Aptos define teto e reduz staking em nova tokenômica
Aptos, fundação responsável pela blockchain, apresentou uma ampla proposta de reformulação da tokenômica do APT. A iniciativa estabelece um teto máximo de 2,1 bilhões de tokens e reduz as recompensas anuais de staking para 2,6%. Além disso, a rede planeja elevar em dez vezes o custo das taxas de gás, que seguem sendo completamente queimadas após o pagamento.
O objetivo central é limitar a inflação do APT e alinhar a emissão ao uso real da rede. As mudanças devem ser avaliadas pela comunidade nas próximas votações de governança, previstas para os próximos meses.
Revisão dos incentivos e novo modelo de sustentabilidade
A proposta marca uma transição importante para a Aptos. A rede busca deixar o modelo de incentivos iniciais e adotar um sistema orientado ao desempenho e à sustentabilidade. Atualmente, a blockchain apresenta tempo médio de bloco inferior a 50 milissegundos e disponibilidade de 99,99%, números que reforçam seu foco em eficiência.
A rede também soma cerca de 500 desenvolvedores ativos mensalmente e quase 9.700 repositórios de código aberto. Além disso, mais de 200 projetos operam no ecossistema, incluindo finanças descentralizadas, pagamentos e infraestrutura.
Mudanças no staking e arquitetura dos validadores
Um dos principais pilares da proposta é a queda nas recompensas anuais de staking, de 5,19% para 2,6%. A fundação pretende incentivar modalidades de staking de longo prazo com retornos ajustados, respeitando sempre o novo limite máximo de oferta. Assim, a rede busca preservar a segurança, mantendo validadores ativos com custos menores.
A fundação explica que o AIP-139 deve introduzir uma nova arquitetura para validadores, projetada para reduzir gastos com hardware. Caso aprovada, essa alteração tornará o processo mais acessível e eficiente no cenário de baixa inflação.
Impacto do teto de fornecimento e novas emissões de APT
O plano também inclui a criação de um limite protocolar de 2,1 bilhões de tokens APT. Hoje existem cerca de 1,196 bilhão em circulação, sendo 1 bilhão emitido no lançamento da mainnet e 196 milhões gerados como recompensa de staking.
Com o novo teto, aproximadamente 904 milhões de tokens ficariam disponíveis para emissões futuras relacionadas ao staking, até o encerramento definitivo da emissão. Além disso, o ciclo de desbloqueio de quatro anos dos investidores iniciais termina em outubro de 2026, reduzindo em cerca de 60% o volume anual liberado após essa data.
Elevação das taxas de gás e aumento das queimas
A proposta também inclui aumentar em dez vezes o valor das taxas de gás. Mesmo com o ajuste, a fundação estima que uma transferência de stablecoin custaria cerca de US$ 0,00014. Como todas as taxas pagas em APT são queimadas permanentemente, a expectativa é que o ritmo de queima aumente de forma proporcional ao crescimento do uso.
Além disso, a exchange descentralizada Decibel, incubada pela Aptos Labs, pretende executar todas as ordens integralmente na blockchain. Isso intensifica a queima, pois ordens criadas, casadas ou canceladas geram taxas. Projeções indicam que, ao atingir escala acima de 100 mercados, a Decibel poderia queimar mais de 32 milhões de APT por ano.
Novos subsídios e gestão dos fundos da fundação
A fundação informou que bloqueará permanentemente 210 milhões de APT, decerto, mantidos em staking contínuo. Esses tokens não serão vendidos nem distribuídos, e portanto, suas recompensas financiarão operações internas.
Logo após, os novos modelos de subsídio passam a ser baseados em metas verificáveis de desempenho. Além disso, a fundação avalia implementar um programa automático de recompra financiado com receitas próprias. Por conseguinte, a combinação de redução de emissões, aumento de queimas e limite máximo de oferta pode levar a um cenário deflacionário para o APT, caso as mudanças sejam aprovadas nas próximas votações.