Avast está vendendo dados de navegação dos usuários para outras empresas

Coleta e venda de dados por parte da Avast Software é a consolidação da política anti-privacidade iniciada pelo Google

Assunto recorrente em nossas discussões sobre criptomoedas e redes sociais, a questão da privacidade tem ganhado importância nos últimos meses. O destaque do momento fica para a desenvolvedora do popular antivírus Avast, a Avast Software, que segundo investigação divulgada recentemente, realiza a infame prática de venda de dados de navegação de seus usuários para outras empresas.

A versão gratuita do antivírus possui mais de 400 milhões de usuários em todo o mundo, número superior à população total dos Estados Unidos. São 400 milhões de pessoas sendo expostas e tendo sua privacidade vendida por uma empresa que, em teoria, fornece um serviço de proteção.

A questão aqui é que a proteção contra vírus e malware acaba saindo caro para o usuário. Os dados são coletados durante o uso e vendidos para gigantes de diversas categorias, o que inclui os poderosos Google e Microsoft, também famosos por suas políticas invasivas no que toca a privacidade do usuário.

Se você é usuário da versão gratuita do Avast Antivírus, pense nos seguintes pontos: você faz uso de redes sociais? Seus padrões de acesso, perfis visitados e até seus “curtir” em fotos estão sendo registrados e vendidos para empresas que tem os mais diversos interesses nesses dados.

Assiste Netflix? Faz compras online na Amazon? Tira suas mais diversas dúvidas no Google? Todos esses dados estão sendo coletados com o objetivo de venda quando você tem a versão gratuita do Avast Antivírus instalada em seu computador.

Até mesmo acessos ao PornHub são registrados, junto com as categorias e os vídeos selecionados. Trata-se de uma total violação da privacidade do usuário. “Nossa, mas e os termos de uso?” – Você pode estar se perguntando.

Por padrão, serviços gratuitos precisam fazer caixa de alguma maneira. Enquanto alguns vendem publicidade, outros vendem versões “plus”, e outros vendem os seus dados. Lembre-se, nada é realmente de graça. Custos existem para qualquer serviço, e esse valor deve sair de algum lugar.

Quando aceita os termos de uso do Avast você está “autorizando” o uso dos seus dados pela Avast Software. A questão aqui é que não estamos em 2005. Não falamos de uma internet crua, sem regras. Falamos de um momento imerso no debate da privacidade, do respeito ao usuário.

Google e Facebook foram massacrados durante 2019 (com toda razão) por seus escândalos envolvendo a captação indevida de dados dos usuários – e cá pra nós que contratar pessoas para ouvir as conversas privadas dos usuários não é pouco absurdo – e o mesmo tratamento deve ser dado ao Avast.

Precisa haver cobrança e, além de um formal pedido público de desculpas, mudanças drásticas na políticas de coleta de dados por parte da empresa. Essa não é uma requisição individual, mas uma cobrança da sociedade. Talvez por isso falemos tanto de Bitcoin e criptomoedas. Talvez por isso a descentralização possa ser a melhor opção para o futuro. Só o tempo dirá.

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Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader aposentado. Segue firme como entusiasta do Bitcoin e inimigo declarado das pirâmides financeiras.