Ataque wrench de US$ 8 mi rende mais de 27 anos
Dois irmãos de Waller, no Texas, receberam penas que somam 326 meses de prisão por um ataque wrench contra uma família em Minnesota. O crime resultou no roubo de mais de US$ 8 milhões em criptomoedas. Ao todo, as condenações superam 27 anos de prisão.
Raymond Christian Garcia e Isiah Angelo Garcia admitiram culpa no caso em junho. Na quinta-feira, o juiz federal Donovan Frank anunciou as sentenças em St. Paul. Raymond recebeu 180 meses, enquanto Isiah recebeu 146 meses de prisão.
Família ficou sob ameaça durante mais de nove horas
Documentos judiciais apontam que os irmãos viajaram do Texas para Grant, em Minnesota, em 19 de setembro de 2025. No local, eles invadiram a residência de uma família. Em seguida, amarraram as vítimas com abraçadeiras plásticas e as mantiveram sob a mira de armas. A ação durou mais de nove horas.
Durante a invasão, os irmãos exigiram acesso às contas de criptomoedas do pai da família. Como ele não entregou o valor esperado, os agressores aumentaram a pressão. Por isso, eles obrigaram a vítima a levar um dos invasores até uma cabana familiar no norte de Minnesota. Depois, procuraram carteiras de hardware adicionais no imóvel.
Os criminosos forçaram a vítima a transferir mais de US$ 8 milhões em ativos digitais e fugiram. Enquanto isso, o filho da vítima conseguiu ligar para o serviço de emergência 911. Pouco tempo depois, agentes prenderam os irmãos perto de Houston, no Texas.
O procurador dos Estados Unidos Daniel Rosen classificou o crime como um ato calculado de violência. Para ele, a conduta afetou profundamente a vítima e seus familiares. Já Christopher Dotson, agente do FBI, afirmou que a dupla violou a segurança de uma residência por violência e ganância.
Violência física amplia riscos aos detentores
O caso ilustra o chamado ataque wrench, no qual criminosos usam ameaças físicas para controlar ativos digitais. Diferentemente de uma invasão cibernética, essa modalidade explora a coerção e a violência contra a vítima. Assim, até sistemas digitais protegidos podem ficar vulneráveis quando alguém sofre ameaças. Em outras palavras, os agressores atacam a pessoa em vez da tecnologia.
A Chainalysis, empresa de análise de blockchain, registrou 46 ataques violentos contra detentores de criptomoedas no primeiro semestre de 2026. Os casos envolveram mais de US$ 30 milhões em recursos roubados. Além disso, a empresa de segurança blockchain CertiK reportou perdas ainda maiores no mesmo período.
| Período | Número de incidentes | Fundos roubados (reportados) |
|---|---|---|
| Primeiro semestre de 2026 | 46 | Mais de US$ 30 milhões |
Entre os exemplos recentes está um sequestro ocorrido na França. Nesse caso, criminosos mantiveram filhos de trabalhadores como reféns. Também houve uma invasão residencial de grande repercussão no Reino Unido, cujos responsáveis receberam penas de prisão.
Justiça amplia resposta a crimes violentos
Autoridades policiais e promotores afirmaram que as penas refletem a gravidade dos ataques físicos relacionados às criptomoedas. Para especialistas jurídicos, tribunais dos Estados Unidos tratam esses casos como outras infrações violentas. Nesse contexto, o uso de ativos digitais não reduz a responsabilidade dos envolvidos. Ao mesmo tempo, a natureza das transferências pode dificultar a recuperação dos recursos.
Os promotores destacaram a importância de práticas rigorosas de segurança para pessoas que mantêm grandes volumes de ativos digitais. Por essa razão, os cuidados precisam considerar ameaças presenciais, além dos ataques cibernéticos. Portanto, a proteção das informações pessoais também integra as medidas de segurança.
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