AscendEX fecha e deixa devolução de saldos incerta
A exchange de criptomoedas AscendEX encerrou as operações em 1º de julho e, dias depois, atribuiu a decisão a pressões regulatórias, financeiras e operacionais. O ponto mais sensível, contudo, está nos saldos dos clientes. A plataforma afirmou que não pode garantir a devolução integral dos valores registrados nas contas dos usuários.
Segundo a empresa, os problemas atuais de liquidez podem limitar os pagamentos aos clientes afetados. Dessa forma, a retirada de fundos virou o principal foco de atenção para quem ainda mantém ativos digitais custodiados pela corretora.
Pressão regulatória e liquidez pesaram na decisão
A AscendEX relacionou o encerramento também ao Markets in Crypto-Assets, conhecido como MiCA, que entrou plenamente em vigor na União Europeia. Contudo, a empresa afirmou que não tinha a autorização exigida pelo novo regime. Ainda assim, ressaltou que esse fator representou apenas parte do problema.
Além disso, a exchange afirmou que uma transação estratégica planejada deveria fornecer liquidez e sustentar o crescimento futuro do negócio. No entanto, a contraparte não cumpriu o esperado, deixando a companhia sem os recursos previstos.
Como resultado, condições fracas de mercado e pressão operacional agravaram o quadro. A AscendEX declarou que esses fatores tornaram insustentável a continuidade dos serviços normais.
Com a revisão financeira ainda em andamento, a empresa afirmou que não consegue confirmar se os clientes receberão todos os ativos digitais registrados em suas contas. Em outras palavras, a AscendEX ainda não definiu prazo nem montante para eventuais recuperações finais.
Esse posicionamento difere de um encerramento convencional de exchange. Em vez de apenas desligar os serviços e processar retiradas, a companhia passou a avaliar quais ativos ainda permanecem disponíveis para distribuição aos usuários.
Saques automáticos foram suspensos
O acesso dos clientes ficou restrito às atividades de desligamento da plataforma. Assim, os saques automáticos foram suspensos, enquanto os pedidos de retirada passaram a seguir análise manual. Na prática, isso tende a ampliar o tempo de espera para quem tenta recuperar fundos.
A exchange afirmou que todas as solicitações seguirão o mesmo processo documentado de revisão. Além disso, declarou que nenhum grupo de usuários receberá tratamento preferencial. Ainda assim, as dúvidas sobre a capacidade real de pagamento cresceram antes mesmo do comunicado oficial.
ZachXBT apontou atrasos e baixa liquidez em hot wallets
No fim de junho, o investigador on-chain ZachXBT afirmou que usuários relatavam saques pendentes por dias ou semanas. Em publicação no X, ele pediu que a equipe da exchange esclarecesse por que clientes da AscendEX enfrentavam retiradas atrasadas ou incompletas. Também questionou por que hot wallets identificadas da plataforma pareciam não ter ativos líquidos disponíveis.
“Por que os usuários da AscendEX estão enfrentando saques atrasados ou incompletos e por que as hot wallets identificadas da exchange parecem não ter ativos líquidos disponíveis?”
ZachXBT no X
Segundo a análise de ZachXBT, essas carteiras pareciam manter pouco ou nenhum saldo em ativos importantes, como ETH, USDT, USDC e SOL. Ao mesmo tempo, ele observou que as reservas de uma exchange também podem incluir cold wallets, custodiantes terceirizados ou endereços sem identificação pública.
Dias depois, ZachXBT incentivou os usuários afetados a reportarem o caso às autoridades policiais e aos reguladores financeiros de suas respectivas jurisdições. Ele também alegou que a exchange continuou aceitando depósitos enquanto muitos saques seguiam sem processamento.
Em outra frente, o Coin Bureau alertou o mercado sobre o caso e destacou que usuários poderiam não recuperar integralmente seus saldos.
Além disso, ZachXBT alegou que um grande usuário não recebeu resposta do cofundador George Jing Cao. Já o aviso publicado pela empresa em 6 de julho não apresentou qualquer percentual específico de recuperação para os clientes. Portanto, segue em aberto quanto cada usuário poderá efetivamente reaver.
Histórico da exchange amplia preocupação
A situação reacende preocupações antigas sobre custódia em exchanges centralizadas. Fundada em 2018 com o nome BitMax, a AscendEX passou posteriormente por um rebranding. Ainda assim, a empresa já havia enfrentado um episódio grave de segurança em 2021, quando invasores roubaram cerca de US$ 78 milhões em ativos digitais.
Esse ataque foi posteriormente associado ao Lazarus Group. Agora, com o encerramento das operações e a incerteza sobre a liquidez remanescente, os fundos dos usuários voltam ao centro da crise da plataforma.
Para os clientes afetados, a prioridade imediata é entender se haverá recuperação total, parcial ou atrasos prolongados. Ao mesmo tempo, para o mercado de criptomoedas, o caso reforça que o saldo exibido em conta dentro de uma exchange não equivale ao controle direto dos ativos em carteira própria.
Por ora, os pontos confirmados pela empresa são objetivos. As operações terminaram em 1º de julho, o comunicado explicando a decisão saiu em 6 de julho, os saques automáticos seguem suspensos e os pedidos passam por análise manual. A AscendEX também não garantiu a devolução integral dos saldos registrados.