. A companhia não precisa arcar com investimentos pesados em infraestrutura de data centers, que pressionam concorrentes mais expostas à inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, a empresa pode explorar sua base instalada de 2,5 bilhões de dispositivos para ampliar as iniciativas do Apple Intelligence. Dessa forma, a Apple preserva margens e ganha escala para distribuir novos recursos de software.

O analista também destacou as melhorias da Siri com capacidades mais autônomas. Segundo ele, esse avanço importa ainda mais após tentativas anteriores de recursos de IA enfrentarem dificuldades para ganhar adoção ampla.

Além disso, Colisson citou um roteiro robusto de hardware. Entre os destaques, ele mencionou o iPhone 18 Pro, um possível modelo iPhone Air em 2027 e um dispositivo dobrável em desenvolvimento.

Outras instituições financeiras também elevaram seus preços-alvo para a Apple, incluindo Baird, Morgan Stanley e Goldman Sachs. Ainda assim, o consenso de mercado aponta recomendação agregada de compra moderada. O quadro reúne 16 recomendações de compra, nove neutras e duas de venda, com preço-alvo médio de US$ 329,52.

Mercado espera balanço e sinais sobre IA

As projeções de Wall Street para o terceiro trimestre fiscal indicam lucro por ação de US$ 1,89. Isso representaria alta anual de 20,4%. Já analistas projetam receita de US$ 109,03 bilhões, avanço de 16% na comparação anual.

O balanço de quinta-feira será o primeiro desde a decisão da Apple de elevar preços para compensar o aumento dos custos de componentes de memória. Por isso, investidores devem acompanhar qualquer comentário da companhia sobre integração de recursos de inteligência artificial, ritmo de atualização dos aparelhos e expansão da área de serviços.

A Nvidia manteve a liderança em valor de mercado durante boa parte do ano, impulsionada pela demanda explosiva por processadores voltados à inteligência artificial. No entanto, a turbulência recente nas ações do setor de semicondutores abriu espaço para a Apple retomar o posto.

Apesar da arrancada recente, o preço-alvo médio de US$ 329,52 ainda sugere leve potencial de queda, de cerca de 2%, em relação aos níveis atuais. Mesmo assim, o foco do mercado permanece na capacidade da Apple de sustentar o rali, superar US$ 340,43 e confirmar as expectativas para o balanço de 30 de julho.

Nesse meio tempo, a combinação entre força do iPhone, avanço de serviços e expectativa com o Apple Intelligence explica a volta da ação ao centro do mercado. Conforme investidores ajustam suas projeções, a disputa com a Nvidia pelo topo do valor de mercado deve continuar nas próximas sessões.