Até onde deve ir a privacidade nas criptomoedas?

Até que ponto você e seu dinheiro são livres? Privacidade nas criptomoedas é realmente essencial?

A problemática da privacidade sempre foi parte fundamental da discussão envolvendo criptomoedas. Os lados são claros, e os indecisos também estão presentes. Dentre as muitas perguntas que podem (e vão) surgir no debate sobre esse tema, uma ganha destaque: até onde deve ir a privacidade nas criptomoedas?

Antes de mais nada, pensemos na privacidade sob uma ótica mais generalista. Via de regra, a privacidade nos dias de hoje praticamente não existe, seja por demandas do governo ou de grandes empresas, seja por desistência das próprias pessoas interessadas.

Sim, desistência. Não podemos culpar apenas o governo, o Google e o Facebook pela rotineira invasão de privacidade que enfrentamos todos os dias. Não há um dia sequer que um número imenso de pessoas deixe de compartilhar os mais variados aspectos de suas vidas com amigos e estranhos da internet.

As redes sociais (e aqui podemos dar destaque para o Instagram) representam a principal ferramenta pessoal para exposição de informações. Mostrar cada passo de uma rotina diárias tornou-se parte fundamental da vida de muitas pessoas. Embora não sejam as únicas, esse nicho de pessoas representa o principal grupo que escolheu abrir mão da privacidade.

Entretanto, esse texto não por intuito julgar X ou Y grupo de pessoas. Quem seríamos nós afinal, defensores da descentralização e da liberdade econômica se tentássemos censurar as escolhas alheias? Não há espaço para restrição aqui. E é justamente esse o ponto no que toca as criptomoedas. Não há espaço para correntes.

“Ok, mas qual o problema com a privacidade?” Na verdade o problema está no fato de que variados grupos, de diferentes maneiras e com diversos interesses estão tentando censurar as criptomoedas. A mais recente mostra disso fica por conta dos governos, que em diferentes partes do mundo, tentam obrigar as exchanges, peças fundamentais do atual ecossistema cripto, a expor seus clientes.

O chamado KYC, ou “Know Your Client” é uma medida dita “contra a lavagem de dinheiro”, e pode até realmente ser, mas não se resume apenas a isso.

Quando me propus a escrever esse texto tive dificuldades em achar exchanges no Brasil que continuem a não obrigar os clientes a apresentar complicadas documentações para KYC. Para ser mais exato, no nosso país pude encontrar apenas a Cointradecx não pedindo KYC.

Abaixo tentarei explicar de forma mais detalhada a importância da privacidade no âmbito das criptomoedas.

Privacidade não anda sozinha no meio cripto

A questão aqui é mais do que apenas privacidade. Falamos de liberdade. Atrevo-me a ir mais longe: falamos da concepção original do Bitcoin e das criptomoedas. A essência do Bitcoin em sua criação está completamente ligada aos valores de liberdade.

Liberdade para não depender de um banco para guardar seu dinheiro, liberdade de poder transacionar qualquer valor, em qualquer momento do dia, sem fronteiras de países. O Bitcoin não exclui um grupo, independente do gênero, classe social, orientação sexual, cor da pele, religião ou cultura.

Monero, Dash, ZCASH, dentre várias outras permitem transações 100% anônimas, com velocidade e praticidade. Os valores mencionados acima para o Bitcoin, via de regra, também se aplicam a outras criptomoedas, como as mencionadas.

Vê? As criptomoedas nasceram com o intuito de solucionar problemas bem claros: permitir que milhões de pessoas desbancarizadas em todo o mundo possam fazer transferências e guardar dinheiro de forma segura. Permitir também que se não sejamos reféns de um sistema bancário antiquado e abusivo, que cobra elevadas taxas de transação e impõe limitações de valor, horário e CEP para operações.

Por fim, permitir que cidadãos de todo o mundo se organizem financeiramente de forma descentralizada, que não fiquem restritos às fronteiras de um país ou presos à vontade de um governante tirano. É para isso que as criptomoedas surgiram, e é justamente isso que tem sofrido ferrenha oposição de grupos que não tem interesse em permitir que as pessoas tenham tais liberdades.

Criptomoedas representam um misto de ideais, dentre eles privacidade, liberdade, praticidade e dinamismo. Mencionei mais acima nesse texto a Cointradecx para falar de privacidade e posso incluí-la nos aspectos fundamentais vistos acima. Seja por privacidade (KYC) ou liberdade (escolher quanto e como comprar, vender ou transferir) praticidade e dinamismo, é importante que as exchanges evoluam sempre para oferecer aos clientes essas bases.

Lembre-se, o dinheiro não é algo novo, mas a maneira como lidamos com ele pode mudar radicalmente em pouco tempo. Blockchain e critpomoedas representam inovações que podem melhorar (e muito) a vida das pessoas, e defender a manutenção da liberdade no meio cripto é fundamental para o futuro.

Foto de Marcelo Roncate
Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader desde 2017. Aficionado por tecnologia e entusiasta das criptomoedas, viu no WeBitcoin a oportunidade de unir duas paixões.