Ataque de 51%? Os riscos do pós-halving do Bitcoin

Ainda que a ideia não seja ser “apocalíptico”, o que texto que você lerá abaixo trata dos possíveis (alguns prováveis) problemas que o Bitcoin pode enfrentar após o halving

O verdadeiro burburinho na indústria de criptomoedas agora é sobre o tão esperado terceiro halving do Bitcoin (que já pode ter acontecido enquanto você lê esse texto). Espera-se que os resultados no Google Trends mostrem um interesse crescente no tópico.

Todos, inclusive os críticos, estão alertas quando os mineradores de Bitcoin se aproximam do bloco 630.000, onde a recompensa da mineração está programada para reduzir pela metade, de 12,5 BTC para 6,25 BTC. No momento da redação deste texto, o bloco atual é 629967, o que significa que restam menos de 35 blocos antes do halving.

Embora os investidores e os especuladores estejam na expectativa e um tanto otimistas sobre o efeito que o próximo evento terá no mercado, vejamos algumas das possíveis consequências perigosas que o halving pode trazer.

Receita dos mineradores cortada pela metade

A mineração de Bitcoin é sem dúvida um negócio caro, devido à sua natureza intensiva em recursos. Os mineradores usam grandes quantidades de eletricidade, além de equipamentos de mineração sofisticados e caros.

Embora já seja um fato conhecido que cada halving reduza a recompensa de mineração por bloco, a redução deste ano teria um efeito mais negativo do que os dois últimos. Os mineradores sofrerão um corte profundo na recompensa do bloco, de US$ 108.294 para US$ 54.146, conforme o preço atual.

Com o custo de mineração de 1 Bitcoin atualmente em torno de US$ 6.851, o preço da criptomoeda precisará ser de cerca de US$ 7.400 para que um minerador médio seja rentável. Entretanto, isso provavelmente mudaria após o evento, e para pior.

Halving do Bitcoin mais brutal da história?

Um relatório de fevereiro de uma empresa de pesquisa focada em criptomoedas sugere que o custo médio da mineração de 1 Bitcoin poderia quase dobrar e chegar a US$ 12.525 após o halving de 2020.

Charles Edwards, da Capriole Investments, prevê que o custo de produção chegue a US$ 14.000 após o evento, dizendo que será o “o mais brutal halving do Bitcoin da história”.

Isso significaria problemas para a indústria de mineração, pois a mineração de Bitcoin se tornaria muito rentável e os pequenos mineradores podem ser forçados a arrumar suas plataformas de mineração. O hashrate total da rede também provavelmente cairá, a menos que o preço do Bitcoin suba acima do custo de equilíbrio.

Esse cenário já aconteceu com os forks do Bitcoin, o Bitcoin Cash e o Bitcoin SV após seus halvings em abril. As recompensas de mineração por bloco para ambas as redes foram reduzidas de 12,5 para 6,25 moedas.

Os mineradores de BSV e BCH abandonaram ambas as redes, pois a mineração das altcoins se tornou um investimento menos lucrativo, fazendo com que migrassem para a rede do Bitcoin para continuar seus negócios.

A falta de mineradores suficientes também pode diminuir a velocidade da rede, como no caso do Bitcoin Cash. Alguns dias após o halving do BCH, a velocidade da rede caiu 83%, pois apenas um número menor de mineradores estava disponível na verificação de transações, deixando a rede com uma vulnerabilidade à ataques de 51%.

No entanto, o desempenho de forks como BSV, BCH e LTC não é um parâmetro para medir o resultado do próximo halving do Bitcoin.

Ataque de 51% possível se os mineradores de Bitcoin desligarem as máquinas?

Os mineradores mantêm a rede do Bitcoin segura, verificando todas as transações. Como o poder de hash é dividido e distribuído por diferentes mineradores, as transações permanecem imutáveis. Isso significa que quanto mais mineradores validarem transações, mais segura será a rede do Bitcoin.

Contudo, um ataque massivo permanece um dos “calcanhares de Aquiles” da rede, pois as transações podem ser revertidas quando uma entidade de mineração tem pelo menos 51% de controle do poder de hash da rede do Bitcoin.

Nesse sentido, a segurança da rede pode estar em risco se os mineradores encerrarem suas operações devido à diminuição da lucratividade. Deixar apenas alguns mineradores para proteger o sistema pode levar a uma alta concentração de hash power, e essa vulnerabilidade pode ser explorada em um potencial ataque de 51%.

Nenhuma entidade isolada alcançou perto de 51% do controle do hashrate Bitcoin, o que torna muito rara a possibilidade de um ataque desse tipo. Segundo um estudo recente, 65% do hashrate global vem da China. A maior concentração do hashrate total em um único local é de cerca de 37% na região autônoma de Xinjiang, na China.

Aumento nas taxas de transação

Embora o terceiro halving possa aumentar as chances de um ataque de 51% na rede do Bitcoin, ainda é muito improvável que isso aconteça, uma vez que outros fatores como taxas de transação e ajuste de dificuldade manteriam os mineradores médios nos negócios.

Além das recompensas do bloco, os mineradores também recebem taxas pela verificação de transações. Entretanto, vale ressaltar que essas taxas geralmente representam uma pequena porcentagem do pagamento que os mineradores recebem, pois a maior parte vem do subsídio do bloco.

Felizmente, a dificuldade dos blocos na rede do Bitcoin passa por ajustes a cada duas semanas, o que significa que alguns mineradores médios provavelmente permanecerão lucrativos.

Analistas: halving não será otimista

Os traders de criptomoedas estão escondendo moedas, esperando que o terceiro halving do Bitcoin seja um grande impulso para os preços do BTC e para o mercado geral de cripto. No entanto, alguns especialistas acreditam que o evento não será a corrida do ouro que muitos esperam no curto prazo.

Com a expectativa de que a recompensa reduza e o custo da mineração suba, as grandes mineradoras podem ter que vender suas participações no BTC para cobrir os custos operacionais, o que poderia levar a uma liquidação.

Como sempre, apenas o tempo dirá se o halving de 2020 atenderá às expectativas otimistas da maioria ou se os pequenos mineradores lamentavelmente fecharão suas operações de mineração de Bitcoin.

Fonte: Crypto Potato

Foto de Marcelo Roncate
Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader desde 2017. Aficionado por tecnologia e entusiasta das criptomoedas, viu no WeBitcoin a oportunidade de unir duas paixões.