Autocustódia do Bitcoin avança em 2026
O Bitcoin inicia 2026 com adoção institucional ampliada e maior estabilidade de preços. No entanto, o debate sobre autocustódia também cresce, impulsionado pelo aumento das wrench attacks ao longo de 2025. Esse cenário reacende discussões sobre segurança e controle direto das chaves.
A seguir, a entrevista com o CEO da Casa, Nick Neuman, ganha destaque ao mostrar como a empresa atua como ponte entre soberania financeira e praticidade. Fundada em 2018, a Casa oferece soluções multisig voltadas a usuários que desejam autonomia real sobre seus ativos e valorizam segurança robusta acima da conveniência.
Com o tempo, a empresa ampliou parcerias e recursos dedicados à proteção patrimonial. Além disso, fortaleceu protocolos de auditoria e sucessão, reforçando o propósito de operar como um “banco suíço para o indivíduo soberano”.
Adoção de ETFs e impacto na autocustódia
Segundo Neuman, o crescimento dos ETFs atraiu novos investidores, mas também destacou um contraste importante. A autocustódia exige responsabilidade e domínio básico de ferramentas de segurança. Ainda assim, a popularização dos ETFs não reduz o papel da guarda própria, sobretudo para quem evita riscos associados a custodiante tradicionais.
Além disso, o interesse institucional aumentou. Escritórios familiares e fundos buscam demonstrar controle direto sobre suas reservas, motivados por exigências regulatórias e pela demanda por auditorias mais claras. Plataformas multisig permitem ajustes ágeis quando há mudanças de pessoal, oferecendo maior transparência e flexibilidade.
Em 2025, por exemplo, o OCC esclareceu que os bancos nacionais e as associações federais de poupança têm a liberdade de custodiar criptoativos para clientes, acrescentando a ressalva de que “Como em qualquer atividade, um banco deve conduzir as atividades de custódia de criptoativos, inclusive por meio de um subcustodiante, de maneira segura e adequada e em conformidade com a legislação aplicável”. A Lei GENIUS forneceu estrutura adicional ao dar sinal verde para as stablecoins com reserva integral nos mercados financeiros dos EUA.
A revogação da SAB 121 pela SEC em janeiro de 2025 (via SAB 122) eliminou as penalidades de capital para custódia de criptomoedas, tornando-a mais viável para os bancos.
Essa evolução pode estimular serviços voltados ao varejo, ao mesmo tempo em que instituições reduzem a dependência de plataformas centralizadas.
Riscos físicos e protocolos de proteção
As wrench attacks atingiram níveis recordes em 2025, com casos fatais em países como França e Estados Unidos. Assim, cresce a preocupação de usuários que desejam manter autocustódia, mas temem ameaças físicas.
No entanto, para Neuman, transferir ativos para terceiros não elimina riscos. Ele cita o caso de um cliente drogado em um bar. O atacante não acessou o multisig da Casa, mas esvaziou fundos mantidos na Coinbase via celular. O episódio reforça que custodiantes não garantem proteção total.
Boas práticas incluem evitar exposição pública, proteger dados pessoais e adotar sistemas que limitam acesso imediato. A Casa distribui chaves em locais diferentes, utiliza modo de emergência e exige autenticação rigorosa para coassinar transações. Além disso, usuários podem habilitar verificações em vídeo e protocolos específicos para situações de coerção.
Multisig como hedge geopolítico
Neuman comenta que muitos clientes usam o Bitcoin como proteção geopolítica. Pessoas sujeitas a perseguições de governos estruturam carteiras com chaves em países distintos ou em parceria com intermediários confiáveis. Dessa forma, o multisig assegura mobilidade e reduz a dependência de sistemas locais.
A Casa mantém suporte especializado para casos emergenciais. Um exemplo recente envolveu o resgate de 100 BTC após falha física em uma Ledger, solucionado com orientação direta da equipe.
Embora o aplicativo da Casa não seja totalmente open-source, parte dos códigos é disponibilizada, como a integração com YubiKey. O app atua como coordenador das chaves, enquanto assinaturas ocorrem em hardware wallets.
Assim, mesmo com o avanço dos ETFs e com riscos físicos em alta, a autocustódia segue essencial para quem busca segurança, privacidade e independência. Os relatos apresentados mostram que soluções multisig continuam evoluindo para proteger usuários contra ameaças técnicas, físicas e políticas.