ARK Invest projeta Bitcoin a US$ 750 mil até 2030
Cathie Wood, CEO da ARK Invest, reforçou sua visão otimista para o Bitcoin. Segundo a executiva, o cenário-base da gestora aponta para um preço próximo de US$ 750 mil até 2030. Além disso, em uma hipótese mais agressiva, o ativo pode alcançar US$ 1,25 milhão nos próximos cinco anos.
Em entrevista recente à Fox Business, Wood respondeu a críticas sobre o desempenho do Bitcoin em momentos de volatilidade e tensão geopolítica. Para ela, afirmar que o ativo falhou como proteção ignora fatores estruturais mais amplos.
Escassez e adoção sustentam a tese da ARK Invest
Cathie Wood afirmou que o cenário-base da ARK Invest segue mais próximo de US$ 750 mil. Ao mesmo tempo, o cenário otimista depende de uma substituição parcial do ouro pelo chamado ouro digital. Na visão da executiva, a transferência geracional de riqueza deve favorecer esse processo.
Ela citou estimativas da Cerulli Associates, que projetam uma transferência de US$ 124 trilhões em riqueza até 2048. Assim, grande parte do patrimônio dos baby boomers deve passar para herdeiros mais jovens nas próximas décadas.
Além disso, Wood listou três motores centrais para as projeções da ARK Invest. A gestora considera a mudança geracional em direção aos ativos digitais, o uso do Bitcoin como apólice de seguro em mercados emergentes e o avanço da adoção institucional.
“Nosso cenário-base está mais próximo de US$ 750 mil. Mas o cenário otimista envolve uma substituição do ouro. À medida que a transferência geracional de riqueza acontecer, acreditamos que os mais jovens estarão mais propensos a adotar uma reserva de valor digital. E isso seria o Bitcoin”, disse Wood.
Mercados emergentes e capital institucional
Wood também defendeu que o Bitcoin tem utilidade relevante em economias emergentes. Segundo ela, o ativo pode funcionar como proteção em ambientes marcados por negligência fiscal e monetária ou corrupção.
Além disso, a executiva afirmou que, à medida que a riqueza cresce no mundo, parte dos investidores pode migrar de stablecoins para o Bitcoin. Nesse caso, a busca envolveria maior potencial de valorização.
“O segundo ponto é que o Bitcoin é uma apólice de seguro, particularmente em mercados emergentes, contra negligência fiscal e monetária, na melhor das hipóteses, ou corrupção, na pior. À medida que a riqueza aumenta no mundo, acreditamos que indivíduos vão migrar de stablecoins para o Bitcoin, que tem um potencial de valorização muito maior”, afirmou.
No entanto, a CEO da ARK Invest destacou que o principal vetor de alta continua sendo a adoção institucional. Para ela, o Bitcoin se consolidou como uma nova classe de ativos, com baixa correlação em relação a outros mercados.
“Mas a maior razão é a adoção institucional. Esta é uma nova classe de ativos. Ela tem correlação muito baixa com outras classes de ativos em termos de riscos e retornos. Por isso, todo alocador de ativos tem a responsabilidade de examiná-la, porque ela aumentará os retornos ajustados ao risco ao longo do tempo”, disse Wood.
Oferta limitada reforça comparação com o ouro
As declarações surgem após questionamentos de nomes do mercado, incluindo Mark Cuban. Ele sugeriu que o Bitcoin perdeu parte de sua proposta original e decepcionou como proteção em episódios recentes de turbulência geopolítica e econômica. Ainda assim, Wood insistiu que os fundamentos estruturais do ativo permanecem intactos.
Um dos principais argumentos apresentados por ela foi a oferta limitada do Bitcoin. A executiva lembrou que existem 21 milhões de unidades previstas, das quais cerca de 20 milhões já foram mineradas. Por isso, a escassez matemática segue no centro da tese da ARK Invest.
“São 21 milhões de unidades. Já chegamos a 20 milhões mineradas. Falta apenas mais 1 milhão. O valor da escassez está aí. O Bitcoin é matematicamente medido. Não haverá resposta de oferta. Ele é simplesmente controlado matematicamente. Neste momento, a oferta cresce cerca de 0,9% ao ano, abaixo do ouro no longo prazo, e nos próximos dois anos estaremos em 0,45% ao ano. Há um valor real de escassez se formando agora”, disse.
No comparativo com o ouro, Wood afirmou que a correlação histórica entre os dois ativos permanece baixa desde que o interesse institucional ganhou força, por volta de 2019. Segundo ela, a correlação entre ouro e Bitcoin está em 0,14, nível que indica quase nenhuma correlação.
Dinheiro neutro e regulação nos Estados Unidos
A executiva também associou o avanço do Bitcoin no sistema financeiro internacional à sua característica de dinheiro neutro. Como exemplo, mencionou relatos de que o Irã teria implementado mecanismos para aceitar pagamentos em Bitcoin por passagem segura pelo Estreito de Ormuz, incluindo processos estruturados de pedágio para transporte marítimo. Antes da guerra citada na entrevista, mais de 20% do petróleo global passava pelo corredor.
No campo regulatório dos Estados Unidos, Wood disse que uma maior clareza nas regras deve acelerar a participação institucional. Nesse sentido, ela apontou projetos legislativos como o Genius Act e o Clarity Act como potenciais catalisadores para o setor.
“Acho que o Genius Act e, em breve, esperamos, o Clarity Act, vão preparar adequadamente o terreno para este espaço florescer e para as instituições. E, como as chances de aprovação aumentaram recentemente, veremos uma entrada institucional muito maior nesse mercado”, afirmou.
Por fim, Wood abordou a convivência entre o Bitcoin e o dólar dos Estados Unidos. Na avaliação dela, as stablecoins ajudam a ampliar a influência global da moeda americana. Já o Bitcoin, em sua visão, concentra o maior potencial de valorização. Dessa forma, a ARK Invest mantém o ativo no centro de sua tese de longo prazo, com meta de cerca de US$ 750 mil no cenário-base e US$ 1,25 milhão no cenário otimista até 2030.