Arbitrum propõe banir Good Entry, Limitless e APX Finance

O Comitê Watchdog da Arbitrum propôs banir Good Entry, Limitless e APX Finance de futuros programas da DAO. Os três casos envolvem 457.553 ARB, avaliados em cerca de US$ 76 mil na cotação usada pela proposta. Porém, cada projeto terá uma votação separada caso não responda às acusações ou devolva os valores contestados.

A medida não prevê o congelamento de carteiras, a remoção de protocolos ou restrições à negociação dos tokens relacionados. Em vez disso, o eventual banimento retiraria a elegibilidade dos envolvidos para novas iniciativas da ArbitrumDAO. Publicada em 3 de setembro, a proposta classifica as ocorrências como uso indevido de alta gravidade de recursos comunitários.

Comitê da Arbitrum apura três tipos de irregularidade

Segundo o comitê, casos dessa categoria envolvem o uso amplo e deliberado de verbas distribuídas pela DAO. Entre os exemplos estão trabalho fabricado e roubo, embora cada investigação tenha conclusões próprias. Portanto, o total citado não representa um único furto confirmado nem um saldo único devido à ArbitrumDAO.

O documento reúne repasses a contas inelegíveis, recursos enviados para outra rede e tokens não utilizados ou distribuídos fora do prazo. As evidências e os valores de cada caso constam no fórum de governança. Nesse contexto, a situação operacional também varia entre Good Entry, Limitless e APX Finance.

Good Entry teria beneficiado contas inelegíveis

A Good Entry recebeu 200 mil ARB na primeira rodada do Programa de Incentivos de Curto Prazo. Uma análise on-chain apontou que 142.839 ARB chegaram a 1.032 usuários considerados inelegíveis durante e após o período de incentivos. Além disso, carteiras ligadas à equipe apresentaram indícios de autofarming, conforme a proposta. O termo descreve a prática de buscar recompensas do próprio programa por meio de endereços relacionados ao beneficiário.

Quando os investigadores pediram esclarecimentos, o projeto recusou-se a cooperar, afirmou o comitê. A Good Entry deixou de operar posteriormente e já não mantém uma equipe ativa. Dessa forma, uma eventual proibição alcançaria os fundadores do projeto.

A Arbitrum utiliza recursos comunitários para atrair usuários e desenvolvedores há vários anos. Em novembro de 2023, três programas distribuíram 500 mil ARB em financiamento retroativo, grants de contrapartida e prêmios para ferramentas. Assim, o histórico de incentivos reforça a importância da fiscalização sobre os recursos do ecossistema.

Limitless teria enviado todo o grant para a Base

A Limitless enfrenta uma apuração independente ligada ao Programa Piloto de Incentivos de Longo Prazo. O projeto recebeu 75 mil ARB e depois converteu todo o grant na stablecoin USDC. Em seguida, a equipe teria transferido os recursos para a Base, conforme o Comitê Watchdog. A operação retirou todo o valor concedido do ecossistema Arbitrum.

Os investigadores classificaram o episódio como suspeita de roubo devido à conversão e à transferência entre redes. Contudo, o comitê não conseguiu contatar integrantes da Limitless para obter explicações ou recuperar os recursos. A plataforma também aparenta ter encerrado as operações depois de participar do programa.

O documento não afirma que transferir recursos para outra blockchain seja automaticamente inadequado. Ainda assim, o comitê questiona o uso de verbas destinadas a um incentivo da Arbitrum e a ausência de explicações. A Base é uma rede de camada 2 do Ethereum incubada pela Coinbase, enquanto a Arbitrum integra outro ecossistema de escalabilidade.

APX Finance enfrenta questionamentos sobre 239.714 ARB

A APX Finance recebeu aprovação para 525 mil ARB no Programa Piloto de Incentivos de Longo Prazo. No entanto, a investigação envolve 239.714 ARB, e não o valor integral da concessão. A análise on-chain indicou que grande parte do grant permaneceu em endereços da tesouraria do projeto. Além disso, os investigadores localizaram transferências para contratos distribuidores depois do prazo obrigatório.

O comitê também identificou um possível agrupamento Sybil conectado a endereços da equipe. Essa atividade ocorre quando um operador controla várias carteiras para ampliar sua parcela de incentivos destinados a usuários distintos. Por isso, os investigadores descrevem o caso como uma combinação de recursos não devolvidos, distribuições tardias e possível auto-Sybil.

A equipe da APX Finance não respondeu às tentativas de contato para esclarecimentos ou recuperação dos valores. Posteriormente, a APX uniu-se à Astherus, e a plataforma resultante adotou a marca Aster. Enquanto isso, as operações da Aster passaram a manter uma associação mais estreita com a BNB Chain.

Diferentemente dos outros casos, a redação proposta pode alcançar mais pessoas do que apenas os fundadores da APX Finance. Caso a DAO considere o projeto ou sua sucessora uma operação ativa, a restrição terá alcance maior. Nesse cenário, o banimento incluiria fundadores, integrantes atuais e colaboradores afiliados.

Votações separadas definirão as restrições

Cada projeto recebeu uma semana, contada desde a publicação da proposta, para responder às conclusões no fórum. O comitê estabeleceu 10 de setembro como prazo provisório, embora o cronograma ainda possa mudar. Se as respostas forem insuficientes e os valores não retornarem, a ArbitrumDAO realizará três votações no Snapshot.

Os detentores de tokens poderão apoiar o banimento, rejeitá-lo ou votar pela abstenção em cada processo. Até o momento descrito pela proposta, nenhum dos três projetos havia sofrido a restrição. Como o Snapshot registra um acordo social sem executar transações on-chain, a decisão não congelará carteiras ou contratos inteligentes.

O Programa Watchdog incentiva denúncias fundamentadas em evidências e amplia a supervisão dos grants do ecossistema. Até 2 de setembro, a iniciativa havia recebido 90 denúncias e recuperado cerca de 532 mil ARB. Por sua vez, os denunciantes receberam aproximadamente 268 mil ARB em recompensas. O volume recuperado supera o total combinado dos três casos, embora cada investigação tenha uma situação própria.

Robinhood amplia a exposição indireta nos Estados Unidos

Para investidores dos Estados Unidos, a proposta não anuncia restrições de negociação ou acesso. A relevância está na forma como a ArbitrumDAO administra programas de tesouraria e infraestruturas usadas por empresas do mercado americano. A Robinhood, listada na Nasdaq, utiliza o software Orbit da Arbitrum na Robinhood Chain.

As chains incluídas no Programa de Expansão da Arbitrum devolvem 10% da receita líquida de protocolo ao ecossistema. Desse total, oito pontos percentuais seguem para a tesouraria da DAO, enquanto dois financiam o Arbitrum Developer Guild. Desde 1º de julho, a Robinhood Chain gerou mais de US$ 2 milhões em receita acumulada. Nesse período, cerca de US$ 200 mil retornaram ao ecossistema por meio desse modelo.

A governança de DAOs também pode gerar questões legais para participantes americanos. O caso Ooki DAO, da Commodity Futures Trading Commission, indicou possível responsabilização de participantes em determinadas circunstâncias. Apesar disso, a proposta da Arbitrum trata apenas de restrições de elegibilidade definidas por votações off-chain. O documento não anuncia encaminhamentos a autoridades dos Estados Unidos.